Quarta-feira, 22.06.11

A Outra alma do Coração


Izidine Jaime – Maputo

Na penumbra vazia do pensamento
Há um silêncio nauseabundando a imaginação
Dos tantos amores que o passado afogou
E que nunca foram amores.

Os passos se erguem indecisos
Falando sem melodia reposteira de ordem
As coisas passam!
Só porque tem passagem no tempo.
O tempo é insondável,
Não dorme,
Nem no amanhecer da noite.

Há um vácuo por onde os sentimentos
Fingem ser donos da alma
Inconscientes, arco-irizam a vida.
Ah! Como é tão bom amar.
Mas o amor humano
Está longe de ser mútuo
E se não é!
Ridículos são todos os Homens que amam.
publicado por Revista Literatas às 08:12 | link | comentar
Terça-feira, 14.06.11

Maputo: Preparativos para VIIº Festival Nacional da Cultura


Fazedores de cultura atentos aos preparativos

Por Eduardo Quive

O Ministério da Cultura e os intervenientes da cultura nacional, discutiram na passada quarta-feira em Maputo, o regulamento da próxima edição do Festival Nacional da Cultura, que acontecerá pela sétima vez em 2012.

De acordo com os fazedores da cultura reunidos nesta sessão, salienta-se importante que se tome atenção na logística, pois a partir desta, poderá ser alcançado o maior objectivo, que é o de, juntar o que melhor se tem em termos de arte no país e se exibir em boas condições.

Os artistas chamaram a atenção para a fase dos apuramentos, para que de facto, se leve para a fase final do festival, grupos que merecem lá estar.

Já o Ministro da Cultura, Armando Artur, enalteceu as contribuições dos intervenientes culturais, reiterando que o Festival Nacional da Cultura é de todos moçambicanos, e constitui oportunidade para que a identidade cultural dos moçambicanos esteja reactivada e reconhecida internacionalmente.

Ainda no encontro, o Ministério da Cultura procedeu com a apresentação da sua página oficinal na Internet, onde disponibilizará informações institucionais e os valores culturais do país.

O site constitui uma plataforma para a divulgação das potencialidades artísticas do país, bem como das acções do governo inerentes ao sector da cultura, sendo por esta razão que se reuniu os intervenientes nesta área.

 


Nampula capital da cultura em 2011

No Norte de Moçambique, foi escolhida a cidade de Nampula para acolher a mais prestigiada festa da cultura com maior exaltação dos valores culturais dos moçambicanos, onde várias expressões intercalam-se uma vez em cada dois anos.

Uma das estratégias definidas pelo Ministério da Cultura, é fazer com que, durante todo o ano 2012, todo o movimento artístico–cultural do país, tenha em vista a cidade de Nampula como o centro das atenções.

Armando Artur, referiu que ao adoptar esta estratégia, o objectivo do Ministério da Cultura, é fazer com que, o Festival Nacional da Cultura ganhe mais valores a serem aproveitados para o sector turístico e para a difusão da diversidade cultural, permitindo assim que se mobilizem mais recursos para o mesmo.

Deve-se também, segundo o Ministro da Cultura, mostrar o valor e a importância da cultura para que haja mais investimentos, parcerias e orçamento para esta área, o que poderá favorecer os seus fazedores e o país no geral.

publicado por Revista Literatas às 04:18 | link | comentar

Quero Ser a Noite!


 Izidine Jaime - Maputo

Quero ser a noite
Noite negra como os homens.
Obscura como uma gruta
Onde a luz não tem vida. 

Quero ser a noite
Se a tarde não for enorme!
Cicatrizar vândalos gatunos por ai
Onde o perigo, é uma avenida sem nome! 

Quero ser a noite
Enamorar géneros nas escuras vielas
Cantar odes de prazer,
Carimbar de porta as janelas
Avivar feitos proibidos pelo amanhecer. 

Quero ser apenas noite
Noite que mata o dia,
Noite que canta o silêncio dos vivos
Noite que dança no sepulcro dos vícios
Noite Sem alma nem coração
Noite que amanhece a prostituição.

Quero ser a noite
Calar os passos no alcatrão,
Assaltar o bem dos homens
Catanar o sim, para sustentar o não.

