Livros biográficos mais procurados em Maputo

Redacção O País

No primeiro trimestre de 2011, o “O Anjo Branco” aparece como o mais vendido, seguido de “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”. o terceiro mais vendido é “Vidas, Lugares e Tempos”

Talvez não seja muito verdade que os livros biográficos não despertam atenção. Com 102 anos de existência, a Minerva Central é uma referência em Moçambique e, quiçá, a livraria-mãe na venda de livros. Os livros biográficos “Recordações da vovó Marta”, da autoria de Lina Magaia; “Vidas, Lugares e Tempos”, de Joaquim Chissano; e “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”, de James Gregory, lideram as vendas na Minerva Central, mas não à altura de concorrer com “O Anjo Branco”, de José Rodrigues, um romance cuja história decorre numa suposta aldeia em Moçambique.
No primeiro trimestre de 2011, o “O Anjo Branco” aparece como o mais vendido, seguido de “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”. o terceiro mais vendido é “Vidas, Lugares e Tempos”, lançando há duas semanas em Maputo, o qual ainda é muito procurado, segundo informações da Minerva Central. A posição número quatro fica com o livro “Recordações da vovó Marta”, também recentemente lançado.
Breves histórias dos livros mais vendidos na Minerva Central
“O Anjo Branco”
Desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, ”O Anjo Branco” afirma-se como o mais pujante romance nunca antes publicado sobre a guerra colonial e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.
A personagem que faz a história do livro é José Branco, cuja vida se transformou no dia em que entrou numa aldeia perdida no coração de África e deparou-se com um terrível segredo. O médico veio viver, na década de 1960, em Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária para aquela época: criar o serviço médico aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho rapidamente atrai atenções e o médico, que chega do céu vestido de branco, transforma-se numa lenda e chamam-lhe o “Anjo Branco”. Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, e José cruza-se com aquele que vai tornar-se o mais aterrador segredo de Portugal, no Ultramar (...). O livro lidera as vendas na Minerva Central.
“Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”
“África do Sul, 1968. Vinte e cinco milhões de negros vivem sob a dominação de uma minoria branca. Sob o regime brutal do apartheid, os negros não têm o direito de votar, liberdade de movimento, acesso à educação, nem o direito de possuir terras, empresas ou mesmo habitação. Determinada a não largar o poder, essa minoria branca aprisiona os líderes negros em Robben Island.
James Gregory, um “boer“ típico, racista e crente nas virtudes do apartheid, passou a infância numa quinta em Transkei, onde aprendeu a falar as línguas xhosa e zulu. Essa característica fez dele o homem ideal para o cargo de guarda prisional em Robben Island, tendo sido encarregue de vigiar o preso Nelson Mandela e os seus companheiros. Esse plano vai, contudo, dar uma reviravolta. Ao conhecer melhor Nelson Mandela, Gregory começa a questionar o sistema de apartheid e torna-se progressivamente o defensor de uma África do Sul livre e democrática.
“Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo” relata-nos, na primeira pessoa, a relação tão surpreendente quanto profunda que une esses dois homens, e, através da sua amizade única, descobrimos o despertar de uma consciência. é este o livro que em Maputo tem sido muito procurado.
“Recordações da vovó Marta”
Contadas pelas mãos de Lina Magaia, “Recordações da vovó Marta” é um livro que resultou de uma conversa entre Marta Mbocota Guebuza e a autora, num ambiente informal de troca de conhecimentos e recordações sobre um tempo que passou, mas que a vida não levou.
Vovó Marta, como orgulhosamente se assume, completa este ano 100 anos de idade, e tal como garantiu o seu filho, Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, a sua lucidez continua inquestionável, aliás, nota-se isso pelas histórias que contou a Lina Magaia e esta, por sua vez, escreveu-as para outras gerações.
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publicado por Revista Literatas às 04:28 | link