Quinta-feira, 25.08.11

Heliodoro Baptista

Heleliodoro Baptista nasceu a 19 de Maio. Faria este mês 65 anos. Era casado com a jornalista Celeste Mac-Artur, editora fotográfica do Diário de Moçambique, diário que se publica na Beira. Deixa viúva e quatro filhos.
O jornalalista, escritor e poeta nasceu em Gonhame, cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia. Deixou escritas várias obras não publicadas e publicou «Por cima de toda a folha», «Nos joelhos do silêncio», «A filha de Tandy», entre outras peças dispersas.
Foi jornalista do «Notícias da Beira» onde chegou a ser chefe da redacção. Deixou de exercer a profissão de jornalista quando se incompatibilizou com a direcção do «Notícias” que se publica em Maputo, jornal de que na altura era o delegado na Beira. Trabalhou ainda no «Diário de Moçambique».
publicado por Revista Literatas às 12:27 | link | comentar
Terça-feira, 28.06.11

Morreu Lina Magaia

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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-ZamNEnKc05c/Tgm96GKhNxI/AAAAAAAAAU0/JuVlD9CRg0c/s1600/Lina-Magaia_06x11x625x230.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="220px" i$="true" src="https://1.bp.blogspot.com/-ZamNEnKc05c/Tgm96GKhNxI/AAAAAAAAAU0/JuVlD9CRg0c/s320/Lina-Magaia_06x11x625x230.jpg" width="320px" /></a></div><div style="text-align: justify;">Morreu ontem, 27 de Junho, em Maputo, a escritora, jornalista e veterana da Luta Armada de Libertação Nacional, Lina Magaia, vítima de doença.</div></ishort><div class="dataNoticia" style="text-align: justify;"> </div><div class="dataNoticia" style="text-align: justify;">Trata-se de uma mulher de várias facetas, que se destacou durante a vida em domínios como a escrita, cinema, desenvolvimento rural ou mesmo como combatente da libertação do país do jugo colonial. Lina Magaia, que não gozava de boa saúde nos últimos tempos, encontrou a morte em sua casa, no bairro Triunfo, depois de ter ficado internada no Instituto do Coração durante a semana passada, segundo fontes familiares. Lina Magaia nasceu em 1945, em Maputo. </itext></div><div class="rightColumn02"> </div><div class="rightColumn02" style="text-align: center;"><strong><span style="color: red;">Em nome de jovens moçambicanos amantes da literatura e das artes no geral, o Movimento Literário Kuphaluxa, serve-se deste espaço para endereçar as mais sentidas condolências à família enlutada.</span></strong></div>
publicado por Revista Literatas às 05:44 | link | comentar
Quarta-feira, 22.06.11

Cabo Nelci Nunes, um romancista poeta


14/06/2011 - Poetas Del Mundo - Brasil

Um romancista poeta ou um poeta romancista. É assim que o Cabo Nelci José Nunes Silva, mineiro de Belo Horizonte, se autodefine. Contrariando aqueles que não acreditam na sensibilidade de um policial militar, o escritor contemporâneo mostra a sua verve literária em obras como Tarumirim, A Cabeceira e muitas outras,  com o mesmo potencial para entreter e emocionar o leitor.