Quero ser a noite
Noite sem flores brilhando no azul da terra
Noite que vende sonhos
A quem siquer tera.

E quando a natureza dos homens
Não for mais artificial
Quero ser o dia! 
publicado por Revista Literatas às 03:10 | link | comentar | ver comentários (2)

(Prosa +Poesia= A Mesmo ou –Isto)= O Bebedor dos Tormentos


Amosse Mucavele - Maputo

Aticei o fogo  do cigarro no meu coração.
Ficou em chamas e senti a necessidade de apagar, cortei o desejo, continuei no meu puxa-puxa,alguém  trouxe-me a àgua. não aceitei, lembrei-me que no meu reino apagasse as chamas do cigarro com uma garrafa de gin.
Entornei-a dentro de mim. e dentro de mim já tinha um barco   a espera; viajei com os olhos fechados, a minha visão era o copo e o cigarro ambos discutindo a primazia nas minhas duas mãos. e de repente abri a vista; deparei-me com o NEWTON trocamos um dedo de conversa falamos de muita coisa desde as prostitutas ate a ciência. em seguida ele falou-me da sua 3ª lei: acção e reacção.
Fiquei de ouvidos boquiabertos e dos olhos carregados de uma ternura milenar, dai aprendi como se fabrica uma dor na consciência, levantei, tentei andar, não consegui, comecei a sentir o peso do meu corpo, e de tudo que engendrei a desaguar nos meus pés amputados pela força do álcool. afinal quem são os meus pés para suportarem toda esta carga?
Tentei falar: a minha voz era um viaduto transportando silêncios, procurei as palavras não as encontrei em lugar algum, creio que o vento da boémia as levou.
Desço do barco, percorro na embriaguez do meu dilema: será este o destino do meu dinheiro? sei que o melhor remédio é distanciar-me deste amigo da ocasião  que só me visita quando as vacas estão gordas e quando são atacadas pela peste da pobreza ou dos bolsos rotos anda longe de mim.
O que vale estar bêbado e  não ter chão para dormir?
E se eu tivesse comprado livros com dinheiro gasto naquela fatídica noite teria educado o meu raciocínio e neste exacto momento estaria a vender saberes para o mundo,.eu de   álcool  prostitutas cigarros não falem mais, preciso de distância com estes três aliados. Caros amigos ensine-me a ser poeta. por favor…………………….
publicado por Revista Literatas às 02:51 | link | comentar
Terça-feira, 07.06.11

Um pouco sobre Eduardo White


Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963.

O poeta integrou um grupo literário que fundou, em 1984, a Revista Charrua. Junto a outros poetas, colaborou também com a Gazeta de Letras e Artes da Revista Tempo, publicação cuja importância, assim como Charrua, foi indiscutível para o desenvolvimento da literatura moçambicana. Por intermédio desses periódicos, afirmou-se um fazer poético intimista, caracterizado pela preocupação existencial e universalizante.

