Segunda-feira, 06.06.11

Estórias de meter medo


Hilário Matusse – O País


Concretiza-se, nestes sete contos, o objectivo de preservar o que de melhor a tradição/via oral nos proporciona, ao mesmo tempo que o HM contribui para o tão almejado desenvolvimento das competências nos domínios da leitura e escrita.


1. Quantas caras têm o medo? Ou entre o medo e o infinito da realidade é como se pode ficar no fim da leitura deste livro com um título sugestivo e convidativo, na medida em que remete para um campo agressivo e muito profundo que é o terror.


2. Hilário Matusse, escritor e jornalista moçambicano, juntou-se à Colecção Karingana – o espaço de maior prestígio que a Associação dos Escritores Moçambicanos edita e no qual, por via de regra, desfilam os melhores contistas deste país, estreando-se no género conto com estas “Sete Estórias de meter medo”.


3. E ainda bem que assim o é, ganha o autor e ganham as letras moçambicanas.


4. “O seu coração balança sensibilizado, e decide levar o bebé envolto em lençóis brancos que visualiza, estirado no chão arenoso defronte da sua casa para lhe dar conforto e dar, do bom coração de sua Margarida, o calor que a mãe que o abandonara não teve.”


5. Na verdade, e ainda que não sejamos atingidos pelo medo que as estórias comportam, deixamo-nos envolver pelo seu conteúdo e pela forma sublime com que se conta, juntando-se, assim, de um modo feliz, história e arte – ainda que as peripécias sejam estórias e não histórias.


6. “Aquela espera da hora do encontro tornava-se cada vez mais um suplício. Quase agoniava, e, impelido pela vontade de rever a sua amada, ganha coragem de ir procurá-la em casa, da qual só conhecia o quintal de chapa de tambor espalmada. E abalou-se.”


7. Concretiza-se, nestes sete contos, o objectivo de preservar o que de melhor a tradição/via oral nos proporciona, ao mesmo tempo que o HM contribui para o tão almejado desenvolvimento das competências nos domínios da leitura e escrita, bem como o alargamento e aprofundamento dos hábitos de leitura e escrita na nossa sociedade.


8. “Mas com o tempo, que cura tudo, as coisas lá se foram compondo. Construiu uma barraca para substituir a cubata; cercou-a com vedação de caniço e até colocou um portão de Madeira, ainda que mal amanhado. Casou-se, prosperou e até comprou uma bicicleta.”


9. Quantos medos nos metem estas estórias? Os que quisermos. Não aceitá-lo seria negar ou ignorar a magia que a diversidade cultural moçambicana comporta; e uma sociedade não se atropela nem se esquece, pois ela convive com o medo e a coragem, lado a lado, daí que tenhamos sido brindados com esta obra tão imbuída de uma linguagem requintada e, acima de tudo, de uma atitude aberta e múltipla.


10. “O sol estava no pico quando o regressado assomou e atravessou a entrada da delimitação da sebe de espinhosas que circundava as várias palhotas do seu clã. Ulularam, cantaram e dançaram todos os membros da família. Afagavam-se ainda em abraços e beijos, quando de repente Mundlelevo, quase petrificado, balbuciou: - O morto regressou?!.”


11. Só com diversidade poderemos ser mais de nós mesmos, só com alternância de ideias, escritas, rescritas, renovação das artes e letras e refrescamento de ideias a arte avança, a vida avança.


12. O debate faz bem, quanto menos tivermos o que se chama de ‘mais do mesmo’ mais a nação avança. HM sabe-o bem, por isso esta sua contribuição naquilo que são os patamares mais superiores da nossa liberdade cultural, o seu livro segue a luta que se baseia no slogan Abaixo as mesmices.
publicado por Revista Literatas às 01:48 | link | comentar
Domingo, 22.05.11