Com 43 anos de idade, 24 deles dedicados à Corporação, Nelci está, atualmente, atuando no Centro de Referência, Controle e Tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis – CRCT-Aids, unidade instalada no Hospital da Polícia Militar – HPM, onde é reconhecido como um profissional competente. Nelci é casado com a secretária Nardélia Silva Ramos e tem dois filhos, Alexander, de 17 anos, e Henrique, de oito, que considera as suas maiores e melhores obras.
“Minha predileção pela literatura não interfere nas atividades de policial militar, pelo contrário, contribui para que eu entenda melhor o comportamento humano e os mais diferentes problemas que, cotidianamente, surgem no meu turno de trabalho”, ressalta. “Sou um escritor que, como tantos outros, observa o dia a dia das pessoas para se inspirar. Alguns dos meus poemas e contos são frutos do que ocorre em uma determinada época, que pode ser no passado, presente ou futuro”, destaca.
OBRAS
O seu primeiro trabalho – Tarumirim -, escrito aos 18 anos, continua engavetado até hoje, “por falta de patrocínio”, explica. Mas essa mesma obra, que está sendo revisada e ampliada pelo próprio Nelci Nunes, será, finalmente, publicada no ano que vem. “Com recursos próprios”, garante o poeta. “Infelizmente, os escritores desconhecidos do grande público sofrem esse estigma, que só é vencido quando o sucesso vem.”
A sua segunda obra, no entanto, teve destino diferente, uma vez que o romance A Cabeceira, publicado em Fevereiro de 2010, esgotou em apenas um mês. “Foi um sucesso de aceitação, que me deu muita alegria”, exprime o escritor. O livro Histórias Inanimadas  também lhe trouxe uma surpresa: recebeu, em 1998, uma apreciação especial do ex-presidente da República e então senador José Sarney, que escreveu: “Li o seu conto com o máximo interesse, e lembrei-me do escritor Edgar Allan Poe, em sua obra Histórias Extraordinárias. Bravo!”.
Uma das maiores alegrias de Nelci Nunes ocorreu, em maio deste ano, quando foi aprovado, em primeira sessão, para assumir uma cadeira na Academia de Letras João Guimarães Rosa, da Polícia Militar de Minas Gerais. “Foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida”, garante. Mas, não é só isso. O autor é o terceiro praça a entrar para ALJGR e também o primeiro cabo a merecer a honraria.
Inspirado em autores como Machado de Assis, Érico Veríssimo e Humberto de Campos, brasileiros, e no português Éça de Queiroz, Nelci tem, também, predileção por escritores estrangeiros, como o irlandês Jaimes Joyce. “Eles são os maiores do Planeta e merecem ser lidos e relidos, sempre.”
Essa admiração por grandes autores, Nelci percebeu que existe  por todos os lugares que passou, como a Academia Municipalista de Letras, que o convidou para ser um de seus membros e ele não aceitou. “Na época, não estava preparado”, modestamente, recorda. “Mas, hoje, estou”, completa.
CONTOS
Como é autodidata, a exemplo do também escritor português José Saramago (in memoriam), o policial militar se enveredou também pelo caminho dos contos e, impulsionado pela vida na caserna, escreveu O Menino, “um suspense de excelente qualidade, segundo os leitores”, ressalta. Posteriormente, veio o policial O Caminho, história que remonta os idos de 2001 e trata de roubos ocorridos em Belo Horizonte. Esse conto ganhou o 1º lugar, como convidado, de um concurso da Academia Municipalista de Letras.
Nelci Nunes escreve para todo o tipo de leitor, desde o mais exigente até o mais simples. Seu trabalho agrada ,principalmente, a quem procura escritores emergentes em bienais e em projetos como o Sempre um Papo, levado ao público no Palácio das Artes, em bares temáticos da cidade e até em alguns programas de televisão.
Para conhecer melhor o escritor, o caminho mais curto  é adquirir uma obra sua ou acessar o site www.muraldoescritor.com.br, onde, com frequência, o policial militar publica trechos de seus livros, com o pseudônimo Nelci Nunes, o Falador. (Alexandre França)


POEMA AZUL
                                                                                         
Dedicado a umas 'divisões' de mãe...

Rompe de encontro ao vento; ela, de olhar faceiro,
Sempre reunindo forças, e; com o sol renasce, não é pose,
Labor suave de pensamentos, versos, fábula...
Nesta sua recôndita poesia de fina ternura, reúne,
Mar, elementos, vozes, brilho; a mãe e o gesto de amar.
Tins... Parintins, seu coração é a Festa de Parintins,
Dos bois, em lugar algum não há, mais enfeitados.
Santa festeira, mãe que encanta. É sílaba solta, San...
Tosse discreta, caso de se fazer presente, cantos,
Tantos festejos, bumbo, tambores, tarol e tan-tan...
Nus, anjos, Barroco; mãe valorosa; filhos, anjos nus.


QUANDO A SORTE VOA
                                                               
Saio à noite.
Ando sem rumo,
O casario passa por mim,
Segue lento, mal iluminado.

