A morte do sexo e o nascimento do amor

De Nelson Lineu - Maputo


- Amor!
- Não me chame assim, nesse mato já não tem Coelho- victor respondeu  a esposa.
- Não podemos desistir o último a desistir vence- voltou a atacar a Madalena.
- Madalena não achas que nosso amor já está enrugado?
- Eu acho que você está com preguiça de amar, esforce-se isso não pode acabar, poderia aceitar mesmo que seja difícil, mas isso depois de um de nós morrer.

O Victor foi dizendo que todos os dias se esforçava para tudo voltar ao normal, passaram-se três anos que não sentia aquele frio que só ela matava, o peito já não sentia necessidade de ter a cabeça dela semeada, as pernas dela não convidavam os seus olhos quanto mais olhava indesejável ficava. A mulher chamava-lhe de Aquiles porque calcanhar dela era o ponto dele mais fraco, o traseiro dela não mexia ao mesmo rítmo do bater do seu coração como antes, o umbigo dela passou a ser a parte do corpo que ele menos queria ver, outrora ele não podiam camar  sem olhar, era para confirmar se estava mesmo  com a mulher, porque ele era fielíssimo. Ao lado dela sentia-se só hoje ela era a razão da sua inexistência, aquela saia preferida dele  passou a ser injusta.
A Madalena achava que o amor deles acabou prazo. E devia ser por les casarem-se  por desinteresse outros casam por dinheiro, riqueza ,ostentação, exibicionismo e até por amor e não era esse o caso deles.
Já não sentia vontade de arranhar as costas dele, a mão dele já não lhe criava arrepios, nem depois de abraçados sentia aquela quentura entre as pernas, ver-lhe descamisado era como ver um tronco , as veias do braço dele não corriam aquela sangue de leão que lha faziam ser domador, os pêlos do peito não passavam de um capim seco, até passou a gostar de lhe ver grosso, porque quando chega-se casa ia direito a cama, era melhor com ele na cama a dormir duque acordado a repararem-se um ao outro como Coelho e a cobra sem ninguém piscar o olho. 
Fez nascer uma boa disposição, segundo o que ela aprendera as mulheres é que salvavam o casamento e os relacionamento só terminavam por incompetência delas, pediu ao meio marido era assim que ela o chamava ultimamente, para falar-lhe na orelha aquelas palavras que ele inventou mas foi ela que deu o aval para ser usada. Isso nunca tentaram quem sabe daria certo.
- Quais? Eu até me esquece que falava nas tuas orelhas.
E ela ordenou para ele procurar se lembrar porque ela também tinha se esquecido. Quem  sabe aí voltariam a ser homem e mulher. Os filhos nem ninguém sabia o que não  estava a acontecer, na cama eram como as madeiras que a constituiam ou lençol que não podiam usar.
Quanto mais tempo estivessem longe um do outro sentiam-se bem como antes quando estavam juntos , tinham que ter algo a fazer para não ficarem a pensar no outro.
No Segundo ano daquele insólito a  Madalena decidiu  trabalhar, daí o querer  arranjar empregado doméstico  para cuidar da casa e dos filhos. Antes até poderia haver discução porque  na zona norte do país que era da Madalena trabalhavam homens e do Victor no Sul trabalhavam mulheres nessa profissão.
Unanimente chegaram a conclusão que tinha que ser uma mulher.   Pós o seu lado feminino ia de acordo com o que se pretendia na casa e havia coisas que ela podia fazer por ter nascido com ela e um homem teria que aprender.
Na segunda semana o Victor voltou cansado  do serviço não estava a sentir-se bem  e deu-se de cara com a empregada que estava limpar o quarto. A má disposição se foi , transpirava em toda parte do corpo, revelava-se o homem que estava dentro dele. Pegou nela agressivamente, sem lhe dar tempo para um grito, babava nos lençóis . Voltou ao mundo selvagem, domou-lhe, horas iam passando com mais vontade ia ficando e não saia o líquido que até então era desperdícios.
A mulher chegou e assistiu sentada e não fizera nada, depois de cinco horas ele caiu no chão como um tronco, pedia água, a mulher  concedeu o pedido mesmo depois de ver tudo aquilo acontecer na sua própria cama.
A empregada foi ajoelhando e pedindo desculpas contou como aconteceu . A Margarida  mesmo com aquela dor entre inveja e ciúme  pagou dois meses adiantado e a empregada se foi da casa.
Ela questionava-se se o marido ja não vem fazendo isso por aí fora. Vestiu-se de preto e sentou-se na sala com os seus três filhos onde iam brincando. O Victor estava até então no quarto de um lado triste por ter matado o seu juramento pessoal e feliz por ter voltado a ser homem.
Eles queriam ser um casal exemplar, disseram um ao outro que não podiam se divorciar ,queriam ser exemplo para sociedade e principalmente para os seus filhos, que casamento era para sempre e não só porque tinham um passado parecido , ambos viveram com madrasta ou padrasto.
A Madalena depois da separação dos seus país que por ser criança não soube o motivo, viveu com a mãe e um padrasto  que lhe maltratava e via-lhe como empregada, foi impedida de estudar  mas a mãe conseguiu com que ela mesmo com doze anos estudasse de noite.   A mãe ajudava-lhe as vezes nas lágrimas.
Era dona de casa mas tinha que se submeter aos devaneios do marido porque  ela via aquele casamento como salvação, ficou muito tempo solteira vivia do que produzia na sua machamba  uma parte era para casa e outra vendiam para matar outras necessidades.
A boca pequena voavam relatos falsos dos homens que a desejavam e desconsiguiam levar-lhe a cama, porque ela queria casar e a maioria deles já eram casados. Mentiam que dormiam na casa dela. Quem iria casar com uma mulher que já passará nas mãos de quase todos? Nem com toda beleza dela seria humilhação demais.