Luiz de Miranda entre os Maiores Poetas do Mundo e o que tem a obra mais vasta


Por José Edil de Lima Alves* 
      
Poeta nascido em Uruguaiana e já com mais de quarenta anos de carreira literária, Luiz de Miranda tem vinte e oito livros publicados num total de páginas que impressiona pelo volume, sem, contudo, comprometer negativamente o conteúdo e a qualidade.
     De fato, são 2966 páginas impressas, a mais extensa obra do mundo, com poemas que mantêm apreciável qualidade estética, tematizando assuntos que vão da esfera social às manifestações eróticas, dirigidos ora a um público adulto e maduro, ora a um público formado por jovens adolescentes. Para citar alguns, Pablo Neruda tem 2080 páginas e Ezra Pound 837 páginas. Miranda lançou em março de 2009 "MONOLÍTICO (Memória Que Não Morre)", 292 páginas de um longo poema. Que Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras, afirma: "Ourives da palavra, Miranda chega com Monolítico ao patamar da grande obra da Língua.” Saiu em março “Melhores Poemas de Luiz de Miranda”, Editora Global, SP, com lançamento nacional.
     Recebe dia 05 de junho Prêmio da Academia de Letras, Ciências e Artes Francesa. Saiu em março, na Feira de Paris seu livro “Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania. Recebeu em abril o Prêmio 52ª Legislatura da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Sairá em outubro Antologia Poética na Espanha, coordenada e traduzida por Perfecto Cuadrado.
     A lírica mirandina destaca-se sobremaneira pela tematização da palavra como instrumento e como objeto do seu fazer poético, com de resto deve ser todo o poema que aspira um patamar verdadeiramente literário, primando pela sonoridade do verso, sempre sustentado por ritmos adequados aos assuntos de que se ocupa com propriedade e com percuciente capacidade, como a de esmerar-se na busca do vocábulo próprio para exprimir o que o seu fértil estro lhe dita.
     Em língua portuguesa, passando pela produção dos mais diferentes poetas nos mais diversos períodos e países, de Angola a Moçambique, do Brasil a Portugal, sem deixar de mencionar Cabo Verde, Luiz de Miranda constitui-se em caso singular, pode-se dizer, seja pela qualidade de sua produção, reconhecida por diferentes e importantes críticos, tanto no Brasil como no exterior, seja pela extensão de versos produzida que se encaminha célere para se constituir na mais alentada de quantas se tem notícia.
     Manuel Bandeira, em seus sessenta (60) anos de produção, era o poeta que, junto com Carlos Drummond de Andrade, apresentava uma quantidade realmente apreciável de poemas. em nosso país; Fernando Pessoa e Camões, em Portugal também escreveram significativo número de poesias. E todos, seguramente, já foram ultrapassados por Luiz de Miranda que ainda tem seis livros inéditos: “Velas de Portugal”, 232 páginas; “Salve Argentina”, 123 páginas, “Rio de Janeiro, Canto de Luz Mar Adentro”, com 148 páginas. “Vendaval da vida inteira”, 210 páginas, "Vozes do Sul do Mundo", 260 páginas, que acabou de sair na EdiPUCRS e terá lançamento em todo o país.. É uma obra densa, forte, definitiva, daquilo que Miranda mais sabe cantar: A paisagem da pampa e suas cidades, o mar e suas eternidades. Com segurança. Miranda é o único do Brasil que vem cantando o Sul do Mundo espanhol. É um livro triunfal.
     Para entendermos melhor a obra Miranda nunca será demais ter-se uma visão continental mesmo que sucinta, mas necessária.
     O ensaísta e professor universitário Perfecto Cuadrado, da Universitat de les Illes Balears, em Palma, Mallorca, Espanha, sobre Luiz de Miranda afirma: “... é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina." 

     MIRANDA, um  dos maiores poetas do mundo 

     "Luiz de Miranda,o Senhor da Palavra", de Eduardo Jablonski, ediPUCRS,2010, é um livro sobre a obra e a vida de Miranda, considerado um dos maiores poetas do mundo: "Luiz de Miranda, com "Cantos de Sesmaria", canta sua terra, e faz dela um canto universal, tornando-se um dos maiores do mundo."José Augusto Seabra, Paris,2003,ex-ministro de Educação de Portugal, e considerado a maior autoridade em Fernando Pessoa. "Como já disse, tua Poesia é única, funciona como um "organum", como os neo-helênicos de Alexandria(vide Kavafis). Chegas com "Nunca Mais Seremos os Mesmos" ao topo mágico dos grandes poetas. És uma das maiores poéticas do mundo atual. Pena eu andar adoentado e não poder escrever um ensaio sobre isto." Gerardo Mello Mourão, Rio, 2005.Este livro "Senhor das Palavras está nas principais livrarias ou pela edipucrs@pucrs.br ou luizdemiranda@terra.com.br.
     Em março, dia 14,Miranda viajou para Paris para o lançamento do seu  livro “TRILOGIE DU BLEU”, da Editora francesa Yvelinedition pela Divine Colletion , recebe Prêmio Mérite et Dévoument do Senado Francês. Estará também na Espanha, em Palma de Mallorca, na Universidade das Illes Balears para conferência e recital . Fará o lançamento de "Antologia Poética, traduzida e apresentada por Perfecto Cuadrado. 

