Quarta-feira, 12.10.11

Inspiração

Octávio Danila - Lichinga
Ficou para atrás tudo que me meça
Ficou para atrás o tempo de uma infância
Ficou para atrás os lugares e mistérios
Ficou para atrás tudo
Otempo encarnou-se no meu suspiro
Carregou os meus amuletos
Deixou mágoas do passado
Neste quarto deixo-me flutuar
Deixo tudo ate o meu respirar
Deixo que a poesia me julgue
Deixo que as palavras me embriaguem
Deixo o silêncio me revelar
Deixo tudo que esteja vivo
Deixo a alma corpo deixo-me morto
Recolha por: MUKURRUZA
publicado por Revista Literatas às 14:48 | link | comentar

Inversos

Pedro Du Bois - Brasil
Na razão inversa das distâncias
permaneço em guarda: todo ataque
antecede a hora da vingança
traçadas fronteiras inviabilizam
o encontro: a bandeira se situa
na vista cansada do inalcançável
olhar entre crianças
estar do outro lado carregando
as flores secas da humildade
e se saber ávido contato
repelido ao corpo: a transformação
da hora em desespero coincidente
ao poder e a glória da efemeridade.
publicado por Revista Literatas às 14:45 | link | comentar

VII Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – Crónicas

Edição em homenagem a escritores baianos


1 – O Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus visa estimular novas produções literárias e é dirigido a candidatos de qualquer nacionalidade, residentes no Brasil ou no exterior, desde que seus trabalhos sejam escritos em língua portuguesa.

2 – As inscrições acontecem de 01 de Janeiro a até 30 de Novembro, através do e-mail valdeck2007@gmail.com (CRÔNICAS de até 20 linhas, mini biografia de até cinco, endereço completo, com CEP e telefone de contacto, com DDD). Os textos devem vir DENTRO do corpo do e-mail. Inscrições incompletas serão desclassificadas. Vale a data de postagem no e-mail. Não serão aceitas inscrições pelos correios.

3 - A crónica deve ser inédita, versando sobre qualquer tema (excepto apologia ao uso de drogas, conteúdo racista, preconceituoso, propaganda política ou intolerância religiosa ou de culto). Terão preferências os textos sobre escritores baianos da contemporaneidade. Entende-se como escritores contemporâneos aqueles cuja obra ainda não foi lançada por grandes editoras e que não são con­hecidos do grande público. Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. A inscrição implica concordância com o regulamento e cessão dos direitos autorais apenas para a primeira edição do livro.

4 - Uma equipe de escritores faz a selecção de apenas um texto por autor. A premiação é a publica­ção do texto seleccionado em livro, em até seis meses do encerramento das inscrições. Os escritores seleccionados devem criar um blogue gratuito, após a divulgação do resultado do concurso, para dar visibilidade ao trabalho de todos os participantes. Os casos omissos serão decididos soberanamente pela equipe promotora.

5 – O autor que desejar adquirir exemplares do livro deverá fazê-lo directamente com a editora ou com o organizador do prémio. Os primeiros dez classificados receberão um exemplar gratuitamente. Os demais podem receber, a critério da organização do evento e da disponibilidade de recursos financeiros.

 

Modelo de ficha de inscrição:

Paulo Pereira dos Santos

Rua Santo André, 40 – Edf. Pedra – Apt. 201

35985-999 – Portão

Belo Horizonte-MG

(31) 3366-9988, 8877-8999

 

Modelo de mini biografia:

Paulo Pereira dos Santos é natural de Santana-PB. Escritor, poeta e jornalista, tem dois livros publicados: “Antes de tudo” e “Até amanhã”. Participa de cinco antologias de poesias. Graduado em comunicação social. Menção honrosa em diversos concursos de poesia, tem dois livros no prelo e pretende lançá-los em 2012.