Numa preocupação com as origens, Eduardo White tenta na sua poesia reflectir sobre a sua história e sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e, por vezes, de erotismo.
(“Eduardo White” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2008
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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-rNPllrzoFoI/Te4kb6qXICI/AAAAAAAAATA/6IdYfJ0Lol0/s1600/eduardo+white.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;" rel="noopener"><img border="0" height="320" src="https://1.bp.blogspot.com/-rNPllrzoFoI/Te4kb6qXICI/AAAAAAAAATA/6IdYfJ0Lol0/s320/eduardo+white.jpg" width="236" loading="lazy" /></a></div><link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List" /><link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_editdata.mso" rel="Edit-Time-Data" /><o:smarttagtype name="metricconverter" namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"></o:smarttagtype><style></style><span style="text-decoration: none;"></span><br /><div class="MsoNormal"><span lang="PT"> </span><span lang="PT"></span><span lang="PT"> Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963. <br /><br />O poeta integrou um grupo literário que fundou, em <st1:metricconverter productid="1984, a" w:st="on">1984, a</st1:metricconverter> Revista Charrua. Junto a outros poetas, colaborou também com a Gazeta de Letras e Artes da Revista Tempo, publicação cuja importância, assim como Charrua, foi indiscutível para o desenvolvimento da literatura moçambicana. Por intermédio desses periódicos, afirmou-se um fazer poético intimista, caracterizado pela preocupação existencial e universalizante.<br /><br />Numa preocupação com as origens, Eduardo White tenta na sua <b>poesia </b>reflectir sobre a sua história e sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um <b>amor</b> diversificado que pode ser pela <b>amada</b>, pela <b>terra</b> ou mesmo pela própria <b>poesia</b>, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e, por vezes, de erotismo. <br />(“Eduardo White” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2008 <url: _x0024_eduardo-white="" http:="" www.infopedia.pt="">)<br /><br />Moderníssimo, kafkiano, os seus textos apontam para uma leitura poética metalinguística, ou seja, em que os poemas, ao engendrarem a si mesmos, contam, paralelamente, a história de seu povo (amores, sofrimentos, opressões, miséria, estigmas das guerras, etc.) e a história da própria linguagem literária.<o:p></o:p></url:></span></div><div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><br /></div><div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><b style="background-color: black; color: red;"><span lang="PT">O que vocês não sabem e nem imaginam</span></b><span lang="PT"><br /><br /><i>Vocês não sabem</i><i><br /><i>mas todas as manhãs me preparo</i><br /><i>para ser, de novo, aquele homem.</i><br /><i>Arrumo as aflições, as carências,</i><br /><i>as poucas alegrias do que ainda sou capaz de rir,</i><br /><i>o vinagre para as mágoas</i><br /><i>e o cansaço que usarei</i><br /><i>mais para o fim da tarde.</i><br /><br /><i>À hora do costume,</i><br /><i>estou no meu respeitoso emprego:</i><br /><i>o de Secretário de Informação e de Relações </i><br /><i>[Públicas.</i><br /><i>Aturo pacientemente os colegas,</i><br /><i>felizes em seus ostentosos cargos,</i><br /><i>em suas mesas repletas de ofícios,</i><br /><i>os ares importantes dos chefes</i><br /><i>meticulosamente empacotados em seus fatos,</i><br /><i>a lenta e indiferente preguiça do tempo.</i><br /><br /><i>Todas as manhãs tudo se repete.</i><br /><i>O poeta Eduardo White se despede de mim</i><br /><i>à porta de casa,</i><br /><i>agradece-me o esforço que é mantê-lo,</i><br /><i>alimentado, vestido e bebido</i><br /><i>(ele sem mover palha)</i><br /><i>me lembra o pão que devo trazer,</i><br /><i>os rebuçados para prendar o Sandro,</i><br /><i>o sorriso luzidio e feliz para a Olga,</i><br /><i>e alguma disposição da que me reste</i><br /><i>para os amigos que, mais logo,</i><br /><i>possam eventualmente aparecer.</i><br /><br /><i>Depois, ao fim da tarde,</i><br /><i>já com as obrigações cumpridas,</i><br /><i>rumo a casa.</i><br /><i>À porta me esperam</i><br /><i>a mulher, o filho e o poeta.</i><br /><i>A todos cumprimento de igual modo.</i><br /><br /><i>Um largo sorriso no rosto,</i><br /><i>um expresso cansaço nos olhos,</i><br /><i>para que de mim se apiedem</i><br /><i>e se esmerem no respeito,</i><br /><i>e aquele costumeiro morro de fome.</i><br /><br /><i>Então à mesa, religiosamente comemos os quatro</i><br /><i>o jantar de três</i><br /><i>(que o poeta inconsta</i><br /><i>na ficha do agregado).</i><br /><br /><i>Fingidamente satisfeito ensaio</i><br /><i>um largo bocejo</i><br /><i>e do homem me dispo.</i><br /><i>Chamo pela Olga para que o pendure,</i><br /><i>junto ao resto da roupa,</i><br /><i>com aquele jeito que só ela tem</i><br /><i>de o encabidar sem o amarrotar.</i><br /><br /><i>O poeta, visto depois</i><br /><i>e é com ele que amo,</i><br /><i>escrevo versos</i><br /><i>e faço filhos. </i><br /><i>[...]</i><br /><br /><i>(p.240-241)</i><br /><br /><i>*</i><br /><i>[...]</i><br /><i>Não faz mal.</i><br /><br /><i>Voar é uma dádiva da poesia.</i><br /><i>Um verso arde na brancura aérea do papel,</i><br /><i>toma balanço, </i><br /><i>não resiste.</i><br /><br /><i>Solta-se-lhe</i><br /><i>o animal alado.</i><br /><i>Voa sobre as casas,</i><br /><i>sobre as ruas,</i><br /><i>sobre os homens que passam,</i><br /><i>procura um pássaro</i><br /><i>para acasalar.</i><br /><br /><i>Sílaba a sílaba,</i><br /><i>o verso voa.</i><br /><br /><i>E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso conosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemos esse desejo de o prendermos.</i><br /><br /><i>Não é justo um pássaro</i><br /><i>onde ele não pode voar</i><br /><i>(p.244)</i><br /><i>**</i><br /><i>Por exemplo, o fogo.</i><br /><i>O fogo estabelece e seu trabalho,</i><br /><i>a sua centígrada destreza para arder.</i><br /><i>E não sei se notaste</i><br /><i>que na digital matriz da suas febres</i><br /><i>o fogo opõe-se,</i><br /><i>insubmisso,</i><br /><i>a morrer.</i><br /><br /><i>Arde como se definitivo</i><br /><i>e quando assim sucede tende a crescer,</i><br /><i>busca aquela leveza das altas labaredas,</i><br /><i>a implícita tontura das fagulhas.</i><br /><i>O fogo arde como se quisesse fugir do chão,</i><br /><i>das suas cavernas metalúrgicas,</i><br /><i>ascende ao impulso dos foguetões,</i><br /><i>à infância astral, à casa solar.</i><br /><br /><i>O fogo entristece, por vezes.</i><br /><i>Chora inflamável na sua fatalidade terrestre</i><br /><i>a estranha e lenhosa prisão</i><br /><i>que o prende e embrutece.</i><br /><br /><i>Quer voar, </i><br /><i>quer a sua ancestral condição de estrela</i><br /><i>mas na corrida espacial com que o fogo queima,</i><br /><i>na perpétua evasão,</i><br /><i>a gula intestina-o</i><br /><i>a sua pressa.</i><br /></i></span><i>(p.245)</i><o:p></o:p></div>
publicado por Revista Literatas às 07:17 | link | comentar

