Domingo, 22.05.11

“Enganações de boca” de Luís Carlos Patraquim


Por Eduardo Quive


Directo, criativo e discretivo, é as crónicas de Luís Carlos Patraquim, editadas e lançadas em Livro, intitulado “Enganações de Boca”, num evento havido na última quinta-feira em Maputo.
Patraquim, depois de ter se estreiado na Prosa, com o livro “A canção de Zefanias Sforza” o escritor moçambicano com uma grande colaboração de Luis Cezerilo, coleccionou crónicas da sua autoria, publicadas na revista Angolé, na África Lusófona, e no semanário Savana.
Nas discrições de Luís Carlos Patraquim, numa volta em que convergem várias palavras e nomes como José Craveirinha, Hemingway, Amílcar Cabral, Shakespeare, Drummond, para fazer realce ao quotidiano e as visões de um homem cujas palavras circulam através da escrita, mas como qualquer homem, partem da boca.
Quem tentara descrever o autor, foi António Cabrita, amigo de longa data que amigavelmente, disse que Patraquim tem uma memória de elefante pelas coisas inesquecíveis que vem referenciadas no livro, e considerando ter acompanhado quase todos processos referenciados na obra, afirmou que na Crónica a Cidade Depois do Voto, há uma ilustração da qualidade de escrita do escritor.
“Chamou-me atenção o seguinte parágrafo: E me sentei no café iluminado, bebendo a cidade coreográfica, seu cada movimento intervencionando outras memórias no reajusto de continuidade na pose da mulher que passava. Há uma correspondência entre esta cidade concebida com mudança e o jogo da identidade para Patraquim e quem dança nesta dança em que o sol é um, é esta audição de Patraquim, nenhum de nós é só um.”
Ainda na semana passada, Luís Patraquim esteve em conversas discontraídas com a juventude, sobre a literatura e outras questões, uma vez ser característico neste escritor a intervenção em assuntos sociais de Moçambique e não só, principalmente através do conhecido programa radiofónico “Debate Africano”.

O escritor vem se destacando nos últimos tempos na prosa, depois de ter se destacado ou mesmo sido considerado poeta, pelas suas obras anteriores “Monção” “A inadiável viagem”, “Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora” “Mariscando luas”, “O osso côncavo e outros poemas” e uma Antologia de poemas dos livros anteriores e poemas novos.
Quando perguntado sobre o que falta fazer na literatura, o escritor disse que faltava fazer tudo, “na literatura já fiz tudo e falta fazer tudo”.
publicado por Revista Literatas às 08:58 | link | comentar

