O palhaço perneta


Aline Pereira – Rio de Janeiro

No vácuo ao largo, um corpo que arde 

Inválido bardo ao canto, debalde: 

E treme com febre, mas finge que escreve, 

pendido à muleta um palhaço perneta.

Tal bobo, sacode e balança na corda,

e bêbado cede a perna, que esquece

sentindo no alto a lambida de vida

da lua, acordada, e ao meio partida.

"Falta a mim também um pedaço"

Volta à musa em consolo o palhaço,

sem dela enxergar toda a pança,

quando vem da plateia um Oh!

Arregala-se, gira o braço,

busca a amiga fatal do espaço,

e lunático em queda ele dança,

sozinho, sem partes, sem dó...

publicado por Revista Literatas às 01:34 | link | comentar