Segunda-feira, 25.04.11

Festa da palavra

De: Raffael S. Inguane - Maputo


Num banquete de poesia
A inspiração estava mergulhada em banho-maria
A mesa enorme, composta por sapiência
Expondo a gastronomia da ciência
O bom cheiro das estrofes me enlouquecia
Dos bons temperos se deliciava a minha alma vadia

Coberto de eloquência
Eu trazia no peito, versos de nostalgia
Abundavam no papel, palavras de origem dicionária
As figuras de estilo transportando magia
Com apetite pelo saber, eu devorava a filosofia

As mulheres eram indispensáveis naqueles momentos de alegria
Lá estavam as palavras semi-nuas fazendo a “putaria”
Em seus corpos eu estudava a geografia
E elas perdiam-se no embalo da ilegível caligrafia

Eu bebia,
Bebia todos os sons que traziam uma melodia
Garrafas de frases, em minhas veias era elevado o índice da alcoolemia
 Minha mente estava bêbada, eu declamando versos de magia
E no dia seguinte acordei com uma babalaze literária

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ANDORINHA – 2 ANOS DE PROMOÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA E DA CULTURA EM LÍNGUA PORTUGUESA NA GUINÉ-BISSAU




Em Canchungo, a 24 de Abril de 2008, Marcolino Elias Vasconcelos, professor – sobretudo de Língua Portuguesa – no Liceu Regional Hô Chi Minh, e António Alberto Alves, sociólogo e voluntário, iniciaram o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand, que tem como objectivo a promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa e desde então mantém a sua periodicidade semanal, todas as quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz. De imediato, para responder a diversas solicitações de apoio educativo, jovens estudantes tomaram a iniciativa de se organizarem em bankada*, para ouvirem o programa Andorinha e “praticarem a oralidade e ultrapassarem o receio de falarem em português”! Ao longo desse ano, constituíram-se bankadas nos bairros da cidade de Canchungo (Betame, Pindai, Catchobar, Tchada, Djaraf, rua de Calquisse, Bairo Nobo) e em algumas tabanka (Cajegute, Canhobe, Tame). Complementarmente, foi constituída a bankada central Andorinha, que concentra as suas actividades no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo e que tem organizado algumas iniciativas: sessões de vídeo, acções de sensibilização em escolas, feira do livro. [*Bankada é um grupo informal mas estruturado, sobretudo de jovens, que se juntam num local na rua, para ouvirem rádio – neste caso, o programa Andorinha e para praticarem a oralidade em Língua Portuguesa.]
Esta iniciativa Andorinha surge como pioneira num país onde a utilização da Língua Portuguesa é muito baixa e a sua riqueza parte da própria motivação de jovens estudantes se organizarem em autoformação. [ver descrição em anexo]

Complementarmente, neste ano lectivo de 2009-2010, estamos a realizar o projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau. Tem como objectivo a montagem de um projecto bilateral de troca de experiências e intercâmbio entre um estabelecimento de ensino de Portugal e de um congénere na Região de Cacheu (Guiné-Bissau), que poderá proporcionar múltiplas vantagens recíprocas – e despoletar diversas acções de cooperação. Com efeito, a troca de correspondência escolar entre directores, professores e alunos, certamente aumentará o domínio da escrita em Língua Portuguesa entre os guineenses e promoverá o conhecimento sobre a Guiné-Bissau entre os portugueses. [ver descrição em anexo]
Neste sentido, as iniciativas Andorinha passarão a promover o uso oral e escrito da Língua Portuguesa no quotidiano dos jovens e estudantes guineenses.

Em Canchungo e na Região de Cacheu, a designação de “Andorinha” é já sinónimo de promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa. Como grupo informal, solicitamos a adesão à CONGAI – Confederação das Organizações não Governamentais e Associações Intervenientes ao Sul do Rio Cacheu, o que foi prontamente aceite.

