Quero Ser a Noite!


 Izidine Jaime - Maputo

Quero ser a noite
Noite negra como os homens.
Obscura como uma gruta
Onde a luz não tem vida. 

Quero ser a noite
Se a tarde não for enorme!
Cicatrizar vândalos gatunos por ai
Onde o perigo, é uma avenida sem nome! 

Quero ser a noite
Enamorar géneros nas escuras vielas
Cantar odes de prazer,
Carimbar de porta as janelas
Avivar feitos proibidos pelo amanhecer. 

Quero ser apenas noite
Noite que mata o dia,
Noite que canta o silêncio dos vivos
Noite que dança no sepulcro dos vícios
Noite Sem alma nem coração
Noite que amanhece a prostituição.

Quero ser a noite
Calar os passos no alcatrão,
Assaltar o bem dos homens
Catanar o sim, para sustentar o não.

Quero ser a noite
Noite sem flores brilhando no azul da terra
Noite que vende sonhos
A quem siquer tera.

E quando a natureza dos homens
Não for mais artificial
Quero ser o dia! 
publicado por Revista Literatas às 03:10 | link