Mordo algumas pulgas,
Em busca do tempo perdido,
Teria sido mais feliz,
Depois do primeiro passo atrás.

Estou sendo fumado pelo tempo,
Lembranças monótonas, ruins.
Os mortos não sossegam de dia.
Viajam cada vez mais vivos,
Entre um silêncio e outro.

Aqui é proibido fumar.
Este depenado companheiro,
Solidário, traga-me aos poucos.
Viajo escondido na sua fumaça,
Incrédulo, desapareço em plena luz diurna...
publicado por Revista Literatas às 08:18 | link | comentar
Domingo, 03.04.11

Lília Momplé: voz que expende a consciência literária moçambicana



Texto escrito e editado por Eduardo Quive
Resumo de uma conversa entre a escritora Lília Momplé e jovens amantes de Literatura em Maputo

Ida dos remotos tempos da dominação colonial portuguesa nas terras moçambicanas e voltada dos horizontes do mundo fora, a escritora moçambicana Lília Momplé, encontrou-se com amantes da literatura para falar de si, da sua obra e do protagonismo em que expende a sua escrita nos leitores. Lília Momplé fora voz do nacionalismo, mas hoje, aos 76 anos de vida, é a palavra que se exalta na nova consciência e inspira as novas gerações. Mas não abandonou o seu nacionalismo literário. Na conversa promovida pelo Movimento Literário Kuphaluxa, na última quarta-feira em Maputo, a escritora brincou com as palavras e educou os literatos novatos, afinal de contas Lília, fora também professora.

De nome completo Lília Maria Clara Carriére Momplé, natural da Ilha de Moçambique, esta mulher que escreve o que lhe vai na alma, inspira os jovens e nas suas obras, revela os mistérios da sua força nacionalista e pela justiça social.
Há quem diga que cada escrito da Lília Momplé, é uma denúncia, mas a escritora prefere dizer que é um momento de desabafo, revelação, confidências e só o faz quando não aguenta mais se calar.

Em seguida o teor da sua conversa com jovens em um breve resumo:

“Há uma necessitada de se fazer valer a literatura oral. Esta forma literária é riquíssima e corre o risco de se esquecer.
Com a literatura, há oportunidade de se criar riqueza. A literatura é a base para o conhecimento e criação, e num país onde há criação, já sabemos que se pode alcançar o desenvolvimento.

Como é que surge a vontade de escrever?
Quanto ao ser escritora, sempre sobe que um dia ia escrever, só não sabia quando. O gosto pela literatura herdei da minha avó. Ela era Macua e habitualmente contava-nos estórias lindas da tradição em volta da fogueira. Nesse momento eu dia para mim, «um dia vou escrever estas estórias».
E ouve um outro acontecimento que significou muito para mim: aos 13 anos, estudei no Liceu Luís Salazar, uma escola que era apenas para brancos e pessoas com as melhores condições. Eu era a única negra e minha mãe teve que fazer muito sacrifício para que eu estudasse lá. Ela passava noites a costurar para poder pagar a minha escola, foi uma fase muito difícil. Foi mesmo um acto heróico estudar lá.
Tive um professor de que o nome não posso me esquecer: o seu nome é Rodrigues Pinto, era professor de língua portuguesa. Mandou-nos fazer uma redacção sobre o último de dia de férias.

Capa da obra Olhos da Cobra Verde

Feita a redacção e chegada a hora de entrega dos trabalhos depois de avaliadas, ele foi chamando cada aluno para buscar o seu trabalho e o meu foi último. Confesso que fiquei com medo quando não chamaram-me. Quando terminou a entrega aos outros ele disse chamou-me e disse que o meu trabalho foi magnífico. E dali, ele passou a ler a redacção em, toda escola. Fiquei muito orgulhosa. Toda escola apontava no pátio por ter feito o melhor trabalho. Isso marcou-me muito e cada vez mais acreditava que um dia ia escrever.

E porque escreve?

Escrevo porque me sinto honrada!
Escrevo pelo desejo de contar e de descarregar os meus segredos.

E o primeiro livro… “Ninguém Matou Suhura”, como é que surge?