     EdiPUCRS lançará coleção do poeta Luiz de Miranda 

      O Conselho Editorial da EdiPUCRS aprovou a criação da Coleção Luiz de Miranda, que contará com seis obras do poeta. Serão lançados dois exemplares da coleção a cada ano, sendo que a primeira obra, “Vozes do Sul do Mundo”, que saiu em maio de 2011. Os títulos seguintes serão: “Velas de Portugal”, “Vastidões da Pampa Inteira”, “Amores Amargos”, “Salve a Argentina” e “Rio de Janeiro, Canto de Luz Mar Adentro”.
     Sobre o autor: Nascido em Uruguaiana, com mais de quarenta anos de carreira literária, Luiz de Miranda possui um vasto trabalho, que contempla 29 livros publicados, com o tema sempre voltado a nosso continente e suas belezas.
     Luiz de Miranda  foi vencedor do “Grande Prêmio de Poesia do ano de 2001”, instituído pela Academia Brasileira de Letras. Recebeu, em 1988, o “Prêmio Érico Veríssimo” e o prêmio “Negrinho do Pastoreio 2005” como melhor poeta do Rio Grande do Sul. Reconhecido internacionalmente, com 11 prêmios, nos Estados Unidos(4), Itália, Paraguai(2) e Panamá(2),França (2). É membro de honra do Instituto Literário y Cultural Hispânico,onde recebeu o grande Prêmio do Instituto, em 2009,prêmio dado escritores mundialmente reconhecidos como Roa Bastos e Mario Benedetti. Sócio honorário do Instituto João Simões Lopes Neto e carrega o respeito e admiração dos maiores escritores da América do Sul.
     Não  é uma afirmação isolada.
     Raul Bopp, o celebrado autor de “Cobra Norato”, ainda nos anos setenta do século XX, disse do autor aqui focalizado: “A poesia de Luiz de Miranda revela a sensibilidade do verdadeiro grande poeta. É uma contribuição definitiva à literatura brasileira”. Já o professor universitário, crítico e poeta, Affonso Romano de Sant’Anna, registrou: “A poesia de Luiz de Miranda é forte como o Canto General, de Pablo Neruda, e o poeta uruguaianense constitui-se em um verdadeiro Orfeu dos Pampas.”
     Na verdade, nesses mais de quarenta anos de trajetória poética, Luiz de Miranda jamais perdeu de vista a realidade continental americana. E bem antes de iniciar-se como poeta em letra e forma, pode-se falar dos contatos com a realidade poética das Américas pelas leituras que o passar do tempo foi-se encarregando de tornar mais intensas de um Edgar Alan Poe, Walt Whitmann, Inés de la Cruz, Octavio Paz, Amado Nervo, da América do Norte, passando pelos centro-americanos Gertrudis de Avellaneda, José Martí, Rubén Darío, para chegar aos sul-americanos Zorrilla de San Martín, Etcheverria, Andrés Bello, José Hernández, Juana de Ibarbourou, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Alfonsina Storne, Jorge Luís Borges, dentre tantos, tantíssimos outros de língua castelhana, sem descurar dos patrícios, a começar por Basílio da Gama e Tomás Antônio Gonzaga, chegando àqueles que hoje dão sustentação ao que de melhor é produzido no Brasil.
     Em seu trabalho poético, de forma recorrente tem tratado de lugares e de pessoas humanas, formadores desta realidade americana que tanto o envolve. Vultos políticos, entre os quais Salvador Allende, Martin Luther King, Che Guevara, João Goulart, e artísticos, como Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Mario Benedetti, têm merecido de Miranda não apenas o reconhecimento, mas a mais eloquente distinção.
      O número que fala da produção intensa desse escritor que vive para a Poesia, pode-se dizer sem exageros, é reflexo de uma mudança de rota que acontece quando Miranda publica Quarteto dos Mistérios, Amor e Agonias, 384 páginas (1999), Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania, 304 páginas (2000), galardoado dom o “Prêmio Nacional 2001 da Academia Brasileira de Letras", Trilogia da Casa de Deus, 280 páginas (2002), Canto de Sesmaria, um singularíssimo poema desenvolvido em 280 páginas (2003) e Nunca Mais Seremos os Mesmos, com 416 páginas (2005). Saiu “Melhores Poemas de Luiz de Miranda”, 207 páginas, pela Ed. Global-SP, em março deste ano.
     À mercê do seu trabalho, tem vindo o justo reconhecimento. Miranda tem prêmios no Exterior: Estados Unidos (4), Paraguai (2), Panamá (2), Itália e França. Recentemente, recebeu o título de Membro de Honra do Instituto Literário y Cultural, com sede na Califórnia, USA, passando a figurar ao lado de nomes ilustres como Jorge Luís Borges, Isabel Allende e Ernesto Sábato, por exemplo. E a revista Alba de América (800 páginas), editada pela citada entidade, publicou poemas de Miranda e um ensaio de Antonio Olinto sobre a obra do ilustre uruguaianense. Luiz de Miranda ganha em 2009 um dos maiores Prêmios mundiais, o do Instituto Literário e Cultural Hispânico, que já agraciou nomes internacionais como Augusto Roa Bastos e Mario Benedetti. Miranda recebeu o Prêmio em 12 de agosto na Argentina no XXXII Congresso Mundial da Entidade. Miranda recebe em 2009, da Secretaria Municipal da Prefeitura de Porto Alegre, o Prêmio Açoriano de Melhor Livro de Poesia do ano, com "Monolítico".
     Sempre voltado para nosso Continente, ainda no mês de julho de 2007, em sua cidade natal, a fronteiriça Uruguaiana, acabou de redigir o poema intitulado Salve a Argentina, composto por 103 cantos, certamente o primeiro cântico de louvor à pátria-irmã, escrito por um brasileiro.
     Todo o acervo poético de Luiz de Miranda foi entregue ao Projeto Delfos - Memória Cultural da Pontifícia Universidade Católica do RGS, em dezembro de 2009. Lá estiveram Erico Veríssimo e Mario Quintana. 
     O conjunto de sua produção, por sua qualidade, naturalmente, faz com que cada vez mais eu reafirme o que escrevi um dia sobre sua poesia: “De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando seguimento às grandes produções do idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade”. 
________________________
* José Edil Alves é Doutor em Letras pela UFRJ – Membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia Uruguaianense de Letras. Professor na ULBRA/Canoas.

