Quinta-feira, 25.08.11

Há falta de livrarias em Niassa

- Associação Progresso preocupada

Lino de Sousa Mucuruza - Lichinga
No âmbito do programa de promoção de um ambiente de leitura a associação progresso em parceria com direcção provincial da educação e cultura do Niassa promovem a V feira de livro e lançam a V edição do concurso literatura infantil na província de Niassa. Na cidade de Lichinga a feira terá lugar de 23 a 25 do mês corrente no balcão de informação turístico (BIT ) e na cidade de Cuamba 26 a 28 de Agosto.
Além da província do Niassa a associação progresso realiza estas actividades na província de cabo delegado e tem com apoio do Governo do Canadá e conta com livros de editoras como Ndjinra, Kapicua, JV, Paulinas ,Minerva central ,plural e texto editoras
Com cerca de 2.036 obras de entre didácticos, infanto-juvenis e literários.
Em entrevista a revista Literatas, Maria Ema Miguel, disse esperar que aja muitos visitantes principalmente a camada juvenil de modo que venha apreciar as diversas obras que lá estarão expostas na feira, “uma vez que teremos várias obras entre didácticos ate literárias e dizer que esta é uma oportunidade uma vez que na província do Niassa não temos livrarias então os estudante e professores pode comprar os livros nestas feiras pois os livros estarão acessíveis”.
O objectivo da feira é promover no seio dos estudantes e as comunidades em geral o gosto pela leitura ,pois a leitura é uma base de aprendizagem para todas as áreas de sabedoria da nossa ciência e assim sendo a realização desta feira livro é uma oportunidade para os estudantes desta província de modo a adquirirem os matérias para a consulta e não só é também oportunidade para o publico adquirir matérias para a leitura que é uma fonte de aquisição de conhecimentos e de salientar que a associação é uma ONG sem fins lucrativos mas como objectivo social geral de contribuir para o desenvolvimento das comunidades de base , com particularidade a atenção as crianças e mulheres
Estas actividades se encaixam no vigésimo aniversário da associação progresso
E todos os cidadãos venha apreciar e crer comprar o livro e também temos o concurso de literatura infantil podendo escrever histórias para crianças e submeter a associação progresso.
O regulamento esta disponível na associação.
publicado por Revista Literatas às 13:17 | link | comentar | ver comentários (2)

“A poesia não está fora de nós, nós é que inventamo-la”

Amosse Mucavele - Maputo
Literatas: O Lucílio Manjate começa a escrever em 1996. Porquê, para quê e para quem?
Lucílio Manjate: Penso que os escritores nunca sabem quando é que começam a escrever, porque sendo o acto da escrita um processo, que se liga a um outro processo, o da leitura, nós vamos escrevendo enquanto lemos, mas não registamos. É uma escrita ao nível do subconsciente, do íntimo, e que vai ganhando forma durante um tempo também impreciso, o tempo de gestação do escritor. É o tempo da criação da forma e que um dia vem cá para fora; no meu caso isso aconteceu em 96. Penso que nessa altura eu escrevia porque tinha que me situar, em termos geográficos, culturais, políticos, ideológicos, etc. Talvez seja o primeiro passo, esse. Essa é a leitura que faço hoje, lendo os meus textos um pouco mais crescido; escrevia para, a partir desse pressuposto identitário, inventar os meus sonhos, como todos os outros escritores inventam, e comunicar esses sonhos aos receptores dos meus textos. Partilhar um mundo possível.
Literatas: Sugere que o escritor não nasce numa folha em branco cheia de gatafunhos?
Lucílio Manjate: Exacto. Podemos entender essa questão como quisermos, eu penso que no papel ele apenas acontece. Perguntar quando é que o escritor nasce é sugerir uma discussão filosófica interessante, porque o texto primeiro acontece enquanto ideia, o embrião, e isso é na nossa mente e não fora dela. A metáfora de “nascer” aqui não pega, porque o ser humano vem para a luz, mas a luz do escritor está dentro dele, nunca fora. O homem sai da escuridão para a luz. O escritor faz o inverso, da luz para a escuridão. Talvez por isso queremos sempre voltar para esse mundo de luz, e procurámos como loucos um papel em branco para acender a escuridão que nos persegue.
publicado por Revista Literatas às 13:05 | link | comentar | ver comentários (1)

Pão Amargo

Finalmente chega um livro para a indústria dramaturga. Guilherme Silva é que escreve a obra “Pão Amargo”

