Poesia de Alexandro Soares do Valle


Alexandro Soares do Valle – Rio de Janeiro

Ah, essa gente


essa gente na qual me incluo


essa gente por trás de um muro


essa gente qu’é pedra


mas que também é água


essa gente qu’é queda


mas que pode ser águia





essa gente que acredita


essa gente abstrata


é uma gente aflita


por que? Se em algo acredita





essa gente mata-gente


mata veados, burros e índios


gente é mente?


gente mente





gente


é estilhaço


é o que sobrou de inteligente


é o que sobrou do humano


que nada tem a ver com gente





gente é não entender


é tentar compreender


que atrás vem gente


e o bonde passa


sem rima, às vezes


 sem graça



publicado por Revista Literatas às 09:12 | link | comentar