Do que as iniciativas Andorinha têm realizado desde o início deste ano lectivo 2009-2010, destacamos:
- O envolvimento e formação de jovens das bankada Andorinha para apoiarem e realizarem o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand – todas as quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz;
- As acções de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizadas no Complexo Escolar Santo Agostinho, Escola EBU, Escola 1º de Junho e ADRA – Escola Adventista, em Canchungo, por solicitação dos respectivos directores;
- A organização e realização da actividade “Nô Pensa Cabral!”;
- A entrega da correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hô Chi Minh em Canchungo;
- A constituição de uma bankada Andorinha em Bissau – na Paróquia de Brá;
- A sessão de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no âmbito do intercâmbio de alunos e professores entre o Liceu Regional Hô Chi Minh e o Liceu Dr. Luís Fona Tchuda de Gabú, sob o lema “Juntos para um ensino de qualidade face aos desafios do futuro”;
- O início da emissão do programa Andorinha na Rádio Babok – todos os domingos, entre as 21h e 22h na frequência de 98 MHz;
- A acção de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;
- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviado pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Caíz à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Tomás Nanhungue” em Tame;
- A visita à bankada Andorinha “Umeeni” em Petabe.

De 19 a 25 de Abril de 2010 comemoramos este segundo aniversário do surgimento das iniciativas Andorinha, com a realização de um conjunto de acções:
- 19 Abril (segunda-feira): Entrega de 433 músicas em Língua Portuguesa, de 93 artistas/grupos de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Timor Leste, à Rádio Comunitária Uler A Baand e Rádio Babok;
- 20 Abril 10h (terça-feira): Inauguração da 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;
- 20 a 24 Abril (8.3-11h e 16-19h): 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;
- 24 Abril a partir das 16h (sábado): 2.ª Festa Andorinha na COAJOQ – Cooperativa Agro-Pecuária de Jovens Quadros;
- 25 Abril (domingo): Documentário sobre a Revolução dos Cravos em Portugal.

- A inauguração da 1.ª Feira do Livro no Centro de Recursos em Cacheu;
- A entrega da segunda correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hô Chi Minh em Canchungo;
- A oferta de 60 t-shirts Andorinha pela empresa Jomav – Importação e comercialização de materiais de construção;
- A cerimónia de tomada de posse da bankada Andorinha Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;
- A constituição da bankada Andorinha da Escola 1.º de Junho em Canchungo;
- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Mondim de Bastos à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque e à direcção da AFIR – Associação dos Filhos e Irmãos de Cabienque;
- A constituição da bankada Andorinha “União Faz a Força” em Tchulame.

Semanalmente, todos os sábados, pelas 17 horas, a bankada central Andorinha reúne no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo. Ao longo do mês de Junho realizamos uma reflexão e autoformação sobre o funcionamento de uma associação, que incluiu a concepção e redacção de uma proposta de estatutos. A 19 de Junho fundamos a associação Bankada Andorinha, com a redacção da acta – a que se seguirão os diversos passos legais para a sua efectivação.

De salientar, que esta é uma iniciativa concebida e protagonizada por jovens alunos e professores guineenses, às expensas de trabalho voluntário e esforço e empenho de cada um – sem qualquer apoio de instituições responsáveis pela promoção da Língua Portuguesa...
[Para mais informações e imagens, ver www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com]

Na esperança que estas iniciativas possam ser valorizadas e ficando ao dispôr para qualquer esclarecimento que acharem conveniente, apresentamos os nossos melhores cumprimentos
Marcolino Elias Vasconcelos – 00 245 6625332
António Alberto Alves – 00 245 6726963
Eduardo Gomes (Presidente das bankada Andorinha) – 00 245 6824282


