Terça-feira, 28.06.11

Literatura e independência de Moçambique


O País

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<div align="justify"><span style="font-family: 'Tahoma','sans-serif'; font-size: 9pt; line-height: 150%;"></span><br /><div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><strong><span style="background-color: black; color: red;">O País</span></strong></span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"><br /></div><table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"><tbody><tr><td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-R2bfXMCdr7w/Tgmui0lcHpI/AAAAAAAAAUo/T6nY467oBH4/s1600/Independencia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img border="0" height="234px" i$="true" src="https://1.bp.blogspot.com/-R2bfXMCdr7w/Tgmui0lcHpI/AAAAAAAAAUo/T6nY467oBH4/s320/Independencia.jpg" width="320px" /></a></td></tr><tr><td class="tr-caption" style="text-align: center;">Foto: Blog-Mashamba</td></tr></tbody></table><div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><strong>Moçambique comemorou os 36 anos da independência, conquistada cinco séculos depois do domínio português. Às 00h00 de 25 de Junho de 1975, Samora Machel, primeiro presidente moçambicano, proclamou a “independência total e completa” do país.</strong> </span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #003366; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><span style="color: lime; font-size: large;">Introdução</span></span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"></span></b></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">As literaturas africanas de língua portuguesa têm procurado,   conscientemente ou não, uma relação equilibrada com as influências deixadas pela presença dos portugueses. Este processo pode ser chamado de descolonização, que é visível em várias formas nas  literaturas em questão. O processo também pode ser visto, tendo fases diferentes que são aqui apresentadas, com exemplos da literatura moçambicana.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #003366; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><span style="color: lime; font-size: large;">Caminho da independência</span></span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"></span></b></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">A par de outras expressões culturais, a literatura pode em grande medida antecipar mudanças sociais. Em Moçambique, numa primeira  fase, aparecem expressões que discutem a condição dos colonizados,   como em Godido e Outros Contos, de João Dias (1952), que descrevem  a vida quotidiana dos negros, em Nós Matámos o Cão Tinhoso, de Luís  Bernardo Honwana (1964) e as que formam poemas de resistência cultural nos trabalhos de Noémia de Sousa e de José Craveirinha. Mas do panorama literário moçambicano a caminho da independência, também fazem parte os escritores de origem portuguesa que se arredaram destas questões. Assim, a literatura antecipa mudanças, discutindo temas que mais tarde se tornam centrais nas sociedades que lutam contra o  colonialismo. Trata-se da emergência de uma nova literatura que expressa a voz dos colonizados, de uma nova forma em relação à  literatura colonial que, nesta fase, e embora de forma subtil, pode ser  vista como uma plataforma onde as situações sociais são discutidas. Em relação às formas de expressão, é interessante considerar que os autores escrevem contos, e que o conto, ao contrário do romance, deve mais ao contexto da literatura oral do que à influência dominante da  tradição ocidental.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #003366; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><span style="color: lime; font-size: large;">Em direcção ao equilíbrio</span></span></b><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"></span></b></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">Nas últimas décadas têm-se discutido vários temas na literatura  moçambicana. Por exemplo, Ungulani Ba Ka Khosa, no seu Ualalapi (1987) discute o passado moçambicano e a personagem de Ngungunhane, mas também aponta críticas às políticas dos  primeiros anos da independência moçambicana. Por seu lado, Paulina Chiziane tem destacado a situação e vida das mulheres, bem como as  diferentes tradições existentes no país. Mia Couto ficou conhecido pelo uso criativo da língua portuguesa, inspirado na criatividade dos  contadores de histórias.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">Pode considerar-se que a obra de Khosa marca uma nova pluralidade cultural no contexto moçambicano. Ele e vários outros escritores e poetas questionam a uniformidade da poesia de combate. Tanto o colonialismo como a luta anti-colonial começam a ter menos peso e mesmo nas obras que discutem o passado, o foco passa a incidir sobre a situação actual. Escritores, usando a língua que antigamente era  europeia, expressam realidades do seu país, recuperando as tradições,  conhecimentos e valores que ficaram na sombra do colonialismo e eurocentrismo.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #003366; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><strong><span style="color: lime; font-size: large;">Conclusão</span></strong></span><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"></span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm; text-align: justify;"><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">Sendo assim, o lugar da herança portuguesa é posto em causa, questionando-se a superioridade cultural europeia e avivando-se as culturas locais e a tradição oral. Sendo possível ver que a literatura antecipou a independência, é possível pensar que ela também pode antecipar e discutir as relações actuais e futuras  entre as ex-colónias e a ex-metrópole. Neste processo, é possível ver-se uma “provincialização” de Portugal ao nível cultural, político e epistemológico. Este processo também pode oferecer novas  perspectivas para a cultura lusófona em geral e para a cultura  portuguesa.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 4.7pt 0cm 9.35pt; text-align: justify;"><span style="color: #003366; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">*</span><span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">Texto adaptado do original “A Herança Portuguesa e a Literatura Moçambicana”, de Ana Poysa</span></div></div>
publicado por Revista Literatas às 04:36 | link | comentar