 
Pequena Biografia
 
    Luiz de Miranda nasceu em Uruguaiana/RS, fronteira com a Argentina e Uruguai. Sucesso de público e de crítica. "Amor de Amar" vendeu 1860 exemplares em 2 meses. Livro dos Meses vendeu mais 30 mil. Livro do Pampa, 20 mil. A maioria de seus livros está com a edição esgotada. Recebeu o “Grande Prêmio de Poesia do ano de 2001”, instituído pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania. Para Ary Quintella: "Miranda é o melhor poeta vivo do Brasil". O poeta Affonso Romano de Sant'Anna afirma: "Sua poesia é forte, é um verdadeiro "Canto General", de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas". LM é verbete da Enciclopédia Biblos da Europa, a pedido da Universidade de Coimbra, Portugal, com texto composto pela crítica e professora, Dra. Regina Zilberman.
    Em 1988, recebeu o “Prêmio Érico Veríssimo”, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Em 1997, ganhou o título "Cidadão de Porto Alegre", por votação unânime dos vereadores.
Recebeu o Prêmio "Negrinho do Pastoreio 2005", como melhor poeta do Rio Grande do Sul. A votação foi feita por Prefeitos, Vice-Prefeitos e Secretários de Cultura do Estado. Miranda tem 28 livros publicados, num total de 2706 páginas editadas. Tem prêmios nos Estados Unidos, Itália, Paraguai e Panamá.
    Foi eleito Membro de Honra do Instituto Literário y Cultural Hispânico, em março de 2007, ao lado de nomes como Jorge Luis Borges, Ernesto Sábato, Isabel Allende, tornando represente do Instituto no Brasil, com sede na Califórnia (USA). Seus 40 Anos de Poesia foram comemorados no Brasil, Argentina e Paraguai. Também foi criado o “Concurso Bi Nacional Poeta Luiz de Miranda” para escritores argentinos e brasileiros
    Em 1987 foi eleito para a Academia Rio-grandense de Letras e em 2000 para a Academia Sul Brasileira de Letras, localizada em Pelotas/RS.
    É Sócio Honorário do Instituto João Simões Lopes Neto.
    Seu livro foi editado pela Editora Global, SP,” Melhores Poemas de Luiz de Miranda,” com seleção e prefácio de Regina Zilberman. Esta coleção já publicou Fernando Pessoa, Castro Alves, Ferreira Gullar, Camões, entre tantos autores ilustres das Letras. O livro Melhores Poemas de Luiz de Miranda tem 67 poemas num total de 207 páginas. Na Fortuna Crítica estão Ivan Junqueira e Moacyr Scliar, da Academia Brasileira de Letras; Ferreira Gullar., Gerardo Mello Mourão, Ary Quintella, Nelson Verneck Sodré, Affonso Romano de Sant’Anna, do Rio de Janeiro; Perfecto Cuadrado, da Espanha; José Augusto Seabra, de Portugal. 

Breve Fortuna Crítica 

Nunca Mais Seremos os Mesmos, esta epopéia que resume toda a sua mitologia pessoal como poeta e que nos descortina aquilo em que consiste a herança dos que nascem nos Pampas. Trata-se de um poema de raiz e que, como tal, mergulha fundo e viscoso na alma de quem o lê.
Ivan Junqueira - Presidente da Academia Brasileira de Letras.
Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2005. 
Sua Trilogia da Casa de Deus é forte, é um verdadeiro Canto General de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas.
Affonso Romano de Sant'Anna
Rio de Janeiro, 2002. 
Miranda é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina.
Perfecto Cuadrado
Madrid, 2005.  
Luiz de Miranda é  o grande poeta do Pampa, no mesmo lirismo épico de José Hernández, num tom mais alto que o próprio Martín Fierro.
Gerardo Mello Mourão
Rio de Janeiro, 2005. 
De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando segmento às grandes produções no idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade.
José  Édil de Lima Alves
Porto Alegre, 2005. 
Luiz de Miranda é  tão autêntico quanto a sua arte. É impossível não gostar dele, como é impossível não gostar de sua poesia. Luiz de Miranda, poeta maior deste país.
Moacyr Scliar
Porto Alegre, 1997. 
Luiz de Miranda é uma das poucas grandes vozes da poesia brasileira atual.
Nelson Werneck Sodré
Rio de Janeiro, 1996. 
Do tempo e da circunstância, do amor dos outros e da vida, de fiapos da existência dilacerada destas horas, do efêmero cotidiano que os poderosos crêem que não fique, dessa matéria fluida e perdível, da captação desse lixo da história e da exploração do homem, do sensível e emotível e comovível, destas coisas aparentemente irrelevantíssimas, Luiz de Miranda ergueu este seu canto de eternidade: bem haja!
Antônio Houaiss
Rio de Janeiro, 1987. 
A poesia de Luiz de Miranda fala de todos nós.
Ferreira Gullar
Buenos Aires, 1976. 
O essencial da poética de Luiz de Miranda, um dos mais altos momentos da Poesia Brasileira Contemporânea, se inscreve na grande tradição lírica da Língua Portuguesa e na esteira da revolução das linguagens do nosso tempo, aberta ao futuro pelo modernismo dos dois lados do Atlântico e prolongada por sucessivas gerações deste século.
José Augusto Seabra
Paris, 1997. 
Como já disse, tua poesia é única que funciona como um "organum", como os neo-helênicos de Alexandria (vide Kavafis). Chegas com Nunca Mais Seremos os Mesmos ao topo mágico dos grandes poetas. É uma das mais poderosas poéticas do mundo atual.Pena que eu ande adoentado e não possa escrever um ensaio sobre isto.
Gerardo Mello Mourão, Rio, 2006. 
Luiz de Miranda, com Cantos de Sesmaria, canta sua terra, e faz dela um canto universal, tornando-se um dos maiores poetas do mundo.
José  Augusto Seabra, Paris, 2003.