 

Projecto publicado no site do PNLL do Ministério da Cultura

 

MAIS INFORMAÇÕES:

Valdeck Almeida de Jesus

Tel: (71) 8805-4708

E-mail: valdeck2007@gmail.com

Site do Organizador: www.galinhapulando.com

 

NOTA: Neste concurso podem também participar pessoas de outros países de língua portuguesa, incluindo Moçambique, sendo que na impossibilidade destes em falar de escritores baianos, podem falar dos contemporâneos dos seus países.

publicado por Revista Literatas às 14:35 | link | comentar | ver comentários (23)

O Bebé que nasceu do aborto

Dany Wambire - Beira

 

Estava assim, secretamente, decido: a Mandoessa, só e somente anicharia um feto no seu ventre caso a sua mãe desejasse. Tinha sido essa forma ― a de adiamento de gravidezes das suas filhas com recurso a plantas medicinais e com incomensurável auxílio da sua nyanga ― encontrada pela Mazalari, a progenitora da Mandoessa. A Mazalari é que era a responsável pela engravidamento da sua própria filha. Pouco valia, portanto, o período fértil da filha e a potencialidade do homem que se enroscaria nas mais profundas entranhas da sua filhinha.

Afinal de contas, tinha sido esta a pretensão da Mazalari aquando da vacinação tradicional da sua descendente: evitar uma gravidez indesejada e, consequentemente, um parto igualmente indesejado. Pois, de acordo com os costumes locais, uma mulher que já se tinha engravidado alheiamente reunia condição para não vencer um posterior casamento. Assim se pensava, assim se cumpria quase por todo regulado.

Mas a Mandoessa estava distante de se precaver desse perigo. Ela se considerava imune, protegida pelas mais pesadas raízes contra gravidezes na região. Dizia que a sua mãe foi muito atenciosa no momento que ela ameninava. Lhe tinha dado banho com água purificada com mitchi duma respeitada, secreta e inominável planta do regulado. Até ela se gabava, garbosa:

― Eu posso fazer sexo de um a trinta de cada mês sem preservativo e nunca esses homens me con­seguirão engravidar!

Na verdade, essa confiança em demasia na vacina a si aplicada aquando da sua meninice fez com a Mandoessa se entregasse de modo descuidado nos braços de qualquer homem, disposto a desfrutar o seu belo e vulgarizado corpo em acesas e apetitosas relações sexuais. Talvez foi por essa via que ela contraiu vírus de HIV, diagnosticado mais tarde.

Todavia, uma dose de entristecimento dedicara uma visitação à vida da Mandoessa por dilatado tempo. Tinha morrido a Mazalari, mãe da Mandoessa, sem conceder aos companheiros da vida um aviso prévio. No entanto, não era simplesmente a morte da velha Mazalari que fazia a Mandoessa acomodar entristecimentos. Era igualmente o facto da já perecida mãe possuir a chave que abria o seu ventre a anichar novos seres. Sim, tinha morrido a controladora do seu ventre.

De resto, a partir dessa altura continuou a se entregar aos homens de modo banal, e desprovida de esperança de um dia seu corpo constituir o berço de qualquer criatura, visto que, não conseguiria des­activar a vacina que lhe havia sido aplicada. Mas para o espanto de muitos, a Mandoessa ficou grávida de três meses logo após a morte da mãe. E nasceram mais inesperadas conclusões das pessoas que assistiam o sucedido. Uma delas, chegava a dizer:

― A mãe tinha pedido à nyanga que a sua filha devia engravidar logo após ao seu físico desapareci­mento.

Ora, o aparecimento a gravidez no interior da Mandoessa, trouxe dois sentimentos opostos, o de satisfação e de insatisfação. Estava satisfeita porque desvendou fertilidade das suas interioridades. E ficou, igualmente, insatisfeita porque a gravidez apareceu sem que ela soubesse o co-autor do feto que jazia no seu ventre. Isto porque ela admitia para o coito sexos opostos de modo descontrolado, numa autêntica promiscuidade sexual.