O padrasto era um comerciante, viajava dependendo da fertilidade e das necessidades de cada zona. Daí que não teve tempo de ouvir o que se falava da mãe, e quando soube já estava rendido aos encantos dela. 
A mãe adoeceu ela estava sozinha a cuidou mas não foi suficiente morrerá nos seus braços. E chega o padrasto depois de uma semana carinhosamente a tratou, parecia outro homem, em menos de uma semana  convenceu-lhe  a vender a casa, porque lhe traria lembranças da mãe, era isso que acontecia ela não conseguia dormir. Ao dormir  a mãe sempre ia ao quarto dela para saber como estava e lhe cobria se não estivesse coberta. Era a essa hora que ela sempre acordava e punha-se a chorar lembrando-se dela.
Partiu com o padrasto que prometeu, jurando que a cuidaria e pediu-lhe desculpas pelo que aconteceu antes  e  já mais voltaria a acontecer.
Arrumaram as malas e foram-se. Chegaram numa casa onde uns meninos vieram a correr e chamavam o padrasto de pai e um beijo de uma senhora que só se ela fosse cega não perceberia que se tratava da esposa dele, mãe daqueles meninos.
Apresentou a Madalena como uma órfã, ele a levou para cuidar e ela ajudaria com o trabalho de casa e os meninos. A mulher orgulhosa pelo gesto do marido a recebeu e lhe mostrou onde  tinha que dormir e os restantes cantos da casa, onde ficava as roupas sujas para ela lavar, como tinha que se apresentar, tudo isso antes dela descansar e perceber o que era essa nova vida.
O padrasto a deixou e viajou logo sem lhe despedir. Ela foi pensando quantas mulheres como sua mãe andavam por  ai reféns. E indo na linha do que se tem dito: Os homens são poucos e essa luta renhida visto que muitos perderam a vida na Guerra e outros vão homo-sexualizando- se.
Sempre triste e humilde ia fazendo o seu trabalho diário. Ficou amiga dos meninos que a acarinhavam e escondiam aquela comida que era para os da mesa, traziam a noite no quarto dela.
O padrasto vinha e voltava. Certo dia ela roubou dinheiro dele e fugiu nunca mais a viram.
O Victor  ficara com o pai depois da separação por ser homem e as suas duas irmãs com a mãe, ficou com família separada , ele era recebido na casa da mãe com maus olhares assim como as irmãs na sua.
Por causa da transferência do marido a mãe teve que mudar de cidade e passaram a ver-se apenas nas férias, depois passou a ser anualmente mais tarde de dois em dois anos até chegarem a ver-se raramente.
A madrasta quando estivessem apenas com ele obrigava-lhe a manterem relações sexuais até a beijar o cú dela e se ele nega-se ou queixa-se acabaria ficando sem tecto, ele sentia que as irmãs estavam a mais imagine ele mudar-se para lá? Reconhecendo o desempenho dele sexualmente a madrasta abriu negócio onde ele tinha relações sexuais com as amigas.
Do dinheiro pago ele ficava como a décima parte que era para tapar a mesada que o pai deixava com a madrasta e ela  encarregava de não lhe entregar. Servia para comprar  material escolar, economizando dava para comprar  roupa e sapato.
O Victor fez vários juramentos para convencer  a Madalena que era a primeira vez que a traía aceitou quando ele apoiou-se a memória da mãe dela. Ela embora triste animou-se mas a tristeza voltou a bater porta quando tentaram mais uma vez e repeliram-se. - somos que nem irmãos. -exclamou a Madalena. Fizeram as pazes, procuraram tentar de novo, as coisas estavam no mesmo vai-não-vai.
Com a Madalena trabalhando tinham mesmo que ter um empregado  doméstico, desta vez tinha que ser um Homem para não correrem risco. Candidatos não faltaram, o Victor encarregou-se de fazer a entrevista e a admissão.
Voltando do serviço a Madalena vê um homem de camisa rota deixando de fora alguma parte do corpo. Sentiu a terra estremecer, apareceram-lhe asas que só se viu amparada nos braços daquele homem, que ia casa de banho, apertou-lhe com toda força que tem nas mãos ainda pediu auxílio das pernas que o manterão imóvel. Estava tomada com um desejo incontrolável. Só depois de oito rounds ele conseguiu se soltar e correu sem olhar atrás.
Ela contou o marido exactamente o que se sucederá, ela também estava viva.
Foram pensando a dois na possibilidade de mantendo relações fora do casamento,   a ideia foi logo abortada por ambos. Eles que se uniram mais pela cumplicidade que tinham na cama naquela selva, era assim que apelidaram o quarto deles, há dias que se viam mais nus duque com roupa. Quantas vezes partiram a cama e o bebé chorou e calou com os gemidos que era aquele grito de Tarzam que faziam.
Além do sexo praticamente não havia nada que os unia. Conheceram-se num baile e naquela tesão como diziam a primeira vista, uniram-se, a partir dai era só sexo conversavam pouco e  era a respeito do mesmo tema, quase não se conheciam em seis anos viveram assim quando começou a nascer o amor  veio a necessidade de conversar , iam com menos frequência a cama, ficaram amigos contaram as suas história um ao outro, foi onde decidiram nunca se divorciar  portanto para prevenir nem traições haveriam.
Agora ambos estavam empenhados a voltar a ser como antes, mas dessa vez com amor, vão se lembrando dos seu a momentos  e recomeçariam a sentir-se habitantes daquela  selva. Para eles era o jeito de fazer amor quem sabe um dia voltariam.
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publicado por Revista Literatas às 09:47 | link | comentar