Luiz de Miranda entre os Maiores Poetas do Mundo e o que tem a obra mais vasta


Por José Edil de Lima Alves* 
      
Poeta nascido em Uruguaiana e já com mais de quarenta anos de carreira literária, Luiz de Miranda tem vinte e oito livros publicados num total de páginas que impressiona pelo volume, sem, contudo, comprometer negativamente o conteúdo e a qualidade.
     De fato, são 2966 páginas impressas, a mais extensa obra do mundo, com poemas que mantêm apreciável qualidade estética, tematizando assuntos que vão da esfera social às manifestações eróticas, dirigidos ora a um público adulto e maduro, ora a um público formado por jovens adolescentes. Para citar alguns, Pablo Neruda tem 2080 páginas e Ezra Pound 837 páginas. Miranda lançou em março de 2009 "MONOLÍTICO (Memória Que Não Morre)", 292 páginas de um longo poema. Que Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras, afirma: "Ourives da palavra, Miranda chega com Monolítico ao patamar da grande obra da Língua.” Saiu em março “Melhores Poemas de Luiz de Miranda”, Editora Global, SP, com lançamento nacional.
     Recebe dia 05 de junho Prêmio da Academia de Letras, Ciências e Artes Francesa. Saiu em março, na Feira de Paris seu livro “Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania. Recebeu em abril o Prêmio 52ª Legislatura da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Sairá em outubro Antologia Poética na Espanha, coordenada e traduzida por Perfecto Cuadrado.
     A lírica mirandina destaca-se sobremaneira pela tematização da palavra como instrumento e como objeto do seu fazer poético, com de resto deve ser todo o poema que aspira um patamar verdadeiramente literário, primando pela sonoridade do verso, sempre sustentado por ritmos adequados aos assuntos de que se ocupa com propriedade e com percuciente capacidade, como a de esmerar-se na busca do vocábulo próprio para exprimir o que o seu fértil estro lhe dita.
     Em língua portuguesa, passando pela produção dos mais diferentes poetas nos mais diversos períodos e países, de Angola a Moçambique, do Brasil a Portugal, sem deixar de mencionar Cabo Verde, Luiz de Miranda constitui-se em caso singular, pode-se dizer, seja pela qualidade de sua produção, reconhecida por diferentes e importantes críticos, tanto no Brasil como no exterior, seja pela extensão de versos produzida que se encaminha célere para se constituir na mais alentada de quantas se tem notícia.
     Manuel Bandeira, em seus sessenta (60) anos de produção, era o poeta que, junto com Carlos Drummond de Andrade, apresentava uma quantidade realmente apreciável de poemas. em nosso país; Fernando Pessoa e Camões, em Portugal também escreveram significativo número de poesias. E todos, seguramente, já foram ultrapassados por Luiz de Miranda que ainda tem seis livros inéditos: “Velas de Portugal”, 232 páginas; “Salve Argentina”, 123 páginas, “Rio de Janeiro, Canto de Luz Mar Adentro”, com 148 páginas. “Vendaval da vida inteira”, 210 páginas, "Vozes do Sul do Mundo", 260 páginas, que acabou de sair na EdiPUCRS e terá lançamento em todo o país.. É uma obra densa, forte, definitiva, daquilo que Miranda mais sabe cantar: A paisagem da pampa e suas cidades, o mar e suas eternidades. Com segurança. Miranda é o único do Brasil que vem cantando o Sul do Mundo espanhol. É um livro triunfal.
     Para entendermos melhor a obra Miranda nunca será demais ter-se uma visão continental mesmo que sucinta, mas necessária.
     O ensaísta e professor universitário Perfecto Cuadrado, da Universitat de les Illes Balears, em Palma, Mallorca, Espanha, sobre Luiz de Miranda afirma: “... é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina." 

     MIRANDA, um  dos maiores poetas do mundo 

     "Luiz de Miranda,o Senhor da Palavra", de Eduardo Jablonski, ediPUCRS,2010, é um livro sobre a obra e a vida de Miranda, considerado um dos maiores poetas do mundo: "Luiz de Miranda, com "Cantos de Sesmaria", canta sua terra, e faz dela um canto universal, tornando-se um dos maiores do mundo."José Augusto Seabra, Paris,2003,ex-ministro de Educação de Portugal, e considerado a maior autoridade em Fernando Pessoa. "Como já disse, tua Poesia é única, funciona como um "organum", como os neo-helênicos de Alexandria(vide Kavafis). Chegas com "Nunca Mais Seremos os Mesmos" ao topo mágico dos grandes poetas. És uma das maiores poéticas do mundo atual. Pena eu andar adoentado e não poder escrever um ensaio sobre isto." Gerardo Mello Mourão, Rio, 2005.Este livro "Senhor das Palavras está nas principais livrarias ou pela edipucrs@pucrs.br ou luizdemiranda@terra.com.br.
     Em março, dia 14,Miranda viajou para Paris para o lançamento do seu  livro “TRILOGIE DU BLEU”, da Editora francesa Yvelinedition pela Divine Colletion , recebe Prêmio Mérite et Dévoument do Senado Francês. Estará também na Espanha, em Palma de Mallorca, na Universidade das Illes Balears para conferência e recital . Fará o lançamento de "Antologia Poética, traduzida e apresentada por Perfecto Cuadrado. 