Foi mais forte, todavia, o segundo sentimento, o de insatisfação. A Mandoessa, portanto, entendeu que o bebé que ela inconscientemente admitira não mais devia continuar protegido no seu ventre. Então, decidiu preparar uma porção de muquina, fármaco que na região acreditavam expulsar precocemente os fetos de todos ventres.

De facto, no dia ulterior, a Mandoessa se estendeu no escasso espaço do quarto de banho. Depois, engoliu a porção do fármaco tradicionalmente preparado para facilitar abortos. Esperou, de seguida, que o seu ventre reagisse ante a acção desta muquina. Com efeito, em rápidos minutos o bebé estava saindo ― ela esperava que fosse morto. Mas o bebé não saiu completamente. Ficaram encravadas lá no seu interior os fragmentos inferiores do petiz, nomeadamente as pernas. E foi o próprio bebé que deu conta deste erro à fracassada infanticida, chorado de modo ininterrupto.

Os choros, de facto assustaram a Mandoessa, pois não esperava a vida desta criança. A criança ou o feto devia nascer morto, pronto para arremessado na latrina próxima. Ficou aflita. O problema prescin­dia as suas capacidades. Teve que solicitar uma enfermeira que de instantâneo veio segurar a vida da criança. E nascia assim a Diolinda, de forma não programada. Ademais, constatou que gravidez que a Mandoessa carregava era já de sete meses, razão pela qual bebé estava relativamente feito, acabando por completar os restantes meses no berçário.

_______________________________

Dany Wambire (pseudónimo de Danito Gimo da Graça Avelino). Nasceu em 1 de Junho de 1989, no distrito de Manica, província de Manica (os seus pais são todos da província de Sofala). Tornou-se órfão bastante cedo, de pai aos 10 anos, e de mãe aos 12 anos. Desde então cresceu sob custódia da sua tia (Cristina Oliveira Garanhe Massora, irmã mais velha da sua mãe). Em 2008 tornou-se professor no distrito de Machanga, sul da província de Sofala, depois de formado pelo Instituto Nacional de Educação de Adultos – Beira (2006-2007). E foi lá onde começou a escrever, como forma de divertimento e para amparar-se dos vícios. Portanto, escreveu lá o seu primeiro livro (inédito), intitulado sugestivamente “Peripécias do Regulado de Esteve”, que tem alguns textos publicados pelo jornal OPaís e OPaís Online, desde Março de 2011.

Actualmente sou professor numa escola primária completa, algures na cidade da Beira, e estudante no 2º ano do curso de História, na UP-Beira.

publicado por Revista Literatas às 13:31 | link | comentar
Sexta-feira, 30.09.11

Convite: Projecto "Poesia nas Acácias"

 

 

No âmbito das celebrações do dia da cidade de Maputo e de mais um aniversário do Movimento Literário Kuphaluxa, será realizado entre os dias 10 e 12 de Novembro do ano em curso, uma exposição de poesia denominada “Poesia nas Acácias” a ter lugar na cidade de Maputo. Assim, são convidados todos interessados a partipar do projecto, de acordo com as regras seguintes.

 

Objectivo

Constitui principal objectivo desta iniciativa, divulgar novos autores moçambicanos, promover o gosto pela leitura e levar a poesia a lugares comuns onde o povo possa ter acesso a ela sem custos.

 

Requisitos

Cada participante pode enviar no máximo três poemas (só um será seleccionado para exposição) da sua autoria que obedeçam os seguintes requisitos:

  • Poemas com um máximo de 8 versos
  • Poemas escritos na língua portuguesa

 

Participação

Todos os participantes o farão voluntariamente, sem direito a nenhuma remuneração. Neste projecto, só poderão participar apenas poetas iniciantes, sem nenhum livro publicado e não há restrição de idade nem nível académico.

Para a participação neste projecto são convidados todos escritores iniciantes de todas cidades do País.

 

 

Direitos autorais

A partir da altura em que os poemas são expostos, passam a ser de domínio público, sendo que, o entanto, o poema será exposto com a assinatura do autor.