Escrevi o primeiro livro porque tinha uma carga muito grande sobre o colonialismo em Moçambique. Eu tinha raiva do colonialismo. Muita raiva. Tinha a raiva da injustiça. Eu nunca me conformava por tudo que via: massacres sofrimento, opressão isso incomodava-me.
Mesmo quando casei-me, embora com um branco, ele porque também não suportava ver a injustiça disse que tínhamos que sair do país. Foi assim que acabei vivendo no Brasil por muito tempo.
Capa da obra Neighbours
Escrevi o Ninguém Matou Suhura porque eu queria conversar com alguém sobre o que vi e vivi durante aquele tempo. Tinha que me revelar.

As outras obras «Os olhos da Cobra Verde» e um Romance, intitulado «Neighbours» não fogem muito do quem caracterizou a primeira…

O segundo livro também se baseou em factos reais. Da morte de uma amiga que era muito boa gente. Ela tinha muita vida, se não mesmo ela era a própria vida. Isso foi muito doloroso e marcou-me. Eu tinha que escrever. O terceiro também foi mais uma revelação.

Vivemos uma sociedade de negócios o “Busness Society”, onde o que vale é o medíocre e não desenvolvimento.

Tem em vista mais uma obra?

Estou a preparar mais um livro, talvez seja o último. Ele vai retrar o que chamo de “Busniss Society” (sociedade de negócios). O título poderá ser “Fantoches de Aços”.
Nesta obra vai sair muitas verdades. É mais uma revelação de algo que me vai na alma, sobre os dias que vivemos. Onde as pessoas são insensíveis pelos negócios. Tudo eles fazem pelo dinheiro. Pobres que sofrem e só discursos políticos vazios. Só para fazer negócios. É o Busness Society a que me refiro. Essa sociedade não é a verdadeira moçambicanidade, isso nos tira a identidade e aconselho-vos a sair dela.
São Fantoches porque são; e são de Aço porque não tem piedade.
No Busness Society o que vale é o medíocre e não o desenvolvimento.

Como é que se define Lília Momplé?

Essa é uma pergunta muito difícil. Acho que não sei me definir, mas vou tentar. Penso que sou uma pessoa coerente, que, por exemplo, não se pode adaptar ao Busness Society. Porque não suporto injustiça. Sou coerente.

A caminho dos 80 e com percursos brilhantes na sua vida literária, pensa ainda em fazer alguma coisa na literatura, para além do livro que vai lançar em breve?

Essa também é muito difícil de responder. Engraçado que nunca pensei nisso. Sinceramente que não.
Mas é assim…Não escrevo porque quer fazer alguma coisa na literatura, aliás eu nunca quis fazer nada na literatura.
Quando não tenho nada para dizer não escrevo.
Então não quero fazer nada na literatura, por isso não falta nada para fazer.
Eu escrevo porque tenho que escrever.

Qual é o segredo que quer deixar para uma nova geração de escritores?

Que amem a literatura antes de querer ser escritor, porque só assim poderão ser os verdadeiros escritores. Eu não acredito em quem quer ser escritor, pois escrever tem que ser por força de alguma coisa. Uma emoção forte. Você é um enviado especial de algum sentimento. Mas se os jovens amarem a literatura, farão algo por ela e nessa convivência, podem ser escritores e bons escritores. Que sinceramente o nosso Moçambique precisa.

Tem mais alguma coisa a dizer?

Quero agradecer a oportunidade que o vosso movimento (Movimento Literário Kuphaluxa) me deu de estar aqui em conversa com os jovens e devo dizer que vos admiro. Realmente vocês são amantes da literatura e esta conversa que aqui tivemos é muito significativa para mim. Já passei por mais de 20 países para falar da literatura de mim e das minhas obras, mas a emoção que estar a falar com os verdadeiros mensageiros da literatura e que são jovens muito novos do meu país, que mostram o verdadeiro interesse pelas artes, isso me deixa muito feliz. Obrigado Kuphaluxa.
E mais… se querem realmente crescer nesta área, leiam. Leiam muito. Assim o podem ser de facto uma nova geração de escritores e eu tenho fé, que daqui a mais quatro anos ou menos. Um de vocês vai aparecer no sucesso e lembrar-se das minhas palavras.
Continuem assim. Convidem mais escritores para estes encontros, que não seja apenas a Lília Momplé, os jovens precisam destes momentos e eu sempre estarei ao vosso dispor, para qualquer momento destes e outros.