 
=================================
Fones: (51) 3209 4891; (51) 9179 4891
publicado por Revista Literatas às 08:50 | link | comentar

“O outro pé da sereia”


Jorge de Oliveira – O País

"...é a beleza da literatura pela pena de quem escreve doce, acertado, inventado, coerente e fácil"

1. O mais lido dos escritores moçambicanos, seguindo a linha que lhe é peculiar, trouxe a público mais um romance, desta feita carregado de muita história de Moçambique, diria, mais ligado a épocas remotas, contornando a guerra dos 16 anos que costuma ser a sua linha. Este outro pé, é um belo romance de amor, de um amor que não interessa se é lindo ou não, proibido ou não, velho, novo, de perto ou de longe, é a beleza da literatura pela pena de quem escreve doce, acertado, inventado, coerente e fácil.

2. Expressões que alimentam a arte fazem a escrita deslizar e embalar a leitura, suportam o livro: “Temos que desenterrar essa estrela decadente”, “Eu durmo sozinho. Mais do que sozinho, eu durmo com a minha esposa”, “você está em fase de nua cheia”. “Sabe como eu me chamo nestes ultimamentes?”.

3. Temos que ter orgulho de ter um artista assim, que constrói a nossa nação desconstruindo-a, que, a dado passo de leitura, nos leva à parede e nos encosta, e nos aperta o pescoço com uma interrogação, como é possível escrever tão belo assim? É um dos nossos moçambicanos que escreve assim? É um dos nossos moçambicanos que domina a escrita deste modo? E repelimos a tentação de dizer ou acreditar que esse pode ser um cidadão do mundo, não, esse é de Moçambique, ninguém o pode reivindicar, é beirense, por isso faz uma leitura reaccionária, destrata as mesmices, abana as regras, as palavras, chama-nos ao texto como uma onda traiçoeira, arrasta um pescador para o fundo do mar.

4. “Os espíritos não vêm de nenhum lugar. São como a água: estão dentro de nós, “Nascemos e choramos. A nossa língua materna não é a palavra. O choro é o nosso primeiro idioma”, “Escreva na terra, filha. A terra é a página onde Deus lê”, “O goês dizia a verdade. Nos últimos meses ele e a esposa já não davam asas aos lençóis”, “sobre o balcão da estação de correios amanheceu um enigmático pedaço de papel”.

5. Quem pode dizer mais novidades sobre o que escreve um autor que escreve sempre novas coisas de forma diferente? É uma obra de ditados, máximas, frases não feitas, mas criadas em função da situação concreta da narrativa, o que é sempre um prazer de ler, até como válvula de escape aos clichés que nos assolam, pela esquerda e pela direita, sem resultados visíveis.

6. “A saudade é a única dor que me faz esquecer as outras dores”, “tenho saudade do moço, nunca dizia nada e, assim, tinha sempre razão”, “A estrada de areia é um rio seco: perdeu as margens e desagua no seu próprio leito”, “Você me desculpe, mano, mas o seu problema é que pensa tão devagar que as ideias só lhe chegam quando você está a dormir”.

7. A criatividade é tão sublime que, às vezes, pensamos, este tipo não tirou isto de algum sítio? Afinal, aprendendo pela sua própria narrativa, vê-se que tirou isso de todos e nenhuns sítios.

8. “Tinha presos aos lábios os detritos todos do planeta. Mas essa sujidade nocturna é que a ensinava: tudo, neste mundo, é humano. O rio tem ancas de mulher, a árvore tem dedos para acariciar o vento, o capim ondeia soprado por antigas vozes”.

9. A viagem pela história de Moçambique que o texto realiza confunde-se com uma viagem, pela magia das artes e letras, tão intensa, agradável, instrutiva, que o imaginário moçambicano fica mais rico; apesar de ele ir buscar a vivência na sua terra não é esta que enriquece a escrita dele, mas ele que faz de nós mais completos.
publicado por Revista Literatas às 08:29 | link | comentar
Sábado, 21.05.11

Lars von Trier: a cultura do medo

Victor Eustaquio - Lisboa

1. Na literatura
 
«Lolita», de Vladimir Nabokov, tanto é considerado como um dos melhores romances do século XX como um devaneio literário de um “pedófilo”.
Com «Partículas Elementares», Michel Houellebecq tanto foi acusado de defender a integração dos muçulmanos “assimilados” na sociedade francesa, escreveram alguns críticos mais moderados (provocando reacções violentas entre os sectores conservadores), como por preconizar uma total desagregação da sociedade humana pela via de uma segregação radical de natureza darwinista. Mas Houellebecq não ficou por aqui. Com «Plataforma», choveram novas críticas por supostamente o autor francês promover e exaltar o turismo sexual em países asiáticos como a Tailândia.
Em ambos os casos, apenas para citar dois, ninguém saiu a público para agitar a bandeira de «persona non grata», não obstante problemáticas como a pedofilia ou a segregação racial serem profundamente sensíveis e susceptíveis de grandes ódios.
Para aqueles que se sentiram visados ou não, para aqueles que se sentiram ofendidos ou não, a tolerância perante vozes dissonantes foi mais forte. Até porque Nabokov e Houellebecq pagaram ou pagam o posicionamento que quiseram afirmar.
O mesmo já não se pode dizer de Salman Rushdie. Khomeini decidiu “condená-lo” à morte porque não gostou do que leu nos «Versículos Satânicos». A história é célebre e não vale a pena repeti-la. O mundo islâmico foi convidado à intolerância.