 

Endereço do envio dos textos

Os poemas devem ser escritos no formato Word-2003, letra do tipo – Times New Roman, tamanho 12 e enviados electronicamente para o endereço: kuphaluxa@sapo.mz

 

Validade

Os poemas devem ser enviados a partir da data da divulgação deste convite até ao dia 23 de Outubro de 2011. Os textos enviados depois dessa data não merecerão a nossa atenção.

Os seleccionados, serão anunciados no blogue do Movimento Literário Kuphaluxa no endereço: http://kuphaluxa.blogspot.com e da revista Literatas: http://literatas.blogs.sapo.mz e ainda na versão electrónica da mesma até ao dia 01 de Novembro de 2011.

 

Casos omissos

Não serão aceites poemas que contem seguintes conteúdos e ambiguidades:

  • Ofensivas político-partidárias
  • Insultos ou outras expressões capazes de ferir as boas maneiras de convívio social
  • Descriminações raciais, religiosas, étnica, género entre outras

 

Recurso

As deliberações da comissão organizadora deste evento não terão direito a recurso.

 

A Comissão Organizadora

publicado por Revista Literatas às 14:34 | link | comentar | ver comentários (1)

ODE À AMÉRICA DO SUL

Jorge Tufic - Brasil                                          

 

 

Que o boné de Pablo Neruda

e a lágrima fluvial de Santos Chocano,

e o grito de Allende

(enquanto os fuzis do terror e do medo

repetiam o massacre da liberdade),

venham flocar este chão consagrado

por tantos modos e cantos diferentes,

oh América do Sul.

Os cravos de tuas noites mergulham

na plumagem das Cordilheiras,

e os ramos da paz que te ilumina

e o relincho das pedras que desenham

bisontes e tempestades,

pousam como fósseis alados

em tuas crinas de esmeralda.

De Santa Marta à Terra do Fogo

tuas espigas rebentam colares de jade

e cintilam nas máscaras de ouro

roubadas aos templos do sol

e às pirâmides da lua.

E ao sopro nativo da flauta

exilada entre colméias,

um tesouro de vasos, borboletas

e animais de uma fauna imaginária,

sacode o pó da argila e do granito

em suaves movimentos.

Atlantes e Laoccontes

vigiam tuas muralhas indormidas,

mas deixam livres as fronteiras do sonho.

 

publicado por Revista Literatas às 14:21 | link | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 23.09.11

Lurdes Breda: Apaixonada pelas palavras

Redacção Literatas

 

Na infância, qual foi o seu primeiro contacto marcante com a escrita?

 

Foi na escola, com a descoberta dos diversos textos literários e respectivos autores, assim como com a elaboração de composições: a aprendizagem do uso e do poder da palavra aliados à imaginação.

 

Que espaço os livros ocupam no seu dia-a-dia? A leitura, de alguma forma, influencia o seu trabalho e o seu quotidiano?

Os livros ocupam um papel de extrema importância na minha vida e a leitura é fundamental para a minha evolução e realização, que pessoal quer profissional, enquanto escritora.

 

O escritor peruano Mario Vargas Llosa certa vez disse o seguinte “a minha passagem pelo jornalismo foi fundamental como escritor”. Como porta-voz da sociedade você percebe na literatura ou no jornalismo uma função definida ou mesmo prática?

 

A literatura e o jornalismo, embora em paradigmas diferentes e cada qual utilizando metodologias próprias podem, por vezes, complementar-se. Dependendo do género literário e da forma como é trabalhado o jornalismo, pode existir, com certeza, uma função prática, sobretudo, neste último, uma vez que se deve pautar pela objectividade e rigor na informação. A literatura, no meu ponto de vista, tem uma função mais estética e subjectiva, embora mesmo através da literariedade se possa veicular determinadas mensagens mais ou menos práticas.

 

publicado por Revista Literatas às 17:26 | link | comentar

A Revista Literatas

é um projeto:

 

Associação Movimento Literário Kuphaluxa

 

Dizer, fazer e sentir 

a Literatura

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