Breve biografia
Lília Maria Clara Carriére Momplé, nascida a 19 de Março de 1935 na Ilha de Moçambique, província de Nampula, a norte de Moçambique, é Assistente Social de profissão, com licenciatura em Serviços Sociais.
Lília Momplé, foi professora de Inglês e Língua Portuguesa na Escola Secundária de Ilha de Moçambique e directora da mesma escola entre 1970 e 1981.
Trabalhou como assistente social em Lisboa, Lourenço Marques (actual cidade de Maputo) e em São Paulo, Brasil, em 1960 a 1970.
Em outras missões, Lília Momplé foi, de 1992 a 1998, directora do Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural de Moçambique (FUNDAC) e de 2001 a 2005, membro do Conselho Executivo da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.
No seu percurso literário, dirigiu a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) de 1991 a 2001, como secretária geral, de seguida ficou presidente da Mesa da Assembleia-geral da mesma agremiação.
O seu primeiro livro veio ao público em 1988, editado pela AEMO, com o título «Ninguém Matou Suhura», uma colectânea de Contos; «Neighbours» romance publicado em 1995 e «Os Olhos da Cobra Verde» obra de contos publicada em 1997, também sob a chancela da AEMO.
Ainda na arte, a escritora publicou o «Muhipiti-Alima» um vídeo de drama, editado pela PROMARTE em 1997.
As obras da Lília Momplé, já foram editadas em Inglês, Italiano, Francês e Alemão.
Neste momento, a escritora faz parte do «Internacional Who´s Who of Authores and Writeres» e desde 1997 é membro de «Honorary Fellow in Literature» da universidade IOWA dos Estados Unidos da América (EUA).

Prémios
Em termos de prémios, Lília Momplé, conquistou o primeiro prémio do concurso literário comemorativo da cidade Maputo, intitulado Prémio 10 de Novembro com o conto «Caniço» em 1987.
Melhor vídeo-drama moçambicano em 1998, com o vídeo «Muhipiti-Alima».
Foi nomeada o Caine Prize for Africaan Writing, edição de 2001. fez parte dos cinco nomeados entre 120 escritores de 28 países.


NOTA: Este foi o resumo da conversa que jovens amantes da literatura tiveram com a escritora Lília Momplé, na galeria do Centro Cultural Brasil – Moçambique em Maputo e não se trata de uma entrevista conduzida por uma pessoa.
publicado por Revista Literatas às 05:40 | link | comentar
Domingo, 20.02.11

Homenagem ao poeta-mor que nasceu três vezes

Por Eduardo Quive

Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) reservou a noite da última sexta-feira para uma conversa sobre o poeta-mor, até então, o maior da poesia em Moçambique e o primeiro autor africano galardoado com o prémio Camões em 1991.

José Craveirinha, Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo ou Abílio Cossa, seja como for, o poeta da luta, nasceu várias vezes como o diz na sua autobiografia.
“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato…
A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros.
Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão. E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique. A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.
Nasci ainda outra vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação. Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta. Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.” Leia Mais...
Para falar do poeta, Gilberto Matusse, não poupou palavras e argumentos, tendo o considerado, um homem que nunca se sentia satisfeito com o seu próprio trabalho, sempre acreditou que podia ser melhor.
A sua poesia objectiva, marca a diferença e a controversa do Craveirinha, quebrando todas as regras, onde a geralmente, a poesia é conhecida como a seguidora da subjectividade, sendo objectiva a narrativa.
Outros poetas, até chegaram a falar do Amim Nordine (Poeta, declamador e um dos maiores jornalistas culturais de Moçambique nos últimos tempos, falecido no dia cinco de Fevereiro do corrente ano e enterrado no mesmo dia no cemitério de Lhanguene, sem que o país soubesse do acontecimento), outro homem que se dizia operário da poesia.
Foi dito ainda naquela noite, que as pessoas que sentem a liberdade têm as palavras, exemplo de Amim Nordine e José Craveirinha.
O evento contou ainda com a presença dos familiares do poeta, Casa Museu Craveirinha, entre outros artistas.

