Sábado, 26.02.11

Homenagem ao “poeta vacabundo”


De Eduardo Quive

É UM poeta pós-modernista. A sua poesia é epigrámica. Ou seja, compacta. Também é um poeta discreto. Nunca grita para que o vejam. Ou o oiçam. Não se preocupa com as pessoas que o reconhecem ou deixam de o reconhecer. Porque ele próprio sabe que é um poeta. Um poeta predestinado. Nunca se vai querer ser poeta, segundo suas palavras. ...Um poeta é. Amin Nordine publicou três obras que passaram mais ou menos despercebidas. Mas elas transportam uma grande carga de sabedoria. E um dia as pessoas vão entendê-las. São elas Vagabundo Desgraçado, Duas Quadras para Rosa Xicuachula e Do Lado da Ala-B. Agora tem Soladas, título com o qual concorreu para o prémio Muncipal/2007. E ganhou. Ele diz que o mundo do poeta e tão hipotético e subjectivo que prefere ficar calado para não abalar a fé que transporta consigo. Ele é um misto caneco, que os amigos chamam, a brincar, de mudjinthi, ou mujahidine. Mas o poeta diverte-se com isso e diz: “sou um preto de cabelos desfrisados. Minha mãe tinha um salão de cabeleireiro no ventre dela”. E numa situação destas, não podíamos perder a oportunidade de entrevistar este poeta da compactação. (entrevista de Alexandre Chaúque, no jornal Notícias no ano 2007)
Descrever Amim Nordine, é mesmo um mito por si mesmo, mas o Movimento Literário Kuphaluxa, o fez com supremacia, na noite da última sexta-feira no Centro Cultural Brasil-Moçambique em Maputo, para chorar a Morte do poeta e jornalista cultural dos melhores no país, falecido no dia cinco de Fevereiro do corrente ano.
Para escritores, jornalistas e literatas presentes, Amim, era um louco, vacabundo e desgraçado mas pela arte, tudo pelo amor a literatura e pela concretização do que o mesmo artista dizia sobre sí, “operário da Poesia”.
“Nós últimos tempos da sua vida Amim Nordine, era um crítico de tudo e todos, a cada edição do jornal Zambeze, na sua coluna Harpas e Farpas, sempre tinha um alvo a abater, entegou-se exageradamente, ao sigarro e ao álcool, coisas que o levaram a eterna vida” disse Bitonga Blues, Alexandre Chaúque, seu amigo e também jornalista cultural, com caris para discrever, tal como Amim, tudo e todos.
Pouco conhecido pelos moçambicanos, poeta controverso que não se deixava comprar pela vaidade e nem tão pouco pela desgraça, morreu operário das letras que o seguiram durante a vida.
Presenciaram a homenagem, os escritores, Aurélio Furdela, Pedro Chissano, Calane da Silva, também director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, entre outros novatos na arte da escrita.
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publicado por Revista Literatas às 02:07 | link | comentar
Domingo, 20.02.11

Homenagem ao poeta-mor que nasceu três vezes

Por Eduardo Quive

Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) reservou a noite da última sexta-feira para uma conversa sobre o poeta-mor, até então, o maior da poesia em Moçambique e o primeiro autor africano galardoado com o prémio Camões em 1991.

José Craveirinha, Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo ou Abílio Cossa, seja como for, o poeta da luta, nasceu várias vezes como o diz na sua autobiografia.
“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato…
A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros.
Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão. E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique. A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.
Nasci ainda outra vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação. Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta. Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.” Leia Mais...
Para falar do poeta, Gilberto Matusse, não poupou palavras e argumentos, tendo o considerado, um homem que nunca se sentia satisfeito com o seu próprio trabalho, sempre acreditou que podia ser melhor.
A sua poesia objectiva, marca a diferença e a controversa do Craveirinha, quebrando todas as regras, onde a geralmente, a poesia é conhecida como a seguidora da subjectividade, sendo objectiva a narrativa.
Outros poetas, até chegaram a falar do Amim Nordine (Poeta, declamador e um dos maiores jornalistas culturais de Moçambique nos últimos tempos, falecido no dia cinco de Fevereiro do corrente ano e enterrado no mesmo dia no cemitério de Lhanguene, sem que o país soubesse do acontecimento), outro homem que se dizia operário da poesia.
Foi dito ainda naquela noite, que as pessoas que sentem a liberdade têm as palavras, exemplo de Amim Nordine e José Craveirinha.
O evento contou ainda com a presença dos familiares do poeta, Casa Museu Craveirinha, entre outros artistas.

Livros publicados
Em termos bibliográficos, o escritor fora um dos escritores moçambicanos, com mais livros lançados, completando seis edições muitas vezes reeditadas, como o caso do Nkaringana wa Nkaringana (era uma vez), Xigubo (batuque) e Maria, para além de ter tido as suas obras traduzidas para várias línguas extrangeiras como Francês, Italiano e Russo, nestas duas últimas línguas, lançou Cantico a un dio di Catrame e Izbranoe.
Portanto, falar de Craveirinha, é falar de um negro “mulato” que tinha muita expressão na literatura internacional, e um ícone da literatura em Moçambique e no continente negro. Homem que inspira a juventude actual e com certeza, com a imortalização do seu legado, muitas gerações vão se espelhar neste operário da poesia, analfabeto e autodidacta.