2. No cinema

No cinema, Stanley Kubrick foi criticado por promover a violência e traçar um quadro pessimista sobre a dimensão animalesca dos seres humanos, enquanto uma condenação e uma componente “incurável” da condição humana em «Laranja Mecânica».
Sylvester Stallone, com a saga «Rambo», optou por mostrar mercenários sanguinários que lutam heróica e estoicamente para salvar cristãos às mãos dos infiéis (que por aí andam nestes países subdesenvolvidos e “fanáticos” fora do Mundo Ocidental, claro está).
Muitos mais poderiam ser os exemplos, mas citemos apenas estes dois. Em ambos os casos, ninguém saiu a público para agitar a bandeira de «persona non grata», não obstante problemáticas como a violência gratuita e a selvajaria contra seres humanos em nome de valores nem por todos partilhados serem profundamente sensíveis e susceptíveis de grandes ódios. Há quem goste, há quem não goste. Kubrick e Stallone pagaram e pagam a factura.
O mesmo já não se pode dizer de «O Código Da Vinci», de Ron Howard, que antes de chegar a Cannes provocou tumultos e boicotes em vários locais onde foi exibido, tal como havia sucedido dois anos antes, em 2004, com «A Paixão de Cristo», de Mel Gibson. O que provocou tanta polémica? Os ataques ao cristianismo? Ou a intolerância a falar mais alto perante alguém que ousa desafinar?
É curioso. O cineasta soviético Andrey Tarkovsky terá sentido o mesmo ao ser cilindrado pela crítica em 1962 no Festival de Cinema de Veneza após a projecção de «A Infância de Ivan». De que tratava o filme? Dos traumas nas crianças causados pela II Grande Guerra. O problema é que o enredo centra-se numa família soviética… Sartre teve de sair a terreiro para defender Tarkovsky. O que também não foi uma grande ajuda, porque o célebre filósofo francês era um homem de esquerda. E uma boa parte dos italianos, decerto filhos de Mussolini, não perdoou. Mostrando o quão intolerante poderá ser a paixão por causas.

3. O anti-semitismo de Lars von Trier

Lars von Trier foi considerado agora uma «persona non grata». Fala-se em boicotes, censura, proibição da exibição do seu novo filme. Por que razão? Porque o realizador confessou que até compreende o ponto de vista dos alemães que viveram a exaltação da grande Nação impulsionada por Hitler, após a humilhação imposta pela I Grande Guerra. E deixou escapar uma certa admiração pelo nazismo.
As afirmações são condenáveis pelo que do nacional-socialismo resultou. Inaceitáveis para quem tem, como artista, responsabilidades acrescidas em razão da maior capacidade em influenciar a opinião pública. Mas há uma lógica no argumento de Lars von Trier, não obstante tratar-se de uma problemática profundamente sensível.
Contudo, a intolerância volta a falar mais alto perante alguém que ousa desafinar. Não deveria Lars von Trier pagar a factura tal como Nabokov, Houellebecq, Kubrick ou Stallone? Negar a liberdade de expressão é negar um dos valores fundamentais da sociedade livre que o Mundo Ocidental acredita defender. Se age com as contradições do fundamentalismo que tanto condena, quando o tema é tabu, em que difere daqueles que tanto critica?
De resto, o que é que Lars von Trier trouxe de novo? O mesmo realizador dinamarquês já havia causado controvérsia em Cannes, há dois anos, ao apresentar «Anticristo», filme que acabaria por valer a Charlotte Gainsbourg a distinção como Melhor Actriz, apesar da crítica contra a película ter sido violenta.
Ainda assim, Cannes sempre mostrou ter uma profunda admiração por este cineasta. Em 1984, Lars von Trier ganhou o seu primeiro prémio no festival com «Forbrydelsens Element». O mesmo aconteceu em 1991 com «Europa»; em 1996 com «Ondas de Paixão»; em 1998 com «Os Idiotas»; em 2000 com «Dancer in the Dark»; em 2003 com «Dogville»; em 2005 com «Manderlay»; em 2009 com «Anticristo»; e agora, em 2011, com «Melancholia». Todos os filmes, sem excepção, foram candidatos à Palma de Ouro. Uma foi conquistada em 2000 com o musical «Dancer in the Dark».
O que mudou desde então? O discurso de Lars von Trier ou o nível de tolerância num mundo assustado por poderes erráticos, que vê ameaças ao dobrar de cada esquina? Não será isto que David Moody nos avisa no seu romance «Ódio»? Que vivemos no dilema do medo, da necessidade de matar antes que nos matem?
publicado por Revista Literatas às 03:05 | link | comentar
Terça-feira, 17.05.11

MIRANDA, UM MALDITO MUNDIAL


Prefácio da obra "Vozes do Sul do Mundo" do escritor brasileiro Luiz de Miranda





Luiz de Miranda é o melhor poeta gaúcho em atividade.