Quando Estivermos Vivos


 Deusa D´África – Xai-Xai

Quando estivermos vivos
Nos amaremos e activos
Permaneceremos causando gana
Aos que não são amados, e de quem aos estóicos emana. 
Quando estivermos vivos
Abraçarmo-nos-emos na varanda
E pararemos a lua
Para que não haja sol na rua

Quando estivermos vivos
Eu e tu seremos um
Iguais a outro casal nenhum
E em cada solo nosso sémen fecundará o alimento do povo, o pão. 
Quando estivermos vivos
Todos dias serão dias de sarau
Sarau serenatas e satisfação em semblantes
Sem lugar para os com cara de pau. 
Quando estivermos vivos
Gargalharemos de tal maneira
Que nossos olhos jorrarão, água
Que inundará  a cidade de felicidade. 
Quando estivermos vivos
Como ovíparos pariremos, um enxame de príncipes,
Que serão os munícipes
Desta cidade sem mocidade. 
Quando estivermos vivos
Beberemos água gelada
Que neste tormento nem a fada
Nos pode dar por misericórdia, ou por compaixão
Mesmo vendo que em nós há paixão.  
publicado por Revista Literatas às 07:13 | link | comentar | ver comentários (1)

Feridas do passado


Nelson Lineu – Maputo
Ao Réne e Charles


 O passado traz-nos feridas
presas na lenda
num leito de dor desumano
dentro dum cristal da pobreza
que desembarca no oceano.

De certas coisas
quisemos sair de mãos vazias
porque não mereciam ser  lembranças

mas vemos tudo de novo tudo na água das nossas bacias
e não fizemos buscas
pensamos que se afogaram
mas amanhã firmemente fazem-nos rusga.
publicado por Revista Literatas às 06:45 | link | comentar | ver comentários (1)

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