Obras de Joana Ruas

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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-idf0UuixHAQ/TgmqaUocG_I/AAAAAAAAAUg/sCXqDZUJEIc/s1600/8Bienal-Ceara-Joana-Ruas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="243px" i$="true" src="https://1.bp.blogspot.com/-idf0UuixHAQ/TgmqaUocG_I/AAAAAAAAAUg/sCXqDZUJEIc/s320/8Bienal-Ceara-Joana-Ruas.jpg" width="320px" /></a></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><strong>Na Guiné  com o PAIGC</strong></span><span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;">, reportagem escrita nas zonas libertadas da Guiné em 1974, edição da autora, Lisboa, 1975;no jornal da Guiné - Bissau, Nô Pintcha, redige, em 1975, a página de literatura africana de língua portuguesa. Traduz textos inéditos de Amílcar Cabral escritos em língua francesa e recolhe na aldeia de Eticoga (ilha de Orangozinho, arquipélago dos Bijagós), a lenda da origem das saias de palha; <b>Corpo Colonial</b>, Centelha, Coimbra, 1981 (romance distinguido com uma menção honrosa pelo júri da APE; traduzido em búlgaro); <b>Zona </b>(ficção), edição da autora, Lisboa, 1984 (esgotado<b>); </b>Colaborou no Suplemento Literário do Diário Popular e,  na página literária do Diário de Lisboa, foi publicado  um seu trabalho de análise crítica intitulado <b>O Lado Esquerdo da Noite </b>sobre o romance de Baptista Bastos, <b>Viagem de um Pai e de um Filho pelas Ruas da Amargura</b>; na Revista cultural Algar numa edição da Casa Museu Fernando Namora em Condeixa, apresentou   um estudo sobre o romance <b>Fogo na Noite Escura </b>de Fernando Namora; colaborou com textos na página de Letras e Artes, Alma Nova, do jornal O Mirante, no Notícias de Elvas, no União, Quarto Crescente, Jornal do Sporting com poemas inéditos e com um trabalho de análise crítica sobre a narrativa dramática de Norberto Ávila, <b>As Viagens de Henrique Lusitano; O Claro Vento do Mar(</b>romance<b>)</b>  Bertrand Editora, Lisboa, 1996; <b>Amar a Uma só Voz </b>( Mariana Alcoforado nas Elegias de Duíno), Colóquio Rilke, organizado pelo Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  Edições Colibri, Lisboa, 1997 e publicado no nº 59 da  revista electrónica brasileira Agulha (<a href="http://www.revista.agulha.nom.br/" target="_blank"><span style="color: blue;">www.revista.agulha.nom.br</span></a><b>;  A Amante Judia de Stendhal</b> (ensaio), revista O Escritor,  n.º 11/12, Lisboa, 1998; <b>E Matilde  Dembowski</b> ( ensaio sobre Stendhal), revista O Escritor, nº13/14, 1999 e revista electrónica (<a href="http://www.revista.agulha.nom.br/" target="_blank"><span style="color: blue;">www.revista.agulha.nom.br</span></a> e Triplov e na revista electrónica mexicana La Otra 26; <b>A Guerra Colonial e a Memória do Futuro</b>, comunicação apresentada no Congresso Internacional sobre a Guerra Colonial, organizado pela Universidade Aberta, Lisboa, 2000; <b>A Pele dos Séculos</b> (romance), Editorial Caminho, Lisboa, 2001;.Participou  com comunicações nas <b>Jornadas de Timor da Universidade do Porto sobre cultura timorense e sobre a Língua</b> <b>Portuguesa em Timor na S.L.P</b>. A sua poesia encontra-se dispersa por publicações como <b>NOVA 2</b> (1975), um magazine dirigido por Herberto Helder; o seu poema <b>Primavera e Sono</b> com música de Paulo Brandão foi incluído por  Jorge Peixinho no 5º Encontro de Música Contemporânea promovido pela Fundação Gulbenkian e mais tarde incluído no ciclo Um