Um dos melhores da história da poesia do Rio Grande do


Sul, pois reúne na sua poesia e na sua vida os atributos do grande


artista da palavra: capacidade de criação de imagens inusitadas


e reveladoras, sonoridade, ritmo e maldição. Sim, Miranda, como


todo grande poeta, é um maldito. Charles Baudelaire e Jean-


Arthur Rimbaud foram malditos, os maravilhosos malditos de um


tempo de poesia. Cesar Vallejo também foi maldito. A maldição é


um estilo de vida, uma visão de mundo e um jeito de ser. Nestes


tempos materialistas e vulgares, maldito é quem não se dobra


ao cânone da mídia ou quem larga tudo para assinar na ficha do


hotel: poeta. Esse é Luiz de Miranda.


Este livro, Vozes do sul do mundo, revela, mais uma vez, a força


poética avassaladora de Luiz de Miranda, tradutor do imaginário


do pampa em palavras certeiras e em imagens desconcertantes,


o que aparece já de entrada de jogo: O que posso é pampa/e isto


me basta. Aí está: Miranda fala de um mundo, entre mítico e real,


sem clichês nem concessões ao tradicionalismo de mau gosto ou


ao gosto mau da violência perversa. Que força é essa que brota


da mente do poeta como um rio caudaloso e infinito, arrastando


tempos e cercas, homens e histórias, árvores e sonhos? Que força


é essa que lhe permite conceber estes versos: Neste turvo quarto


da solidão./Me olha o fim do inverno,/o inferno das estações?



Tempo de um recomeço. 



Luiz de Miranda é poeta. Uma voz do sul do mundo, um


mundo ao sul da sua voz, uma voz do começo e do fim, ora


gelada, ora fervente, sempre à margem da corrente dominante


para assim poder recolher os frutos da maldição. A poesia não se


explica. A alma do poeta é um vasto território desconhecido da


ciência, uma espécie de pampa sem limites nem povoadores onde


reina soberano e solitário o caçador de sensações, de imagens e


de sons. A cada livro de Miranda, a gente pensa: lá vem o poeta


arando a terra, abrindo sulcos, trazendo à tona a vida, a nossa


vida, des(en)cobrindo coisas, tirando o véu, dando à luz, fazendo


ver, (des)construindo, fazendo existir.


Na poesia gaúcha, Miranda é cavaleiro solitário.

Juremir Machado da Silva


Porto Alegre, 21 de abril de 2011.

O livro "Vozes do sul do Mundo" será lançada no dia 1 de Junho de 2011, a partir das 18:30 horas, no  Instituto Estadual do Livro - IEL, em Porto Alegre - Brasil.
publicado por Revista Literatas às 06:27 | link | comentar
Segunda-feira, 16.05.11