     EdiPUCRS lançará coleção do poeta Luiz de Miranda 

      O Conselho Editorial da EdiPUCRS aprovou a criação da Coleção Luiz de Miranda, que contará com seis obras do poeta. Serão lançados dois exemplares da coleção a cada ano, sendo que a primeira obra, “Vozes do Sul do Mundo”, que saiu em maio de 2011. Os títulos seguintes serão: “Velas de Portugal”, “Vastidões da Pampa Inteira”, “Amores Amargos”, “Salve a Argentina” e “Rio de Janeiro, Canto de Luz Mar Adentro”.
     Sobre o autor: Nascido em Uruguaiana, com mais de quarenta anos de carreira literária, Luiz de Miranda possui um vasto trabalho, que contempla 29 livros publicados, com o tema sempre voltado a nosso continente e suas belezas.
     Luiz de Miranda  foi vencedor do “Grande Prêmio de Poesia do ano de 2001”, instituído pela Academia Brasileira de Letras. Recebeu, em 1988, o “Prêmio Érico Veríssimo” e o prêmio “Negrinho do Pastoreio 2005” como melhor poeta do Rio Grande do Sul. Reconhecido internacionalmente, com 11 prêmios, nos Estados Unidos(4), Itália, Paraguai(2) e Panamá(2),França (2). É membro de honra do Instituto Literário y Cultural Hispânico,onde recebeu o grande Prêmio do Instituto, em 2009,prêmio dado escritores mundialmente reconhecidos como Roa Bastos e Mario Benedetti. Sócio honorário do Instituto João Simões Lopes Neto e carrega o respeito e admiração dos maiores escritores da América do Sul.
     Não  é uma afirmação isolada.
     Raul Bopp, o celebrado autor de “Cobra Norato”, ainda nos anos setenta do século XX, disse do autor aqui focalizado: “A poesia de Luiz de Miranda revela a sensibilidade do verdadeiro grande poeta. É uma contribuição definitiva à literatura brasileira”. Já o professor universitário, crítico e poeta, Affonso Romano de Sant’Anna, registrou: “A poesia de Luiz de Miranda é forte como o Canto General, de Pablo Neruda, e o poeta uruguaianense constitui-se em um verdadeiro Orfeu dos Pampas.”
     Na verdade, nesses mais de quarenta anos de trajetória poética, Luiz de Miranda jamais perdeu de vista a realidade continental americana. E bem antes de iniciar-se como poeta em letra e forma, pode-se falar dos contatos com a realidade poética das Américas pelas leituras que o passar do tempo foi-se encarregando de tornar mais intensas de um Edgar Alan Poe, Walt Whitmann, Inés de la Cruz, Octavio Paz, Amado Nervo, da América do Norte, passando pelos centro-americanos Gertrudis de Avellaneda, José Martí, Rubén Darío, para chegar aos sul-americanos Zorrilla de San Martín, Etcheverria, Andrés Bello, José Hernández, Juana de Ibarbourou, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Alfonsina Storne, Jorge Luís Borges, dentre tantos, tantíssimos outros de língua castelhana, sem descurar dos patrícios, a começar por Basílio da Gama e Tomás Antônio Gonzaga, chegando àqueles que hoje dão sustentação ao que de melhor é produzido no Brasil.
     Em seu trabalho poético, de forma recorrente tem tratado de lugares e de pessoas humanas, formadores desta realidade americana que tanto o envolve. Vultos políticos, entre os quais Salvador Allende, Martin Luther King, Che Guevara, João Goulart, e artísticos, como Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Mario Benedetti, têm merecido de Miranda não apenas o reconhecimento, mas a mais eloquente distinção.
      O número que fala da produção intensa desse escritor que vive para a Poesia, pode-se dizer sem exageros, é reflexo de uma mudança de rota que acontece quando Miranda publica Quarteto dos Mistérios, Amor e Agonias, 384 páginas (1999), Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania, 304 páginas (2000), galardoado dom o “Prêmio Nacional 2001 da Academia Brasileira de Letras", Trilogia da Casa de Deus, 280 páginas (2002), Canto de Sesmaria, um singularíssimo poema desenvolvido em 280 páginas (2003) e Nunca Mais Seremos os Mesmos, com 416 páginas (2005). Saiu “Melhores Poemas de Luiz de Miranda”, 207 páginas, pela Ed. Global-SP, em março deste ano.
     À mercê do seu trabalho, tem vindo o justo reconhecimento. Miranda tem prêmios no Exterior: Estados Unidos (4), Paraguai (2), Panamá (2), Itália e França. Recentemente, recebeu o título de Membro de Honra do Instituto Literário y Cultural, com sede na Califórnia, USA, passando a figurar ao lado de nomes ilustres como Jorge Luís Borges, Isabel Allende e Ernesto Sábato, por exemplo. E a revista Alba de América (800 páginas), editada pela citada entidade, publicou poemas de Miranda e um ensaio de Antonio Olinto sobre a obra do ilustre uruguaianense. Luiz de Miranda ganha em 2009 um dos maiores Prêmios mundiais, o do Instituto Literário e Cultural Hispânico, que já agraciou nomes internacionais como Augusto Roa Bastos e Mario Benedetti. Miranda recebeu o Prêmio em 12 de agosto na Argentina no XXXII Congresso Mundial da Entidade. Miranda recebe em 2009, da Secretaria Municipal da Prefeitura de Porto Alegre, o Prêmio Açoriano de Melhor Livro de Poesia do ano, com "Monolítico".
     Sempre voltado para nosso Continente, ainda no mês de julho de 2007, em sua cidade natal, a fronteiriça Uruguaiana, acabou de redigir o poema intitulado Salve a Argentina, composto por 103 cantos, certamente o primeiro cântico de louvor à pátria-irmã, escrito por um brasileiro.
     Todo o acervo poético de Luiz de Miranda foi entregue ao Projeto Delfos - Memória Cultural da Pontifícia Universidade Católica do RGS, em dezembro de 2009. Lá estiveram Erico Veríssimo e Mario Quintana. 
     O conjunto de sua produção, por sua qualidade, naturalmente, faz com que cada vez mais eu reafirme o que escrevi um dia sobre sua poesia: “De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando seguimento às grandes produções do idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade”. 
________________________
* José Edil Alves é Doutor em Letras pela UFRJ – Membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia Uruguaianense de Letras. Professor na ULBRA/Canoas.