Século em Abismo — Poesia do Século XX realizado no C.A.M.;  recentemente  publicou poesia nas seguintes publicações : <b>Antologia da Poesia Erótica</b>, Universitária Editora; <b>Cartas a Ninguém</b> de Lisa Flores e Ingrid Bloser Martins, Vega ; <b>Na Liberdade</b>, antologia poética, Garça Editores; <b>Mulher,</b> uma antologia poética integrada na colecção Afectos da Editora Labirinto; <b>Um Poema para Fiama, </b>uma antologia publicada pela Editora Labirinto<b>;</b> <b>; </b>tem colaboração nas revistas  <b>Mealibra</b>,  revista de Cultura do Centro Cultural do Alto Minho e na  <b>Foro das Letras</b> revista da Associação Portuguesa de Escritores – Juristas onde publicou <b>Caderno de Viagem ao Recife</b> . Na revista electrónica <b>Triplov </b>foi publicado um Roteiro sobre a sua obra, <b>A Pele dos Séculos</b>. Em 2008, a Editora Calendário publicou o seu romance histórico <b>A Batalha das Lágrimas. </b>Participou na 8ª Bienal  Internacional do Livro do Ceará onde proferiu uma palestra intitulada <b>Aproximar o Distante, Do Estranho ao Familiar — duas experiências: Timor-Leste e Guiné-Bissau</b>. . Em 2010,a  revista electrónica mexicana  LaOtra, a Revista Literária brasileira e o Jl publicaram o texto do Prof. Dr. Pires Laranjeira sobre <b>Crónicas Timorenses. </b>Em 2009, a Escrituras Editora publicou na colecção Ponte Velha, <b>Das Estações entre Portas</b>. O texto de Joana Ruas intitulado <b>A Herança dos Possíveis </b>sobre dois poemas de José Ángel Leyva foi publicado em Maio de 2010 na revista electrónica Agulha Hispânica. Participou na IV Feira do Livro de Díli onde apresentou com o Dr. Roque Rodrigues, Conselheiro do Presidente da República de Timor Leste e Dr. Manuel Tilman ,Deputado do Parlamento Nacional, as suas obras <b>A Batalha das Lágrimas e Crónicas Timorenses</b>. </span><br /><span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT;"><div style="text-align: justify;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-size: 20pt;"><span style="color: lime;">Biografia </span></span></b></div><div style="text-align: justify;"><br /></div><div style="text-align: justify;"><span>Joana Ruas nasceu em 1945  na Quinta do Pinheiro em Freches, no distrito da Guarda. Por volta dos anos 50 do século XX , a sua família estabeleceu-se em Angola  onde Joana Ruas viveu e estudou  até aos quinze anos, idade em que, segundo  o costume da burguesia colonial , regressou a Portugal para completar os seus estudos em Coimbra. A guerra colonial  levou  o seu ex-marido para Timor-Leste para onde Joana Ruas o acompanhou . Trabalhou como jornalista cultural e tradutora na Radiodifusão Portuguesa e no jornal Nô Pintcha da República da Guiné –Bissau. A convite de Natália Correia,  traduziu prosa e poesia para diversas editoras. Participou na  causa da Libertação do Povo de Timor-Leste, tendo feito várias conferências sobre  a Língua Portuguesa em Timor –Leste, sua história e cultura. .Em 1975, o poeta Herberto Helder editou um poema seu e, desde então,  consagrou-se à sua obra literária, tendo publicado romances, ensaios e poemas. Trabalha há anos  na escrita de uma obra  em três volumes (um romance, um livro de contos e uma novela), sobre cem anos de Resistência Timorense — de  finais do século XIX até à Independência.</span></div><div style="text-align: justify;"><br style="mso-special-character: line-break;" /></div></span></div>
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Quinta-feira, 23.06.11