«Há números que apontam para 5% da população que fala Português, no recenseamento de 1979, e outros para 10%, no recenseamento de 1991 (Scantamburlo, 1999: 62). Não há, infelizmente, estudos mais recentes sobre esse assunto, mas penso que é por demasiado evidente que a situação da Língua Portuguesa na Guiné-Bissau em nada se compara com os restantes países lusófonos africanos: é, sem dúvida, o PALOP onde se fala menos português. Basta circular pelas ruas de Bissau para nos apercebermos desta dura realidade.
Devido ao facto de ser a língua oficial, o Português é o idioma de ensino. É também a língua de produção literária, da imprensa escrita, da legislação e administração. Deparamo-nos, então, com este paradoxo: tudo está escrito em Português, mas uma parte esmagadora da população não domina a língua. As crianças são alfabetizadas numa língua que não ouvem, nem em casa nem na rua, e só quando comunicamos com a elite politica e intelectual guineense conseguimos estabelecer comunicação em Português. O grande problema da Língua Portuguesa neste país é, a meu ver, não passar da escrita para a oralidade.
(…)
Dado que a rádio é o único meio de comunicação que chega a todos os guineenses, parece-me fundamental uma aposta em programas radiofónicos que divulguem a Língua Portuguesa; em suma, uma aposta na oralidade.»
- Ana Paula Robles, Instituto Camões na Guiné-Bissau
[O ensino da Língua Portuguesa no ensino superior: a situação da Guiné-Bissau. Ubuntu, nº 3, Dezembro 2006, Bissau, p. 21-24]

--
Andorinha | Caixa Postal nº 1 | Canchungo | Guiné-Bissau
www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com
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Sexta-feira, 22.04.11

Poemas da obra "A Noite de Luvas Brancas" de Mário Gerson

Mário Gerson - Brasil

Suor 
No suor
Do teu corpo
Me refaço,
      E em pedaços,
No teu
Dorso,
Me revolvo
Sobre a epiderme
      Manchada
      De saudade.

Decepção

Nunca saberei destroçar
Os homens que me acenam
Em plena rua...
Nunca saberei se por detrás
Daquele rosto morará meu outro rosto.
Também não saberei para que cometa
Arrastaram-me os sentidos...
As discussões,
Os dilúvios de amor,
As fortalezas sozinhas.
Da luz, apenas guardarei
A lembrança de sua claridade.
Do homem que me acenou –
O braço levantado ante o mundo –
E da vida, que se vai aos poucos,
E que é já gasta,
Levarei a lembrança
Daquele dia sem luz.


Encruzilhada
Para Mário de Andrade 
Meu destino
Também era trágico,
E o desafio de ser fera
Entre os homens
Me perseguia,
Até que um dia
Eu topei comigo.
Interior
O Poeta
Que morre em mim
Traz a marca do silêncio
      Que encontro em ti.
Ele caminha, disfarçadamente,
Entre os sentidos
Absurdos
Do seu coração.
      Mas na luta diária de meu lado
                        Esquerdo,
Ele se perde
Entre teu olhar no meu olhar.
Olhar-te, porém, do alto de meu
                  Disfarce,
Me constrange e me abala
Ou me perfura a carne,
             Meu sangue
             Banhando
             De morte
             As calçadas
             Alheias –
Os olhares alheios;
Os homens alheios;
As mulheres alheias.
O Poeta que mora em mim
Também se ofende e se agrada.
É ser, como as aves entre os seres.
E eu, que me mapeio
            O coração,
Ando perdido,
Canto a canto,
      Em teus lençóis;
      Em teus espantos!
Esse meu Eu Poeta
Que sangra, distante,
Outros meus amigos;
Esse meu Eu Poeta
Feito de dor e carne e vestígios;
Esse meu Eu Poeta
      Que vê além
      De meus ouvires,
Me cobre de desafios e
      Pensares...
O pensar ser além
      Do homem-Carne;
O pensar ser além
      Do homem-Método;
O pensar ser além
      Do homem-Máquina,
Me funde em pensamentos;
Me algema em faces
         Estranhas
         E vivas,
         Feito água
         No céu
         De minha boca.
Mas as palavras
Me atiram fora
O corpo nu;
O corpo do Homem-Natural
Que me obriga,
Do desperdício
Que me custou
Rasgar esse meu tédio
Sobre a cidade,
À implosão de outros
            Versos;
De outros estranhos versos
Escritos na sombra daquela
                  Imagem.

