Prosa Poética de Aline Pereira


Aline Pereira - Rio de Janeiro

Ereta na cadeira rígida da biblioteca, Clara sente algo. O rapaz contempla seu ídolo com duas sementes vistosas, a que ela retribui com única mas gigantesca gema de esmeralda. Ele estava perdido. Não por estar longe de casa e sim por não conhecer o mar. Ela sentia frio, e o frio a endurecia mais e mais. Tudo dentro do seu corpo congelava. Logo compreendeu que acabava ali. Seu pensamento não foi outro além de "como estou cansada de prestar sempre contas à razão!" Mesmo assim, esperou até a exaustão naquela estranha brincadeira de imitar ossos. Depois, resolveu participar de um filme que contava uma história de fantasmas. Dois roteiristas e o diretor aguardam por ela. Algum tempo depois, Clara está sendo empurrada por eles para dentro de uma água profunda e negra. O diretor pergunta: 
Você está  com medo? (Ela não está) Eu morri - responde. Estou morta.
O ator coadjuvante se aproxima sem pensar e intui que tudo seja um sonho. 
Clara lhe dirige um olhar de predador em direção à presa, depois fala calmamente: Pode ser o sonho de vocês, não o meu.
Um inexplicável pavor começa a crescer dentro de todos da equipe de filmagem...
Eu continuo sentada olhando para a tela, que cambia entre tons do cinzento de um céu de fumaça. Pouco a pouco então levanto o meu corpo e dirijo ele para a minha casa. No caminho não encontro nada. Apenas um vento suave e uma chuva silenciosa de maio.   
publicado por Revista Literatas às 03:47 | link