A POESIA EPIGRÁMATICA DO AMIN NORDINE OU A BABALAZE DO ATIRADOR DAS VERDADES

Um poema assim é arduo/ sem cola e na vertical/ pode levar uma eternidade.
                                             ‘’ ARMENIO VIERA’’  
       Ao Sangari Okapi e
           Lúcilio Manjate                                
 

                                                          ERNESTO MULHANGA* 


Amin Nordine nasceu em Maputo aos 17 de fevereiro de 1969 e perdeu a vida aos 5 de fevereiro de 2011,e autor de apenas 3 livros, o que não tem importãncia porque a literatura não se assemelha a uma competição ,onde quem publica muitas obras sai vencedor(,assim sendo existem escritores que tem sido felizes nesta maratona aliando a quantidade versus qualidade como o seu cavalo de batalha e tem se notabilizado como verdadeiros campeos ex:Mia Couto,Antonio L.Antunes,Pepetela,Moacyr Scliar…),bastando lembrar-se do Luis B. Honwana,Noemia de Sousa,Gulamo Khan,e Lilia Momple para sustentar a tese de que qualidade nem sempre rima com a quantidade.
Publicou- Vagabundo Desgraçado( 1996),Duas Quadras para Rosa Xicuachula(1997), e Do lado da ala-B.
 
Amin Nordine e um militante de uma escrita solida em todos lados seja o da ala- A ou da ala- B,isenta de qualquer submissão politica,caracterizada pelo incoformismo da realidade que o circunda e pela revolta social,esta poesia epigramatica e uma revelação de um fatalismo que voa em voo rasante sobre as angustias de um passado melancolico,e um presente envenenado.
E do futuro o que se espera?o futuro não sera isto!’’… superlotada receita galgando o vento/com as mãos no coração do destino.’’
O que é do lado da ala-B? o leitor descobrirá que esta no lado mas vil de um jovem pais com os seus problemas,e é neste lado onde reside o poeta sólitario nas suas abordagens anti-heroicas,mas,das multidões na sua mordacidade social,um verdadeiro maquinista do comboio dos duros,um autenctico vomito da babalaze de um poeta bebȇdo do seu dia-a-dia.detentor de uma caligrafia rebelde,com versos quentes como o fogo e cortantes como a espada afiada,onde eclodem tematicas de afrontamento de um certo tempo historico(ex: carta ao meu amigo Xanana,banqueiros de banquetes,bandeira galgada aos 25,(c)anibalizinhos…)
Talvez o outro lado da ala destes poemas,não!isto ultrapassa a dimensão poetica,ou por outra destes melancolicos dissabores que despertam os filhos desta patria que nos pariu deste manancial de barbaridades versus mentiras,
que trasformam o sonho de estar livre da opressão em um pesadelo ,não sera esta a voz do povo?
Estes melancolicos dissabores são a polvóra contida na’’ bala’’(ala-B) desta poesia que o autor preferiu chamar-a de’’ arma da victória’’ que dispara esta bala certeira onde a cada estrofe vai abatendo o seu alvo.dai nasceu este livro embrulhado por uma critica social.
A titulo de exemplo o poema ‘’barbearia dos cabrões( ‘’queixo barbudos engravatados/ barbearia dos cabrões/ que deixa todo chão careca/ e ao alto mastro hasteiam bandeira/ para desfraldarem o corpo nu do povo…’’)
‘’Apesar da irrequietude e da impenitência ,algumas vezes virulentas que caracterizam esta poesia ou das intermeadas doses de apurada ironia ou de compaixão pelos desafortunados,o que sobressai nesta forma particular da escrita e um virtuosismo estimulador da sensibilidade da razão,(…),nessa brevidade desafiadora da nossa capacidade leitoral e estetica.’’( F.NOA-o prefaciador).
Segundo Zenão  a brevidade e um estilo que contêm o necessario para manifestar a realidade.esta brevidade encaixa-se na poesia do A.Nordine onde nota-se uma presenca massiva de traços inter-textuais da obra do poeta Celso Manguana cidadãos da mesma esquina( ambos eram jornalistas culturais do semanário Zambeze)guerreiros da poesia epigramatica, e soldados da mesma trincheira,.o A.Nordine exilo-se na morte,o Celso Manguana exilou-se na loucura, e eu procurarás  exilar-me na memória destes 2 poemas: 
‘’Sonâmbula esta patria/ cresce nas estatisticas/ e acorda com fome/ custa amar uma bandeira assim?/ tem o amargo do asilo/ almoço de pão com badjias/ sabem bem todos dias.’’ Celso Manguana pag.14- aos meus pais-Pátria que me pariu-2006. 
‘’ Se por tanto tivesse ser capaz/ moça-pátria deste amor que refrega/ seja o meu coração a minha entrega/ escrever-te a cerca duma paz/ e alto levante-se da vez que nega/não é para o povo o discurso assaz/  nenhum politico, milagroso ás/ é tamanho o sofrimento que chega!/ para o povo aumentem um quinhão/ venha do vosso governo mais pão/ burilada a página da história/ apagar a sua triste memória/ fazemos o país livre da escória!!!’’A.Nordine-pag.50-soneto da paz-Do lado da ala-B-2003. 
  • Heterónimo de Amosse Mucavele-membro do Movimento Literário Kuphaluxa.
publicado por Revista Literatas às 07:29 | link | comentar