Manifesto do reencantamento social


Jorge de Oliveira - O País

1. Carlos Serra, historiador, consultor, um dos gurus da sociologia moçambicana, acrescentou à sua actividade editorial, antiga e relativamente extensa, este Ciências, Cientistas e Investigação (Manifesto do reencantamento social), ligado obviamente à ciência sociológica que nos rodeia, local e universal, recente e também mais antiga.
2. “A história foi durante séculos a dos reis, dos contos fantásticos, dos santos. Mas a partir do século XIX os historiadores impuseram uma outra disciplina, a de, na expressão clássica de Leopold von Ranke, escrever ‘o que aconteceu efectivamente’, princípio positivista claro e de grande fidelidade às ciências hard com a sua aposta na existência de um mundo real objectivo e cognoscível, na prova empírica e na neutralidade do historiador.”
3. O livro leva-nos à reflexão sobre questões sociais, antropológicas, sendo de destacar a facilidade com que se criam igrejas, partidos, associações, o que, sendo bom, porque demonstra a liberdade dos cidadãos se juntarem, reunirem, agruparem, tem o amargo de ser um factor que prova, pelo menos, três coisas: que ainda existe uma faixa elevada de cidadãos espiritual e intelectualmente fracos (vulneráveis, com espaço, em seus cérebros, vazio e virgem para ser explorado por charlatões); que o país pode estar infestado de uma gritante ausência de ideias e convicções (faz-se sempre do mesmo, combate ao sida, estudo do estudo, consultoria da consultoria); e que essas formas de aglomerado são um emprego, uma forma de ganhar a vida (e não um local em que os membros se juntam porque, realmente, de verdade, têm um ideal, pretendem bater-se por um princípio (partidos políticos criados como se fossem cogumelos, por causa do trust fund, pode ser um exemplo).
4. “Num país habituado a obedecer desde o colonialismo, a fragmentação da unicidade de comando pode ora levar as pessoas para um dos lados em conflito pela ‘propriedade’ de dar ordens (frequentemente quando a isso compelidas pela força das circunstâncias de sobrevivência), ora levá-las a não tomar partido, a ‘desobedecer’ a ambos (no caso vertente) os lado. O ganho e o entumescimento de uma espécie de cultura histórica do desacordo é, quanto a nós, evidente no país”.
5. Neste manual de Sociologia, praticamente apimentado com linhas por que se cose, também, a filosofia  e a história, é feita, ao de leve, uma incursão a um processo eleitoral autárquico e ao significado que os antepassados podem ter (e ainda têm) nas nossas comunidades.
6. O autor faz mesmo um apelo para que, chegados ao estágio actual de evolução, todos os cidadãos do mundo tenham por obrigação lutar contra as desigualdades (a favor do que chama de deserdados), por uma justiça social mais alargada. Parece uma luta inglória, perdida, utópica, mas ele apela a ter as suas convicções.
7. “Na verdade, o que nós, muitas vezes, analisamos no outro é o que somos, o que não somos, o que não pudemos ser, o que nós gostaríamos de ser ou não, o que amamos, o que odiamos. O nosso ponto de vista sobre os outros é um ponto de vista sobre nós tornado interrogação ou exercício face ao ponto de vista que também é do outro, produzido com ternura ou ódio ou ambas as coisas, arremessado ao outro, a quem carnivorizamos fazendo o nosso ponto de vista parecer o dele.”
8. Nota-se com interesse como Carlos Serra aborda com propriedade o hábito que prevalece, de uma ponta à outra do nosso país, de justificar fenómenos naturais através do recurso a imaginários poderes extra-terrestres; ele fornece com alguma felicidade uma válida explicação para as explicações que muitas pessoas (infelizmente) ainda seguem como forma de enfrentar eventos perfeitamente justificáveis pela lógica e ciência – por exemplo, o assassinato de pessoas que pretendiam evitar mortes, derivados da cólera, acusadas de serem agentes homicidas, esquecendo-se, de forma brutal e inaceitável, a própria doença e suas origens.
9. “A ‘doutorice’ é tão devastadora quanto a malária e a cólera. Ela bloqueia, enfatua, descerebraliza, fossiliza. Quantos ‘doutores’ não envelhecem contemplando carinhosamente, ano após ano, o seu certificado embalsamado, folheando a sua querida tese (à qual se limitam a acrescentar notas de rodapé até ao fim da vida) e indo periodicamente ao seminário ou congresso internacional onde apresentam um artigo que mais não é, uma vez mais, do que uma nota de rodapé da tese, a famosa, gloriosa e intransponível tese?”
10. Ganha-se algumas convicções, quando se chega ao fim da obra, e, entre os mais salientes, está a necessidade de se questionar, questionar, questionar sempre tudo o que nos rodeia – o desenvolvimento vem das diferenças, do espalhar dos benefícios, do diminuir dos pobres.
11. A viagem pelo texto que este cientista escreveu sobre os seus colegas, a ciência que os une e a investigação que realizam, é gratificante quanto mais não seja até para chegarmos ao fim com a lição bem estudada e podermos matar o mestre com o seu próprio veneno, discordando de grande parte das suas premissas.
publicado por Revista Literatas às 04:51 | link | comentar
Sábado, 14.05.11

POEGRAFIA ao LEDO IVO*

 

Amosse Mucavele - Maputo

Um homem vindo de um lugar  pobre e distante das metrópoles, sonhou em um dia alavancar o nome da sua terra natal (Maceió - Alagoas). Como os sonhos não envelhecem (R. Riso) continuo firme a trilhar o caminho dos seus sonhos, mas nunca compartilhou com alguém, guardava-os na gaveta da sua cachola.
Procurou tantos ofícios e aperfeiçoou-se no oficio de ourives da palavra, lapidou os seus sonhos e lançou-os em forma de IMAGINAÇÕES, e dai percebeu que ter uma ourivesaria precisa de mão-de-obra e material e a título individual não iria conseguir levar avante o projecto, o colectivismo veio átona (nasceu a geração 45).
 
 Os sonhos deste homem continuaram fortes como a rocha, altos como o Everest
colocou um desafio a si mesmo de deliciar o mundo e mostrar o quão grande e a LINGUAGEM da palavra que ele fabrica.
Este homem nunca teve inspiração pois a poesia e o sol que  brilha no seu dia -a -dia e os SONETOS acontecem A NOITE.

O Brasil tornou-se pequeno, atravessou os céus e foi a PARIS graças as MAGIAS das suas mãos REI da EUROPA reconheceu a grandeza da sua obra.
Neste momento eu estou aqui na ESTAÇÃO CENTRAL a espera do trem que traz O UNIVERSO POÉTICO deste homem.

*natural de Maceió – Alagoas expoente da Geração 45, publicou numerosos livros de poesia As Imaginações (1944), A linguagem (1951), Acontecimento do soneto e ode a noite (1951), um Brasileiro em Paris e o Rei da Europa (1955), Estação central (1964).  Também e  novelista, contista, cronista  e critico literário  autor do ensaio – O universo poético de Raul Pompeia (1963)

Amosse Eugénio Mucavel nasceu em Maputo aos 8 de Julho de 1987,e fez o curso agro-pecuário Instituto Agrário Boane, e membro do Movimento Literário Kuphaluxa, onde coordena o projecto literatura na escola
                                              
amosse1987@yahoo.com.br
publicado por Revista Literatas às 02:33 | link | comentar

A Revista Literatas

é um projeto:

 

Associação Movimento Literário Kuphaluxa

 

Dizer, fazer e sentir 

a Literatura

Julho 2012

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisar neste blog

 

posts recentes

subscrever feeds

últ. comentários

Posts mais comentados

tags

favoritos

arquivo

blogs SAPO