Contos do Fantástico

Jorge de Oliveira - O País
É uma obra de muitas culturas (religiosas, locais, naturais, espirituais), mostrando o quão diversificado é este povo e, no fundo, olhando para esse tempo longínquo com a possibilidade que a distância temporal permite...
De Aníbal Aleluia, escritor moçambicano já falecido, publicaram-se duas obras, “Mbelele e outros Contos”, “O gajo e os Outros” e, agora, “Contos do Fantástico”. Esta última, escrita em 1988, é de natureza totalmente diferente do que têm sido, ao longo dos últimos anos, as obras literárias moçambicanas.
1. Com uma linguagem erudita, muito apurada, temáticas comuns, mas tratadas de forma bastante diferente, a obra trouxe estórias de ficção baseadas no além, naquilo que as pessoas muito falam, só que ninguém alcança. A maior parte dessas peripécias são resultantes do que ouviu ao longo das suas viagens por este país fora;
2. Até a leitura e crítica social apresentada tem um cunho e uma forma não muito simplista, o que obriga o leitor a recorrer a uma análise baseada na conotação;
3. “Cria, inventa, procura, experimenta. Observa com os teus próprios olhos. A ti é que mais interessam os fracassos e os triunfos. A eles não os afectam. Se tiveres aborrecimentos não serão eles a saná-los, embora, caso tenhas louros, sejam os primeiros a enviar relatórios às suas direcções para valorizarem as suas informações de cada ano, com vista a futuras promoções”;
4. É um texto com linguagem muito apurada, dir-se-ia mesmo um português arcaico que nem a todos atinge, exigindo muitas vezes o recurso ao dicionário, mas de uma beleza acima do comum. Um estilo agradável, diferente do usual, e que nos faz sorrir e perceber que a língua também é um espaço infinito de que nenhum humano se pode apropriar na totalidade;
5. A dado momento recorda o “Piratas das Caraíbas”, com seres meio humanos meio aquáticos a viverem em baixo da água, com muita escravatura à mistura, e, por outro lado, vale pela mostra de aspectos culturais que, em tempo de colonização, diferenciavam a visão do colonizador da do colonizado;
6. “Meteu-se imediatamente no mato. Estava ansioso e já antegozava o seu triunfo sobre os javalis. Gostava que os animais alvejados dessem luta. Quando o javali eriçava as cerdas, expedindo chispas dos olhos pequenos, e o seu rosnar transformava-se num som agudo, Luís sentia-se mais homem, porque o animal parecia lançar-lhe um desafio. Então os seus músculos ganhavam dureza, rilhava os dentes e avançava afoito como se se quisesse entregar a um violento corpo a corpo”;
7. É uma obra de muitas culturas (religiosas, locais, naturais, espirituais), mostrando o quão diversificado é este povo e, no fundo, olhando para esse tempo longínquo com a possibilidade que a distância temporal permite, como vários tabus e preconceitos (que sempre foram demasiados) foram sendo ultrapassados sem nunca terem sido explicados (o que é óbvio, porque sempre se basearam em mentiras e lendas sem base científica nenhuma);
8. Livro de enorme riqueza narrativa, apresenta episódios que se vêem, logo à partida, tratar-se de imaginações que nunca existiram, assentes em dogmas e mentiras embutidas, ao longo de décadas, nas pessoas, até, por mais incrível que pareça, se tornarem defensáveis por alguns charlatões. E alguns dos exemplos mostram isso, como o caso de um fantasma de mulher que apanha um mulherengo, das profecias amaldiçoadas que são feitas entre humanos e se cumprem, de contactos com mortos, de Homens – Animais, de pessoas que não se pode prender ou bater e até sereias;
9. “E todos tinham medo dele. Os conselheiros, em vez de conselhos, gritavam ditirambos. O ‘censor público’ instituído pelo régulo velho para moralizar a corte e a sociedade não teve similar no Sudoeste. Aliás, Macarala não deixava os indunas falarem, salvo para proferirem elogios. E o Sudoeste começou a empobrecer, acabando por cair numa indigência generalizada, enquanto o régulo vizinho, herdeiro do Velho, com uma política sã, desenvolvia as suas terras, promovendo a felicidade do seu povo”;
10. Contos do Fantástico deve ser lido para se ganhar várias coisas, dentre elas relembrar algumas realidades dos tempos de outrora, desfrutar de uma leitura agradável (até pelo desconhecimento de alguns termos, o que é caricato), para se aprender novos termos (os tais arcaicos) e se poder avançar na direcção de novos momentos na nossa civilização.
11. É um mergulho nas amarras de um povo que tem tanto de belo como de inexplicável.
publicado por Revista Literatas às 08:08 | link | comentar

Escrevivências em Doses Crônicas

Por: Marcelo Soriano - Brasil
 








1ª  dose - Prólogo 
Recebi com muito gosto o convite para escrever uma crônica para a Revista Literatas. Fico feliz e grato ao irmão Amosse Mucavele que disse-me: "Sabes, conquistaste o coração dos moçambicanos.", referindo-se ao artigo publicado na Tempo Nº Zero (http://www.revista-tempo.com/) que foi relançada em Maio, recentemente. Mantenho firme, com este tipo de intercâmbio, o sonho de ver/ler a riqueza cultural dos países da CPLP transitando livremente, sem fronteiras, de lá para cá, daqui para lá.
 
