Segunda-feira, 02.05.11

Amar. Possuir.

De: Sutra 

Não posso.
Mas se eu quero e tu queres, porquê privar-nos do que desejamos?
Não sabes? 
Não penses naquilo que vês. Sente apenas. Fecha os olhos. Crava os dedos no peito. Sentes o que bate? É a ansiedade daquilo que desejas.
Achas que isto é a paixão?
É a tua emoção. É o abraço de dois amantes. O calor do beijo e o pensamento de comunhão entre dois seres. Que se querem. Usufruem. Apaixonam?
Mas isso é amor.
Será? Porque não ser antes o desejo insano de posse? De querer fazer. Ter. Agarrar. Entrar no corpo um do outro e possuir até ao mais profundo e íntimo fôlego.
Possuir é crispar a liberdade. É trancar sentimentos. Fazê-los sangrar. Não é amar.
Como podes tu definir o que é amar se não amas? Se aquilo que queres, somente desejas. Atrai-te como a luz, ou não fosses mera borboleta que busca, no bater de asas, olhar de cima tudo o que pode abarcar. Mas dizes que não podes. Como se pudesses definir a fronteira dos teus actos. Sentimentos estanques?
Não sei se amo. Como posso saber, se não sei definir o que é amar? E tu sabes?
Sinto. Isso basta-me. Não sei quando comecei a sentir, quando começou este bater acelerado no simples resvalar do teu olhar. Mas não aprisiono emoções. Mesmo sem as compreender não me interessa o quanto possam invadir. Ou ferir.
Não posso. Se não sei amar. Só querer. Desejar. Não dizes que apenas sei ter?
Sabes querer e saber ter. Porque insistes que não podes se este pode ser o nosso segredo? Porque precisa o mundo de saber de algo que apenas a nós diz respeito?
Gosto de ti assim. À distância dos poucos espaços de tempo. De encontros escorregadios num quarto normalmente desabitado no centro de Lisboa. Não quero que o mundo saiba de ti. 
Nem precisa. Mas esse é o teu acto revelador de posse. Aquela que negas como fazendo parte do amor.
Quem ama não possui. 
E tu sabes o que é o amor, afinal?
Sei. Por isso não quero possuir-te por inteiro. Apenas sentir-te. Ter-te hoje. Amanhã. Sempre que a vontade se imponha. Mas não te quero perto o suficiente para te sentir meu. Só assim concebo amar-te. 
Amas-me, então.
Amo. Porque não te possuo.
___________________________________
Artigo extraído da site www.contossecretos.com



publicado por Revista Literatas às 04:18 | link | comentar

Loucoesia

De: Neusa Verónica - Maputo

Vocês são loucos
Loucos por algo que também me enlouquece
E ao meu coração aquece
Por uma arte simples e complicada
Simples que nada transforma em complicado
E complicada que tudo transforma em simples

Loucos
Porque é loucura ser louco
E é louca esta loucura
Esta combinação de palavras
Palavras combinadas em versos
Versos que fazem estrofes
E estrofes que formam um só poema

Loucos
Pela magia da vida
Pela vida mágica
Onde a magia sem vida não é mágica
E a mágica sem vida não é magia

Sou louca
Com um louco poema
Com um poema louco
Que me faz atingir a loucura
Loucura que é vida, que é amor
Que é ser pessoa hoje e amanhã

Vocês estão loucos
Loucos pelo bom da loucura
E o bom da loucura é a Poesia
Esta arte louca de ser cada dia mais louco
Louco lúcido naquilo que escreve para si
E faz ser poesia para todos

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publicado por Revista Literatas às 04:08 | link | comentar

Orgia de palavras

De: Khyra Wakiria – Maputo

Tudo começou quando um punhado de palavras juntaram-se...e deram lugar a palavra prazer
Algo que desconheço embora reconheça seu efeito em mim,
Ainda me lembro do fogo que me consumia e fazia-me trepar por entre as frases que escondia no meu silêncio.
Calava a vontade que tinha de deixar-me levar pela sede da paixão que temia em guiar-me.
O desejo de deliciar-me e apropriar-me de algo que me estava a sufocar, queria ter tudo que me fizesse sentir prazer,
O mesmo prazer que me fazia vibrar e gemer enquanto escrevia minhas lembranças.
Enlouquecida gritava a dor dos sentimentos esquecidos e das loucuras por nós vividas, tive medo pela primeira vez. Pois ia entregar-me...
Dar por terminada a caça as palavras, começou a orgia das palavras...e lá estava eu em meio as letras desfrutando do prazer da escrita.
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publicado por Revista Literatas às 04:04 | link | comentar

Obrigado a Poesia

De: Mauro Brito – Maputo

Deixei de ser eu, hoje sou um louco
Enlouqueci-me de palavras, perdi-me no mar de palavras
Não quero voltar a ser como era, quero ser um perdido de versos
Nessa vida de nhamssoro pressagiando com palavras

Na terra da poesia, há remédios para tudo
Há maravilhas por todos cantos
Na poesia não sou apenas eu, sou outros
Como makhulu curando feridas da vida

Na poesia vivo vida de outros, minuto ao minuto
Viajo por estradas e linhas-férreas
Vou por todos mundos e culturas
Rasgando todos véus que vestem nossas vidas

Poesiando sou aquele que não tem lugar
Sem conhecimento, resolvo todas equações possíveis
Quero ser essa palavra que te faz ser poesia
Cortina cobrindo minhas melancolias
Esse mar de ser muitos seres, vivos ou mortos
Pelo menos em ti encontro silêncio que e música
Água nascente do Lúrio, banhando meus devaneios
Aqui palavras são infinitas, não se medem a régua
Desculpe que com palavras não venço o que és
Palavras invadem-me e transformam-se em alegria

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publicado por Revista Literatas às 04:02 | link | comentar | ver comentários (1)

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