Prémios arrecadados

Quanto a isso, se pode dizer que José Craveirinha foi um literata com mérito reconhecido e exibidamente explícito na sociedade.
Primeiro venceu o Prémio Cidade de Lourenço Marques em 1959, de seguida mereceu o Prémio Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira em 1961, buscou o Prémio de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira 1961, seguiu com o Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal no ano seguinte, Prémio Nacional de Poesia de Itália em 1975, Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos em 1983, Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique em 1985, Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil em 1987 e Prémio Camões em 1991.
Craveirinha, foi portanto, um colecionador de títulos e símbulos com niguém ainda, na estória da arte de leitura e escrita em Moçambique, posicionando entre os melhores de sempre em África, para além de ter ganho, igualmente, o destaque de ser o melhor da última década, mesmo ter morrido nos seus princípios, isto é a seis de Fevereiro de 2003.

Craveirinha de Mafalala
Tal como muitos heróis e homens de grande prestígio na história moçambicana, José Craveirinha, era pobre, e sobrevivente da “Babilónia”, nome que se dá a zonas pobres.
Neste bairro mítico, nasceu e viveu para além de Craveirinha, expoente máximo da poesia Moçambicana. Neste bairro nasceu e aprendeu a jogar futebol, Eusébio da Silva Ferreira, exímio ponta de lança que actuou no Benfica de Portugal bem como na selecção de Portugal. Samora Machel, Joaquim Chissano e Pascoal Mucumbi, Ex-presidentes e primeiro-ministro de Moçambique, respectivamente, viveram algum tempo neste Bairro mítico dos arredores da cidade de Maputo.

Breve biografia
Craveirinha (Lourenço Marques, 28 de Maio de 1922 — Maputo, 6 de Fevereiro de 2003) é considerado o poeta maior de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
Como jornalista, colaborou nos periódicos moçambicanos O Brado Africano, Notícias, Tribuna, Notícias da Tarde, Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Diário de Moçambique e Voz Africana.
Utilizou os seguintes pseudónimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa. Foi presidente da Associação Africana na década de 1950.
Esteve preso entre 1965 e 1969 por fazer parte de uma célula da 4.ª Região Político-Militar da Frelimo.
Primeiro Presidente da Mesa da Assembleia-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987.
Craveirinha, era homenageado no âmbito da data da sua morte, que se assinalou, no pretérito seis de Fevereiro.
publicado por Revista Literatas às 07:20 | link | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 03.02.11

Embaixada do Brasil homenageia Malangatana

Ao fazer um mês do desaparecimento físico do artista plástico e figura singular da cultura moçambicana, Malangatana Valente Neguenha, a Embaixada do Brasil vai realizar no seu Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, uma homenagem evocatória deste cidadão da CPLP, de África e do Mundo. O evento tem lugar sexta-feira, às 18 horas.

 Maputo, Quarta-Feira, 2 de Fevereiro de 2011:: Notícias 

Pintura de uma grande quadro por artistas plásticos moçambicanos e outros artistas aqui residentes, enquanto no mesmo salão do Centro Cultural Brasil-Moçambique se inaugura uma significativa exposição fotográfica da vida e obra de Malangatana, seguida de uma mesa redonda em que vários figuras conhecidas da nossa intelectualidade e vida artística se pronunciarão sobre a via e obra deste nosso grande artista plástico, são algumas das acções que compõem a homenagem. 
Ainda no evento, Hortêncio Langa falará e cantará em homenagem a Malangatana, Ana Magaia, Luís Cezerilo e Calane da Silva dirão poesia escrita por Malangatana e poemas a ele dedicados.

A exposição fotográfica sobre a vida e obra do pintor é organizada pelos Doutoras António Sopa e Bartolomeu Rungo, sendo que na mesa redonda estarão presentes, como oradores, os Professores Doutores José Forjaz e Gilberto Cossa, a Doutora Filomena André, da Fundação Mário Soares, e que se encontra em Moçambique a fazer um levantamento e pesquisa de toda a obra de Malangatana.

Haverá igualmente apresentação da obra poética de Malangatana por parte do Calane da Silva.

Espera-se a presença dos familiares do desditoso pintor, de autoridades moçambicanas ligados à Educação e Cultural, amigos e numeroso público uma vez que a entrada é livre.

AO fazer um mês do desaparecimento físico do artista plástico e figura singular da cultura moçambicana, Malangatana Valente Neguenha, a Embaixada do Brasil vai realizar no seu Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, uma homenagem evocatória  deste cidadão da CPLP, de África e do Mundo. O evento tem lugar sexta-feira, às 18 horas.
Pintura de uma grande quadro por artistas plásticos moçambicanos e outros artistas aqui residentes, enquanto no mesmo salão do Centro Cultural Brasil-Moçambique se inaugura uma significativa exposição fotográfica da vida e obra de Malangatana, seguida de uma mesa redonda em que vários figuras conhecidas da nossa intelectualidade e vida artística se pronunciarão sobre a via e obra deste nosso grande artista plástico, são algumas das acções que compõem a homenagem.

Ainda no evento, Hortêncio Langa falará e cantará em homenagem a Malangatana, Ana Magaia, Luís Cezerilo e Calane da Silva dirão poesia escrita por Malangatana e poemas a ele dedicados.

A exposição fotográfica sobre a vida e obra do pintor é organizada pelos Doutoras António Sopa e Bartolomeu Rungo, sendo que na mesa redonda estarão presentes, como oradores, os Professores Doutores José Forjaz e Gilberto Cossa, a Doutora Filomena André, da Fundação Mário Soares, e que se encontra em Moçambique a fazer um levantamento e pesquisa de toda a obra de Malangatana.

Haverá igualmente apresentação da obra poética de Malangatana por parte do Calane da Silva.

Espera-se a presença dos familiares do desditoso pintor, de autoridades moçambicanas ligados à Educação e Cultural, amigos e numeroso público uma vez que a entrada é livre.
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