2ª  dose - A microliteratura nas redes sociais 
Desde pequeno tendo a escrever com o mínimo de caracteres. Aquilo que seria uma mania estranha de um garoto que pensava demais e falava (e escrevia) de menos, hoje transformou-se em modismo cultural, propagado amplamente pelo Twitter, Facebook, Blogues em geral, enfim, pelas chamadas Redes de Relacionamentos Sócio-Virtuais. Bem, o que poderia dizer aquele garoto de antigamente, de poucas letras com grande significado (ao menos para si)?! O garoto se encontrou, não apenas consigo mesmo, mas com uma proposta de literatura (e, por conseqüência, literatos jovens de todas as idades), tão espontânea, quanto fluente pelos países da CPLP. Críticas, estudos, discussões sobre o teor e a pertinência cultural das expressões literárias deste "novo" estilo de escrever... Bom, deixemos isto aos acadêmicos! 
3ª  dose - Aforismos sobre Literatura 
  • A literatura é  um mar de rosas de cabeças baixas.
  • Lembre-se: neste mundo, uma palavra vale muito mais que mil idéias.
  • Nada de falar a verdade. Um poeta verdadeiro deve sempre escrever a verdade.
  • Um grande escritor não é aquele que se libera ao ímpeto do escrever. Um grande escritor resiste ao ímpeto de não escrever.
  • A poesia vem do nada, logo, poesia é tudo!
  • O escrever é superior ao redigir.
  • Todo o poema pode ser melhorado. Todo o poema deve ser melhorado. Não fosse assim, não seria poema.
  • O universo uniu os versos... E esquartejou os poetas...
  • Nunca duvide da Arte de dormir operário e acordar poeta.
  • A poesia funciona quando o leitor sorri.
  • O livro é uma gaiola de pássaros que canta para ser aberta.
  • Os menos preparados sempre sucumbem ao afã da palavra final.
  • O bom poema é o que nos lê.
  • A verdade está situada em algum lugar ilegível entre as metáforas e as parábolas.
  • O óbvio, às vezes, surpreende.
  • Quem passa a maior parte do tempo tentando ser genial, acaba se tornando um gênio muito chato.
  • Nós que escrevemos tanto sobre amor, não é que o saibamos ao ponto de ensinar, é porque precisamos escrever; escrever ao ponto de aprender. Por isso eu digo, sem ser douto no assunto... Escrever também é amar.
  • Poetas são árvores frutíferas que acharam mais produtivo perambular.
  • Escrever é pura falta do que fazer quando se está com a agenda lotada.
  • Já observaram? O livro aberto tem formato de pássaro.
  • O autor é o Deus do livro, mas é comum deuses serem engolidos pela vaidade da própria criação.
  • Há poemas que são auto-exorcistas.
  • Apelo aos escritores: deixem de definir o amor e comecem a amar!
  • Para o poeta ser amado é ser lido.
  • Um livro de papel comestível venderia mais (porque mataria, também, a fome do corpo).
  • Por mais enfadonha que seja a nossa história de vida, largar o livro nem pensar!
  • Escrevo primeiro; penso depois. Se pensasse antes, jamais escreveria. Escrever não é um caso pensado.
  • A minha grande certeza é a incerteza das letras de um poema não escrito.
  • Poesia de verdade não é a leitura do mesmo, é a releitura do novo.
  • O Poeta se faz digno pelo strip-tease de suas palavras.
  • Ler com o lápis; escrever com os olhos.
  • A vida é uma luta diária. Em todos os amanheceres reiniciamos do nada. Escrever é semelhante.
  • A cisma da Ordem dos Poetas Alucinados é jamais saber precisamente o lugar correto e derradeiro do ponto final.

