Armando Artur: "Moçambique é uma nação de poetas, escritores, gráficos, impressores e livreiros, músicos e compositores"

Palavras do Ministro da Cultura de Moçambique, Armando Artur, na Feira do Livro de Maputo 2011

É com profunda satisfação e emoção que tenho a honra de m dirigir a todos aqui presentes, nesta secção que marca o início da feira do livro. Uma feira alusiva a comemoração do dia internacional do livro e do Direito de autor, organizada, conjuntamente, por instituição pública e privadas, entre livreiros produtores independentes, centros culturais e embaixadas baseadas na Cidade de Maputo, em parceria com o Concelho Executivo da Cidade de Maputo.

Gostaria, antes de mais, endereçar as minhas cordiais saudações a todos participantes desta sessão solene que marca a abertura dessa grande Feira do Livro de Maputo.
Uma saudação especial vai para o organizadores que pela segunda vez, e com empenho e dedicação, souberam proporcional aos municípios desta nossa cidade eventos desta nobreza, contribuído assim para que o livro seja um objecto acessível, quotidiano e indispensável na vida dos cidadãos.

Em segundo lugar, quero negociar o meu regozijo e profundo reconhecimento pela adesão de todos os convidados internacionais a esta grande Feira do Livro de Maputo. Este facto testemunha a grande importância que colectivamente damos ao livro, como instrumento imprescindível para o desenvolvimento. Como instrumentos. Bem-hajam todos e aí vão as minhas boas-vindas.

A realização desta Feira constitui uma iniciativa que visa contribuir na promoção da cultura e do conhecimento no país, na valorização e consolidação da nossa identidade e na criação artística; e vem comemorar o dia internacional do Livro e do direito do autor, assinalado a 23 de Abril corrente.

Importa também referir que esta feira acontece num ano muito especial: Ano Samora Machel, instituído em homenagem ao presidente ao Primeiro Presidente de Moçambique independente, e estadista que lançou e liderou um dos grandes desafios na construção da prática moçambicana; a redução dos índices do analfabetismo no nosso país. Por isso, o Presidente Samora Machel ensinou-se a fazer do livro um instrumento fundamental para vencermos o subdesenvolvimento.

Este evento não só proporciona aos estudantes, docentes, intelectuais, investigadores, políticos e aos citadinos em geral, uma oportunidade de acesso à literatura de interesse, desde o livro de leitura sortida aos de carácter académico. Como constitui, uma oportunidade para a troca de experiência sobre as melhores formas e estratégia de tornar o livro um instrumento libertador de inteligência humana; Um instrumento de libertação dos moçambicanos das garras da ignorância, da incultura e, também, da pobreza.


Comemorou-se a 23 de Abril de2011, o 15º. Aniversário da declaração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de autor. O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é comemorado, por decisão da UNESCO, desde 1996, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura escolhida para a honrar a velha tradição da Catalunha segundo a qual, nesse dia, os cavalheiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge e, em troca, recebem um Livro. Em simultâneo, é prestada homenagem a obras de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos no mesmo dia, em 1616. Assim, aquela tradição justifica que a partilha de livros e flores seja símbolos de prolongamento de uma longa cadeia de alegria e cultura, do saber e da paixão.

A UNESCO, ao declarar esta data, pretendeu potenciar o papel de vanguarda que o livro tem, enquanto um instrumento de formação humana e de erradicação do “analfabetismo funcional”, conceito adaptado por aquele órgão em 1978 e designa aqueles pessoas cujos conhecimentos não lhes permitem uma actuação eficaz no seu grupo, nem podem aplicá-los com fins claros e nem em contextos precisos.


Moçambique é uma nação de poetas, escritores, gráficos, impressores e livreiros, músicos e compositores. Todos têm empreendido esforços na revolução da cultura e a construção de desenvolvimento da nossa moçambicanidade.
Assim com a realização desta feira, está, mais uma vez, aberta uma oportunidade para, o conjunto, repensamos um novo paradigma de valores e conhecimentos profundos, desenvolver o nosso quadro legal para apoiarmos os nossos criadores e inventores, sem constrangimentos. É nosso desejo que com esta Feira, Moçambique passe, doravante, a entrar na rota regional e internacional de Feira s do Livro, de modo a que a nossa produção intelectual seja compartilhada, É igualmente importante que os nossos editores e livreiros estabeleçam laços de cooperação com editores e livreiros da região austral, de modo que as limitações linguísticas não constituem barreiras intransponível à fruição da leitura e do conhecimento. É por todas estas razões atrás arroladas que o Ministério da Cultura está a terminar a proposta da Política do Livro será o verdadeiro instrumento catalisador destes desideratos.
Façamos do livro, da música, do teatro, da dança, das artes plásticas, artesanato, fotografia, cinema, e vídeo, verdadeiros instrumentos de cooperação ao nível da SADC e do mundo.

A camada infanto-jovenil, endereço uma palavra de encorajamento; “o livro, seja de representação gráfica ou digitalizada, antecipa e consolida o nosso conhecimento, as nossas ideias, as nossas convicções e as nossas inquietações. Mesmo no mais irremediável isolamento, a leitura faz com que não nos sintamos sozinhos, preenchendo e animando a nossa solidão. De facto com o livro faz-se a música, o teatro, a dança, as artes plásticas, o artesanato, a fotografia, e cinema e o vídeo, a poesia, entre outros. Por isso, “ É fundamental que os pais e encarregados de educação semeiam o hábito de leitura nas nossas crianças e jovens. É importante que a cada aniversário dos nossos filhos e não só cultivemos o habito de oferecer, como prenda, um livro. É com estes gestos que construímos o edifício do conhecimento.     

Permitam-me terminar esta minha intervenção, reiterando a minha saudação ao Conselho Municipal da cidade de Maputo que, com um raro sentido de oportunidade, soube dar guarida a esta lovável iniciativa do Grupo Culturando. Ao disponibilizar este belo espaço da FEIMA, o Conselho Municipal deu um sinal positivo à perenidade desta iniciativa. De ora em diante, a Feira do Livro da Cidade de Maputo terá a dignidade que bem merece.
publicado por Revista Literatas às 04:24 | link | comentar