Mário Gerson
Nasceu em Mossoró, RN, Brasil. Possui as seguintes obras publicadas: O Suspiro do Inimigo (Contos), A Morte do Pescador (Novela), A Noite de Luvas Brancas (Poemas), O Catador de Espumas (Poemas).
Os poemas publicadas na Literatas fazem parte de seu livro A Noite de Luvas Brancas, publicado neste mês de abril, pela Editora Queima-Bucha.
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publicado por Revista Literatas às 06:29 | link | comentar

ORAÇÃO

Wilma Boss - Brasil

Se eu morrer daqui a pouco, não chore...
Apenas aplauda meu sorriso largo, minha boca aberta
por um palavrão escondido, não dito
ou dito e não ouvido...

Meus olhos lacrimejantes, minhas mãos estendidas
Meu dedo apontado prá eles, prá elas...
prá nós... e até prá você!

Não ligue se eu morrer daqui a pouco.
Apenas olhe... reze se sentir vontade,
Olhe meu corpo inerte e desperte:
Eu fui?

Se eu não morrer daqui a pouco,
Olhe prá mim, vele por mim, chore por mim.
Viva por mim, viva prá mim...
Enquanto eu vivo por nós
Amém!
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Quarta-feira, 20.04.11

Quero ser

De: Ruth Boane - em Tete

Quero ser uma estrela
para o teu mundo iluminar
Quero ser uma flor
para o teu jardim embelezar.

Quero ser o mar
Para as tristezas comigo levar
e as alegrias contigo deixar.

Quero ser borboleta
Quero borboleta ser
Para um sorriso no rosto do teu jardim colocar.

Quero ser poetisa
para palavras de amor te dizer
e seus ouvidos enlouquecer.

Quero ser a rainha do teu coração
e contigo para sempre ficar.

Amo-te Sansão!
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publicado por Revista Literatas às 04:42 | link | comentar | ver comentários (2)

76 anos cultivando a leitura


De: redacção O País

Encontros com João Paulo Borges Coelho, Carlos dos Santos, Luís Carlos Patraquim, Aurélio Furdela, Sangari Okapi, Lucílio Manjate, entre outros, marcam as actividades das celebrações dos 76 anos da Minerva Central.
 
Está aberta na Minerva Central a 76ª Feira do Livro, que também marca as celebrações dos 103 anos de existência daquela livraria. Em exibição nas instalações-sede da Minerva Central, a feira vai comportar momentos diversos num período de 45 dias.
Na abertura da feira, o embaixador da França em Moçambique, Christian Daziano, esclareceu que a 76ª feira do livro “não é, se não a expressão de uma nova etapa que vai ser construída, uma nova etapa que vai começar e uma nova página que se vai abrir”.
O embaixador anunciou que a Minerva Central e o Centro Cultural Franco-Moçambicano vão abrir, antes do final do presente ano, uma livraria de língua francesa, que será afixada nas instalações do Centro Cultural Franco-Moçambique. “Esta livraria permitirá que os interessados pelo francês sirvam-se da mesma, pois estará equipada de livros de actores francófonos e livros traduzidos para o francês. Este novo instrumento de difusão do francês virá completar o dispositivo de aprendizagem da língua francesa e dará ao Centro Cultural Franco-Moçambicano uma nova vitrina para satisfazer ao público francófono, disse Daziano.
Várias actividades vão marcar a feira do livro e nesta sequência está agendada a inauguração da exposição “Densidades lúcidas”,  do artista Manuel Jesus. Ao longo deste período serão organizados encontros com João Paulo Borges Coelho, Carlos dos Santos, Luís Carlos Patraquim, Aurélio Furdela, Sangari Okapi, Lucílio Manjate e outros. As actividades envolvem lançamentos dos livros “Ventre acocorado” de Manuel Jesus, “Não se emenda, a chuva” de António Cabrita,  “Quando o coração dizpára” de Dércio Edson de Celestino Pedro e “Coração feito vida” de Salim Sacoor.
A declamação de poesia, actividades para a infância (“caça ao tesouro”), apresentações de filmes, concursos e promoções são igualmente actividades previstas nesta 76ª Feira do Livro.
publicado por Revista Literatas às 04:37 | link | comentar