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publicado por Revista Literatas às 07:12 | link | comentar | ver comentários (40)

Ficção brasileira que chegou aos EUA e à Itália

     Luana McCain - Brasil   
  
'O Enigma do Guarda-Roupa é o primeiro volume da série Horror, composta por cinco títulos´independentes, cujo objetivo é proporcionar calafrios de medo no leitor, mediante histórias arquitetadas no sobrenatural e nas profundezas da mente humana.
Com enredos simples, capítulos curtos e linguagem rápida, sem rodeios, os livros pretendem alcançar o público que não dispõe de tempo suficiente para leituras áridas, menos ainda o de fazer longos exercícios de imaginação.
           Pretendem, também, transformar o ato de ler em momentos inesquecíveis, de modo que estes despertem o interesse, a curiosidade e motive o leitor a encantar-se com o universo da leitura.
           Em O Enigma do Guarda-Roupa, o sobrenatural comparece da primeira à última página.
A história é contada de forma nua, crua, sem requintes, por uma adolescente que terá sua vida completamente virada de cabeça para baixo quando sua família resolve mudar-se para um sinistro casarão.
Lá, depara-se com um antigo guarda-roupa que, conforme a última moradora, é mal-assombrado.
No início, atribui a história a boatos. Mas após uma sucessão de bizarros acontecimentos,  começa a perceber
que há uma presença macabra à espreita.
Será que a adolescente conseguirá desvendar a tempo o enigma do guarda-roupa?'



Sérgio Simka
É professor universitário e escritor. Coordenador do curso de Letras das Faculdades Integradas de Ribeirão
Pires (FIRP). Seu site: www.sergiosimka.com.


Luana McCain
Cursa Letras, é colunista, revisora e suicida.


Seri
É jornalista e ilustrador. Trabalha no jornal Diário do Grande ABC, de Santo André-SP.





Páginas: 72
Edição: 1ª
Ano: 2010
Editora: Iglu
ISBN: 978-85-7494-131-8
Formato: 21,00 cm x 14,00 cm
Peso: 91g



publicado por Revista Literatas às 06:48 | link | comentar
Terça-feira, 14.06.11

Oficina de Literatura de Cordel com José Acaci


RELEASE

A IMPORTÂNCIA DE UMA OFICINA DE LITERATURA DE CORDEL

Historicamente a literatura de cordel foi utilizada como incentivadora da leitura. No Brasil é comum encontrar pessoas que afirmam ter aprendido as primeiras letras por influência direta deste tipo de literatura. A valorização do cordel vem aproximar os alunos à cultura popular e ao prazer de ler. O Uso do Cordel na Sala de Aula passou a ser uma ferramenta cada vez mais necessária e acessível em função da sua qualidade literária, que chama a atenção por utilizar a rima, a métrica e a musicalidade da poesia para mostrar enredos interessantes, divertidos e educativos. O cordel, como patrimônio histórico e cultural do povo brasileiro, pode e deve ser utilizado como instrumento de estímulo à leitura e à escrita e como recurso pedagógico para discussão da discriminação racial, da consciência ambiental, do combate à violência e vários outros temas sociais.
Participar de uma Oficina de Literatura de Cordel é ter acesso a um conjunto de informações que podem levar uma pessoa a descobrir novas maneiras de ver o mundo e, quem sabe, descobrir-se poeta.

OS TEMAS ABORDADOS NUMA OFICINA
Uma Oficina de Literatura de Cordel, ministrada pelo professor e poeta cordelista José Acaci, preza pelo ensino dos vários temas associados à literatura de cordel, como:
1-     O estudo da história da literatura de cordel e sua importância cultural.
2-     O estudo dos vários estilos de se escrever cordel como: quadras, sextilhas, setilhas, quadrões,  décimas, etc.
3-     O estudo das várias formas de rima como: rima rica, rima pobre, soante, toante ou aparente.
4-     O estudo da métrica, ou seja, a quantidade de sílabas poéticas de cada estrofe, combinando com o estilo escolhido pelo autor. O aluno aprende a contar e separar as silabas poéticas e as sílabas gramaticais e estuda a harmonia musical da sonoridade de acordo com o estilo escolhido pelo cordelista, facilitando assim a escrita na métrica correta.
5-     O incentivo à produção de poesia.
6-     A reprodução de Xilogravuras. 

 
METODOLOGIA

Os temas são estudados de forma pedagógica e sistemática. Partindo da rima e da métrica, o oficineiro usa sua experiência adquirida ao longo de cinco anos ministrando
oficinas e aulas no projeto O Uso do Cordel na Sala de Aula e toda a sua vivência com a cultura nordestina para mostrar exemplos dos vários estilos da construção da poesia cordelista e, usando o violão e às vezes o pandeiro, incentivar os alunos a cantarem as poesias e a se sentirem incentivados a construir estrofes de quadras, sextilhas, etc.
 