 
Pequena Biografia
 
    Luiz de Miranda nasceu em Uruguaiana/RS, fronteira com a Argentina e Uruguai. Sucesso de público e de crítica. "Amor de Amar" vendeu 1860 exemplares em 2 meses. Livro dos Meses vendeu mais 30 mil. Livro do Pampa, 20 mil. A maioria de seus livros está com a edição esgotada. Recebeu o “Grande Prêmio de Poesia do ano de 2001”, instituído pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania. Para Ary Quintella: "Miranda é o melhor poeta vivo do Brasil". O poeta Affonso Romano de Sant'Anna afirma: "Sua poesia é forte, é um verdadeiro "Canto General", de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas". LM é verbete da Enciclopédia Biblos da Europa, a pedido da Universidade de Coimbra, Portugal, com texto composto pela crítica e professora, Dra. Regina Zilberman.
    Em 1988, recebeu o “Prêmio Érico Veríssimo”, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Em 1997, ganhou o título "Cidadão de Porto Alegre", por votação unânime dos vereadores.
Recebeu o Prêmio "Negrinho do Pastoreio 2005", como melhor poeta do Rio Grande do Sul. A votação foi feita por Prefeitos, Vice-Prefeitos e Secretários de Cultura do Estado. Miranda tem 28 livros publicados, num total de 2706 páginas editadas. Tem prêmios nos Estados Unidos, Itália, Paraguai e Panamá.
    Foi eleito Membro de Honra do Instituto Literário y Cultural Hispânico, em março de 2007, ao lado de nomes como Jorge Luis Borges, Ernesto Sábato, Isabel Allende, tornando represente do Instituto no Brasil, com sede na Califórnia (USA). Seus 40 Anos de Poesia foram comemorados no Brasil, Argentina e Paraguai. Também foi criado o “Concurso Bi Nacional Poeta Luiz de Miranda” para escritores argentinos e brasileiros
    Em 1987 foi eleito para a Academia Rio-grandense de Letras e em 2000 para a Academia Sul Brasileira de Letras, localizada em Pelotas/RS.
    É Sócio Honorário do Instituto João Simões Lopes Neto.
    Seu livro foi editado pela Editora Global, SP,” Melhores Poemas de Luiz de Miranda,” com seleção e prefácio de Regina Zilberman. Esta coleção já publicou Fernando Pessoa, Castro Alves, Ferreira Gullar, Camões, entre tantos autores ilustres das Letras. O livro Melhores Poemas de Luiz de Miranda tem 67 poemas num total de 207 páginas. Na Fortuna Crítica estão Ivan Junqueira e Moacyr Scliar, da Academia Brasileira de Letras; Ferreira Gullar., Gerardo Mello Mourão, Ary Quintella, Nelson Verneck Sodré, Affonso Romano de Sant’Anna, do Rio de Janeiro; Perfecto Cuadrado, da Espanha; José Augusto Seabra, de Portugal. 