Livros publicados
Em termos bibliográficos, o escritor fora um dos escritores moçambicanos, com mais livros lançados, completando seis edições muitas vezes reeditadas, como o caso do Nkaringana wa Nkaringana (era uma vez), Xigubo (batuque) e Maria, para além de ter tido as suas obras traduzidas para várias línguas extrangeiras como Francês, Italiano e Russo, nestas duas últimas línguas, lançou Cantico a un dio di Catrame e Izbranoe.
Portanto, falar de Craveirinha, é falar de um negro “mulato” que tinha muita expressão na literatura internacional, e um ícone da literatura em Moçambique e no continente negro. Homem que inspira a juventude actual e com certeza, com a imortalização do seu legado, muitas gerações vão se espelhar neste operário da poesia, analfabeto e autodidacta.

Prémios arrecadados

Quanto a isso, se pode dizer que José Craveirinha foi um literata com mérito reconhecido e exibidamente explícito na sociedade.
Primeiro venceu o Prémio Cidade de Lourenço Marques em 1959, de seguida mereceu o Prémio Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira em 1961, buscou o Prémio de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira 1961, seguiu com o Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal no ano seguinte, Prémio Nacional de Poesia de Itália em 1975, Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos em 1983, Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique em 1985, Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil em 1987 e Prémio Camões em 1991.
Craveirinha, foi portanto, um colecionador de títulos e símbulos com niguém ainda, na estória da arte de leitura e escrita em Moçambique, posicionando entre os melhores de sempre em África, para além de ter ganho, igualmente, o destaque de ser o melhor da última década, mesmo ter morrido nos seus princípios, isto é a seis de Fevereiro de 2003.

Craveirinha de Mafalala
Tal como muitos heróis e homens de grande prestígio na história moçambicana, José Craveirinha, era pobre, e sobrevivente da “Babilónia”, nome que se dá a zonas pobres.
Neste bairro mítico, nasceu e viveu para além de Craveirinha, expoente máximo da poesia Moçambicana. Neste bairro nasceu e aprendeu a jogar futebol, Eusébio da Silva Ferreira, exímio ponta de lança que actuou no Benfica de Portugal bem como na selecção de Portugal. Samora Machel, Joaquim Chissano e Pascoal Mucumbi, Ex-presidentes e primeiro-ministro de Moçambique, respectivamente, viveram algum tempo neste Bairro mítico dos arredores da cidade de Maputo.

Breve biografia
Craveirinha (Lourenço Marques, 28 de Maio de 1922 — Maputo, 6 de Fevereiro de 2003) é considerado o poeta maior de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
Como jornalista, colaborou nos periódicos moçambicanos O Brado Africano, Notícias, Tribuna, Notícias da Tarde, Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Diário de Moçambique e Voz Africana.
Utilizou os seguintes pseudónimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa. Foi presidente da Associação Africana na década de 1950.
Esteve preso entre 1965 e 1969 por fazer parte de uma célula da 4.ª Região Político-Militar da Frelimo.
Primeiro Presidente da Mesa da Assembleia-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987.
Craveirinha, era homenageado no âmbito da data da sua morte, que se assinalou, no pretérito seis de Fevereiro.
publicado por Revista Literatas às 07:20 | link | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 17.01.11

Paulina Chiziane: mulher que se iguala a nenhuma

Paulina Chiziane, escritora moçambicana de reconhecimento internacional
Nesta semana, o Literatas, escolheu a escritora Paulina Chiziane, para navegar no seu perfil, como artista, que se destaca no mundo inteiro.


Neste artigo, a escritora chega a comentar sobre os rumores de que se referem á sua maneira de escrever como uma feminista.

Paulina, tem um percurso bactante curioso e muitos mistérios que lendo ainda as suas obras, torna-se mais defícil ainda decifrar, é uma alma da arte na lareira.

vejam na página biografias esse texto da romancista que nunca se declarou.
revistaliteratas.blogspot.com/p/biografias.html
publicado por Revista Literatas às 08:35 | link | comentar | ver comentários (1)

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