_____________________________________________________________________
O OFICINEIRO

José Acaci é professor, compositor e poeta cordelista. Toca violão e viola caipira e, por ser filho do cantador repentista Chagas Ramalho, convive com a poesia desde o dia que nasceu.

Autor de mais de mais de sessenta folhetos de literatura de cordel, lançou o seu primeiro livro Histórias de Rio pequeno, no ano 2006. O CD Cordas e Cordéis, no ano 2007. O CD Do Cordel à Embolada, no ano 2009 e o livro Conselhos Pra Juventude em dezembro de 2010.

Nos últimos seis anos o poeta trabalha no projeto O Uso do Cordel na Sala de Aula, que é aplicado em Escolas Municipais de Parnamirim/RN, no qual leva o incentivo à leitura, o estudo e a valorização do meio ambiente, o conhecimento da cultura nordestina e a importância dos valores humanos e sociais através da literatura de cordel.

Semestralmente Acaci participa da Semana BNB de Oficinas Culturais. Projeto que leva às cidades do interior do Rio Grande do Norte, oficinas de Teatro, Rádio, Vídeo, Fotografia, Produção de Projetos e Literatura de Cordel.

Consul Poeta Del Mundo, pela Embaixada Mundial da Paz, com sede no Chile, Acaci é Membro da SPVA _ Sociedade dos Poetas Vivos a Afins do RN e, pelos seus trabalhos e sua contribuição à cultura popular, já recebeu várias homenagens de escolas públicas do RN e de entidades como o Serviço Social do Comércio do RN – SESC/RN,  da Aliança Francesa, além dos títulos:
Mérito Cultural Luiz da Câmara Cascudo, concedido pela Academia Caxambuense de Letras/MG e,
Mérito Poético Olegário Mariano, pela Sociedade Brasileira de Dentistas Escritores.
A sua paixão pela arte e pela educação o levou a escrever as poesias que compõem o livro CONSELHOS PRA JUVENTUDE, que foi premiado no Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição Patativa do Assaré - 2011.

publicado por Revista Literatas às 02:37 | link | comentar
Terça-feira, 07.06.11

Um pouco sobre Eduardo White


Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963.

O poeta integrou um grupo literário que fundou, em 1984, a Revista Charrua. Junto a outros poetas, colaborou também com a Gazeta de Letras e Artes da Revista Tempo, publicação cuja importância, assim como Charrua, foi indiscutível para o desenvolvimento da literatura moçambicana. Por intermédio desses periódicos, afirmou-se um fazer poético intimista, caracterizado pela preocupação existencial e universalizante.