Breve Fortuna Crítica 

Nunca Mais Seremos os Mesmos, esta epopéia que resume toda a sua mitologia pessoal como poeta e que nos descortina aquilo em que consiste a herança dos que nascem nos Pampas. Trata-se de um poema de raiz e que, como tal, mergulha fundo e viscoso na alma de quem o lê.
Ivan Junqueira - Presidente da Academia Brasileira de Letras.
Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2005. 
Sua Trilogia da Casa de Deus é forte, é um verdadeiro Canto General de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas.
Affonso Romano de Sant'Anna
Rio de Janeiro, 2002. 
Miranda é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina.
Perfecto Cuadrado
Madrid, 2005.  
Luiz de Miranda é  o grande poeta do Pampa, no mesmo lirismo épico de José Hernández, num tom mais alto que o próprio Martín Fierro.
Gerardo Mello Mourão
Rio de Janeiro, 2005. 
De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando segmento às grandes produções no idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade.
José  Édil de Lima Alves
Porto Alegre, 2005. 
Luiz de Miranda é  tão autêntico quanto a sua arte. É impossível não gostar dele, como é impossível não gostar de sua poesia. Luiz de Miranda, poeta maior deste país.
Moacyr Scliar
Porto Alegre, 1997. 
Luiz de Miranda é uma das poucas grandes vozes da poesia brasileira atual.
Nelson Werneck Sodré
Rio de Janeiro, 1996. 
Do tempo e da circunstância, do amor dos outros e da vida, de fiapos da existência dilacerada destas horas, do efêmero cotidiano que os poderosos crêem que não fique, dessa matéria fluida e perdível, da captação desse lixo da história e da exploração do homem, do sensível e emotível e comovível, destas coisas aparentemente irrelevantíssimas, Luiz de Miranda ergueu este seu canto de eternidade: bem haja!
Antônio Houaiss
Rio de Janeiro, 1987. 
A poesia de Luiz de Miranda fala de todos nós.
Ferreira Gullar
Buenos Aires, 1976. 
O essencial da poética de Luiz de Miranda, um dos mais altos momentos da Poesia Brasileira Contemporânea, se inscreve na grande tradição lírica da Língua Portuguesa e na esteira da revolução das linguagens do nosso tempo, aberta ao futuro pelo modernismo dos dois lados do Atlântico e prolongada por sucessivas gerações deste século.
José Augusto Seabra
Paris, 1997. 
Como já disse, tua poesia é única que funciona como um "organum", como os neo-helênicos de Alexandria (vide Kavafis). Chegas com Nunca Mais Seremos os Mesmos ao topo mágico dos grandes poetas. É uma das mais poderosas poéticas do mundo atual.Pena que eu ande adoentado e não possa escrever um ensaio sobre isto.
Gerardo Mello Mourão, Rio, 2006. 
Luiz de Miranda, com Cantos de Sesmaria, canta sua terra, e faz dela um canto universal, tornando-se um dos maiores poetas do mundo.
José  Augusto Seabra, Paris, 2003.