Livros biográficos mais procurados em Maputo

Redacção O País

No primeiro trimestre de 2011, o “O Anjo Branco” aparece como o mais vendido, seguido de “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”. o terceiro mais vendido é “Vidas, Lugares e Tempos”

Talvez não seja muito verdade que os livros biográficos não despertam atenção. Com 102 anos de existência, a Minerva Central é uma referência em Moçambique e, quiçá, a livraria-mãe na venda de livros. Os livros biográficos “Recordações da vovó Marta”, da autoria de Lina Magaia; “Vidas, Lugares e Tempos”, de Joaquim Chissano; e “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”, de James Gregory, lideram as vendas na Minerva Central, mas não à altura de concorrer com “O Anjo Branco”, de José Rodrigues, um romance cuja história decorre numa suposta aldeia em Moçambique.
No primeiro trimestre de 2011, o “O Anjo Branco” aparece como o mais vendido, seguido de “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”. o terceiro mais vendido é “Vidas, Lugares e Tempos”, lançando há duas semanas em Maputo, o qual ainda é muito procurado, segundo informações da Minerva Central. A posição número quatro fica com o livro “Recordações da vovó Marta”, também recentemente lançado.
Breves histórias dos livros mais vendidos na Minerva Central
“O Anjo Branco”
Desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, ”O Anjo Branco” afirma-se como o mais pujante romance nunca antes publicado sobre a guerra colonial e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.
A personagem que faz a história do livro é José Branco, cuja vida se transformou no dia em que entrou numa aldeia perdida no coração de África e deparou-se com um terrível segredo. O médico veio viver, na década de 1960, em Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária para aquela época: criar o serviço médico aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho rapidamente atrai atenções e o médico, que chega do céu vestido de branco, transforma-se numa lenda e chamam-lhe o “Anjo Branco”. Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, e José cruza-se com aquele que vai tornar-se o mais aterrador segredo de Portugal, no Ultramar (...). O livro lidera as vendas na Minerva Central.
“Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”
“África do Sul, 1968. Vinte e cinco milhões de negros vivem sob a dominação de uma minoria branca. Sob o regime brutal do apartheid, os negros não têm o direito de votar, liberdade de movimento, acesso à educação, nem o direito de possuir terras, empresas ou mesmo habitação. Determinada a não largar o poder, essa minoria branca aprisiona os líderes negros em Robben Island.
James Gregory, um “boer“ típico, racista e crente nas virtudes do apartheid, passou a infância numa quinta em Transkei, onde aprendeu a falar as línguas xhosa e zulu. Essa característica fez dele o homem ideal para o cargo de guarda prisional em Robben Island, tendo sido encarregue de vigiar o preso Nelson Mandela e os seus companheiros. Esse plano vai, contudo, dar uma reviravolta. Ao conhecer melhor Nelson Mandela, Gregory começa a questionar o sistema de apartheid e torna-se progressivamente o defensor de uma África do Sul livre e democrática.
“Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo” relata-nos, na primeira pessoa, a relação tão surpreendente quanto profunda que une esses dois homens, e, através da sua amizade única, descobrimos o despertar de uma consciência. é este o livro que em Maputo tem sido muito procurado.
“Recordações da vovó Marta”
Contadas pelas mãos de Lina Magaia, “Recordações da vovó Marta” é um livro que resultou de uma conversa entre Marta Mbocota Guebuza e a autora, num ambiente informal de troca de conhecimentos e recordações sobre um tempo que passou, mas que a vida não levou.
Vovó Marta, como orgulhosamente se assume, completa este ano 100 anos de idade, e tal como garantiu o seu filho, Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, a sua lucidez continua inquestionável, aliás, nota-se isso pelas histórias que contou a Lina Magaia e esta, por sua vez, escreveu-as para outras gerações.
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Dizer, fazer e sentir 

a Literatura

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