Numa preocupação com as origens, Eduardo White tenta na sua poesia reflectir sobre a sua história e sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e, por vezes, de erotismo.
(“Eduardo White” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2008
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Para isso, escreve através de um <b>amor</b> diversificado que pode ser pela <b>amada</b>, pela <b>terra</b> ou mesmo pela própria <b>poesia</b>, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e, por vezes, de erotismo. <br />(“Eduardo White” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2008 <url: _x0024_eduardo-white="" http:="" www.infopedia.pt="">)<br /><br />Moderníssimo, kafkiano, os seus textos apontam para uma leitura poética metalinguística, ou seja, em que os poemas, ao engendrarem a si mesmos, contam, paralelamente, a história de seu povo (amores, sofrimentos, opressões, miséria, estigmas das guerras, etc.) e a história da própria linguagem literária.<o:p></o:p></url:></span></div><div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><br /></div><div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><b style="background-color: black; color: red;"><span lang="PT">O que vocês não sabem e nem imaginam</span></b><span lang="PT"><br /><br /><i>Vocês não sabem</i><i><br /><i>mas todas as manhãs me preparo</i><br /><i>para ser, de novo, aquele homem.</i><br /><i>Arrumo as aflições, as carências,</i><br /><i>as poucas alegrias do que ainda sou capaz de rir,</i><br /><i>o vinagre para as mágoas</i><br /><i>e o cansaço que usarei</i><br /><i>mais para o fim da tarde.</i><br /><br /><i>À hora do costume,</i><br /><i>estou no meu respeitoso emprego:</i><br /><i>o de Secretário de Informação e de Relações </i><br /><i>[Públicas.</i><br /><i>Aturo pacientemente os colegas,</i><br /><i>felizes em seus ostentosos cargos,</i><br /><i>em suas mesas repletas de ofícios,</i><br /><i>os ares importantes dos chefes</i><br /><i>meticulosamente empacotados em seus fatos,</i><br /><i>a lenta e indiferente preguiça do tempo.</i><br /><br /><i>Todas as manhãs tudo se repete.</i><br /><i>O poeta Eduardo White se despede de mim</i><br /><i>à porta de casa,</i><br /><i>agradece-me o esforço que é mantê-lo,</i><br /><i>alimentado, vestido e bebido</i><br /><i>(ele sem mover palha)</i><br /><i>me lembra o pão que devo trazer,</i><br /><i>os rebuçados para prendar o Sandro,</i><br /><i>o sorriso luzidio e feliz para a Olga,</i><br /><i>e alguma disposição da que me reste</i><br /><i>para os amigos que, mais logo,</i><br /><i>possam eventualmente aparecer.</i><br /><br /><i>Depois, ao fim da tarde,</i><br /><i>já com as obrigações cumpridas,</i><br /><i>rumo a casa.</i><br /><i>À porta me esperam</i><br /><i>a mulher, o filho e o poeta.</i><br /><i>A todos cumprimento de igual modo.</i><br /><br /><i>Um largo sorriso no rosto,</i><br /><i>um expresso cansaço nos olhos,</i><br /><i>para que de mim se apiedem</i><br /><i>e se esmerem no respeito,</i><br /><i>e aquele costumeiro morro de fome.</i><br /><br /><i>Então à mesa, religiosamente comemos os quatro</i><br /><i>o jantar de três</i><br /><i>(que o poeta inconsta</i><br /><i>na ficha do agregado).</i><br /><br /><i>Fingidamente satisfeito ensaio</i><br /><i>um largo bocejo</i><br /><i>e do homem me dispo.</i><br /><i>Chamo pela Olga para que o pendure,</i><br /><i>junto ao resto da roupa,</i><br /><i>com aquele jeito que só ela tem</i><br /><i>de o encabidar sem o amarrotar.</i><br /><br /><i>O poeta, visto depois</i><br /><i>e é com ele que amo,</i><br /><i>escrevo versos</i><br /><i>e faço filhos. </i><br /><i>[...]</i><br /><br /><i>(p.240-241)</i><br /><br /><i>*</i><br /><i>[...]</i><br /><i>Não faz mal.</i><br /><br /><i>Voar é uma dádiva da poesia.</i><br /><i>Um verso arde na brancura aérea do papel,</i><br /><i>toma balanço, </i><br /><i>não resiste.</i><br /><br /><i>Solta-se-lhe</i><br /><i>o animal alado.</i><br /><i>Voa sobre as casas,</i><br /><i>sobre as ruas,</i><br /><i>sobre os homens que passam,</i><br /><i>procura um pássaro</i><br /><i>para acasalar.</i><br /><br /><i>Sílaba a sílaba,</i><br /><i>o verso voa.</i><br /><br /><i>E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso conosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemos esse desejo de o prendermos.</i><br /><br /><i>Não é justo um pássaro</i><br /><i>onde ele não pode voar</i><br /><i>(p.244)</i><br /><i>**</i><br /><i>Por exemplo, o fogo.</i><br /><i>O fogo estabelece e seu trabalho,</i><br /><i>a sua centígrada destreza para arder.</i><br /><i>E não sei se notaste</i><br /><i>que na digital matriz da suas febres</i><br /><i>o fogo opõe-se,</i><br /><i>insubmisso,</i><br /><i>a morrer.</i><br /><br /><i>Arde como se definitivo</i><br /><i>e quando assim sucede tende a crescer,</i><br /><i>busca aquela leveza das altas labaredas,</i><br /><i>a implícita tontura das fagulhas.</i><br /><i>O fogo arde como se quisesse fugir do chão,</i><br /><i>das suas cavernas metalúrgicas,</i><br /><i>ascende ao impulso dos foguetões,</i><br /><i>à infância astral, à casa solar.</i><br /><br /><i>O fogo entristece, por vezes.</i><br /><i>Chora inflamável na sua fatalidade terrestre</i><br /><i>a estranha e lenhosa prisão</i><br /><i>que o prende e embrutece.</i><br /><br /><i>Quer voar, </i><br /><i>quer a sua ancestral condição de estrela</i><br /><i>mas na corrida espacial com que o fogo queima,</i><br /><i>na perpétua evasão,</i><br /><i>a gula intestina-o</i><br /><i>a sua pressa.</i><br /></i></span><i>(p.245)</i><o:p></o:p></div>
publicado por Revista Literatas às 07:17 | link | comentar

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