 
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Fones: (51) 3209 4891; (51) 9179 4891
publicado por Revista Literatas às 08:50 | link | comentar

No bazar


Vicente Sitoe

Quatro, um Metical
Dois, cinquenta Centavos
Pagamento na hora
Não aceito cheques

Mangas verdes
Bananas covardes
Maçãs frescas
Pêras secas

Comprem frutas barratas
Alimentem-se com atas
Faz bem a saúde
e cura as doencas da idade

Comprem frutas
Frutas mortas
Frutas maduras
Das velhas fruteiras

Abacates desinfectadas
Levem todas
Me deêm dinheiro
Vender é o que quero

Para me alimentar
meu bebé amamentar
Para abandonar a ponte
instalar casa no horizonte

Não roubo, vendo
Sem qualidade, vendo
Com qualidade, vendo
Tudo vendo, tudo

Levo paciência comigo
O futuro será meu amigo
Sou vendedeira
igualmente lutadora

Laranjas novas
Novas uvas
Freguês, compre
e volte sempre...


PS.: Dedicado as nossas mamanas do mercado informal (dumba nengue).
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publicado por Revista Literatas às 08:44 | link | comentar | ver comentários (3)

De ti nunca gostei

Ruth Boane e Izidine Jaime

(Ruth Berta Boane)
Fiquei contigo porque estava carente

Confesso que houve tempos que não saías da minha mente

Contigo fiquei por pena
Olhava para ti e via um pobre coitado
Traí-te com Jorge, Pedro, Mauro e Eduardo.

Quando sobre o meu corpo tuas mãos passavam
Sentia ódio, nojo e doía o meu coração
Quando vinhas com tua insaciável fome
Irada me deixavas.

(
Izidine Jaime)

De ti nunca gostei
fazia-te si não meu templo de clamores de prazer
divertia-me contigo pois nunca ti quis como mulher
eras apenas alimento dos meus desejos carnais
comia-te amargamente só para sustentar o meu instinto animal

Os teus lábios poluíam sensações nojentas
Queria-te apenas como um cobertor nas noites friorentas
afundar na tua lagoa? Sim, era apenas o que eu cobiçava
assumia-te apenas nas escuras vielas em que eu te penetrava

ti iludia com as minhas falas floreadas de mentiras
dizia que ti amava, Ah! Pura blasfémia
e nas encruzilhadas dos nossos feitos era só diversão
apenas te amei com o corpo e nunca com o coração.

(Ruth Berta Boane)

Te usei
Te sabotei
E até te menti

Olhava para ti e só via uma máquina
Máquina que eu usava quando precisasse
Fazia-te de bola minha
Agitava-te para que comêssemos banana sem casca
Sabes porque na maioria o fazia?
Haha! Nem se quer imaginas
De certeza adoravas, pois nhama
Com nhama anima
Queridinho, é com muito respeito e alegria no coração
Que te digo: Sê bem-vindo ao mundo de SIDA...
Por mais que chores, não há saída
Agora vês como sou e o que sou né?
Pois é, sê bem-vindo!


publicado por Revista Literatas às 08:40 | link | comentar

“O outro pé da sereia”


Jorge de Oliveira – O País

"...é a beleza da literatura pela pena de quem escreve doce, acertado, inventado, coerente e fácil"

1. O mais lido dos escritores moçambicanos, seguindo a linha que lhe é peculiar, trouxe a público mais um romance, desta feita carregado de muita história de Moçambique, diria, mais ligado a épocas remotas, contornando a guerra dos 16 anos que costuma ser a sua linha. Este outro pé, é um belo romance de amor, de um amor que não interessa se é lindo ou não, proibido ou não, velho, novo, de perto ou de longe, é a beleza da literatura pela pena de quem escreve doce, acertado, inventado, coerente e fácil.

2. Expressões que alimentam a arte fazem a escrita deslizar e embalar a leitura, suportam o livro: “Temos que desenterrar essa estrela decadente”, “Eu durmo sozinho. Mais do que sozinho, eu durmo com a minha esposa”, “você está em fase de nua cheia”. “Sabe como eu me chamo nestes ultimamentes?”.

3. Temos que ter orgulho de ter um artista assim, que constrói a nossa nação desconstruindo-a, que, a dado passo de leitura, nos leva à parede e nos encosta, e nos aperta o pescoço com uma interrogação, como é possível escrever tão belo assim? É um dos nossos moçambicanos que escreve assim? É um dos nossos moçambicanos que domina a escrita deste modo? E repelimos a tentação de dizer ou acreditar que esse pode ser um cidadão do mundo, não, esse é de Moçambique, ninguém o pode reivindicar, é beirense, por isso faz uma leitura reaccionária, destrata as mesmices, abana as regras, as palavras, chama-nos ao texto como uma onda traiçoeira, arrasta um pescador para o fundo do mar.

4. “Os espíritos não vêm de nenhum lugar. São como a água: estão dentro de nós, “Nascemos e choramos. A nossa língua materna não é a palavra. O choro é o nosso primeiro idioma”, “Escreva na terra, filha. A terra é a página onde Deus lê”, “O goês dizia a verdade. Nos últimos meses ele e a esposa já não davam asas aos lençóis”, “sobre o balcão da estação de correios amanheceu um enigmático pedaço de papel”.

5. Quem pode dizer mais novidades sobre o que escreve um autor que escreve sempre novas coisas de forma diferente? É uma obra de ditados, máximas, frases não feitas, mas criadas em função da situação concreta da narrativa, o que é sempre um prazer de ler, até como válvula de escape aos clichés que nos assolam, pela esquerda e pela direita, sem resultados visíveis.

6. “A saudade é a única dor que me faz esquecer as outras dores”, “tenho saudade do moço, nunca dizia nada e, assim, tinha sempre razão”, “A estrada de areia é um rio seco: perdeu as margens e desagua no seu próprio leito”, “Você me desculpe, mano, mas o seu problema é que pensa tão devagar que as ideias só lhe chegam quando você está a dormir”.

7. A criatividade é tão sublime que, às vezes, pensamos, este tipo não tirou isto de algum sítio? Afinal, aprendendo pela sua própria narrativa, vê-se que tirou isso de todos e nenhuns sítios.

8. “Tinha presos aos lábios os detritos todos do planeta. Mas essa sujidade nocturna é que a ensinava: tudo, neste mundo, é humano. O rio tem ancas de mulher, a árvore tem dedos para acariciar o vento, o capim ondeia soprado por antigas vozes”.

9. A viagem pela história de Moçambique que o texto realiza confunde-se com uma viagem, pela magia das artes e letras, tão intensa, agradável, instrutiva, que o imaginário moçambicano fica mais rico; apesar de ele ir buscar a vivência na sua terra não é esta que enriquece a escrita dele, mas ele que faz de nós mais completos.
publicado por Revista Literatas às 08:29 | link | comentar

Nova civilização moçambicana


Japone Arijuane – Maputo

Aboliram dos seus caracteres o homem sapiens-sapiens

Observarão se atrasados de mais para a tal classificação
Empreenderão por outras atitudes serem mais que sapiens-sapiens,
Correrão não chegarão, encontram-se piores que antes.

Hoje vivem nova civilização.
Correm atrás de quem eles acham excelência.
Nessa corrida ninguém pertence se a si mesmo.

Hoje são homens lambes-lambes.
publicado por Revista Literatas às 08:23 | link | comentar

Maranhão leva prémio da Academia Brasileira de Letras em Poesia


Uma colaboração de José Inácio Vieira de Melo

O poeta Salgado Maranhão venceu, com o livro A cor da palavra, o prémio da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS de 2011, na categoria poesia.  


publicado por Revista Literatas às 08:01 | link | comentar

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