Um livro de teatro como não surge há muito nas prateleiras das livrarias nacionais é a sugestão de Guilherme Afonso e sua editora, “Alcance”, em “Pão Amargo”. Nesta obra, o autor vai buscar pequenos detalhes da vida desta sociedade que é a moçambicana.
Este é um país de actores – de dramaturgos também. A frase pode não ser nova e já deve ter cansado, mas quando se volta à criatividade teatral em termos de produção de livros parece ganhar um outro sentido. Quando Lindo Lhongo, para alguns a maior referência da dramaturgia nacional, lançou “O Lobolo”, criou-se por momento um pequeno debate sobre a ausência de livros de peças teatrais.
A par da poesia e prosa – ou romances – existiu sempre uma clandestina vaga de dramaturgos, mas poucos fizeram a aventura em livro. Podíamos recolher belas peças de teatro nacionais que foram seguindo o seu crescimento, entre adaptações como “Mestre Tamoda”, de Neto Mondlane, até linhas impressionantes de “Aldeias dos Mistérios” de Dadivo José. São nomes que aparecem assim ao alto, mas podemos buscar tantos outros que não aparecem em livro.
Pão Amargo
Mas, contra a corrente, Guilherme Afonso, que chegou a Maputo – ou é melhor dizer Lourenço Marques – em 1959 para ingressar no Corpo de Polícia, curiosamente no período em que se elevava a literatura nacionalista, oferece-nos “Pão Amargo”, que sai pela Alcance Editores.
Há muito que Guilherme Afonso está na literatura, tendo aparecido em 1988 com o livro de contos “Circuito”, pela Associação dos Escritores Moçambicanos, e com poemas em “Memória Inconsumível”, pela Imprensa Universitária.
Em “Pão Amargo”, aborda a problemática social, começando pela confusão nas filas de “chapa”, como quem nos lembra que a partida para a vida começa numa paragem.
Esta é a imagem que nos salta à vista quando começamos a folhear o livro e nos deparamos com este diálogo que acontece na paragem:
“MULHER
- Eh! Senhor... O seu lugar não é aqui. Chegou agora e quer ficar à frente! O que é isso?...
INDIVÍDUO INTINTINTERPRPELADO
- Ora essa! Quem é que lhe disse isso? A senhora está muito enganada...”
Este diálogo decorre perante a passividade dos outros passageiros, o que desencadeia a ira da senhora devido à incapacidade das pessoas de reagirem perante actos anormais. Este “Pão Amargo” é uma história da vida
publicado por Revista Literatas às 12:58 | link | comentar

Uma poesia de alto risco

- Rubervam Du Nascimento exibiu seu “Espólio” em Maputo
Espólio
“Estrada da vitória não tem mais voz/ sem rodas da máquina do horário azul/acaba cantiga do relógio de sol apressado” – é uma das estrofes extraídas do livro “Espólio”de Rubervam Du Nascimento, lançado em Maputo, onde o autor parece-nos levar a visitar detalhes do tempo mas sem nenhum saudosismo.
Dizem que anda por cá (Maputo) por outras razões que não sejam poéticas. Mas Rubervam Du Nascimento está a aproveitar as terras do índico para falar de Craveirinha; falar da poesia e lançar, como fez na sexta-feira, o seu “Espólio”.
Desemembarc ou como um dos poetas brasileiros mais premiados – quatro prémios – e levou para o Centro Cultural Brasil- Moçambique o seu mais recente livro “Espólio”. Izacyl Ferreira, que escreveria a apresentação desta obra, a definiria como um livro de “desolação, de perdas, de ferrugens, coisas e pessoas gastas e perdidas”.
Esta formrma simplista de definir o “Espólio”de Du Nascimento conduz-nos, de uma forma complexa, para um livro que, ao ler, parece estar constantemente a nos conduzir ao passado, ou melhor, ao que nos resta da vida. Ferreira diz reiterar o dito arrulhos que defende a utilidade de reler as epígrafes de um livro para melhor entender o seu conteúdo. Esta sugestão leva-nos a uma conclusão quase agressiva que Rubervam Du Nascimento busca para o seu livro através de “Konstantinos Kavafis”: “Todas essas coisas são muito velhas/o esboço, o barco e a tarde”.
Assim Du Nascimento prepara-nos para o que podemos encontrar nesse “Espólio”. Mesmo antes da epígrafe, o poema (de) “Introdução” já nos chama atenção para toda a base (assim como os detalhes) deste livro.
“não é fonte deste livro/meu dia perdido/ na confusão da noite/ nossa vida de cão/ passada a limpo/ desde que o anjo rebelde/ a serviço do criador/ armado de lasca de sol/ nos expulsou do paraíso”, escreve em “Introdução”.
Estandndo prereparado, parece- abrir-nos para uma leitura não pré-definida que nos sujeitaríamos se nos baseássemos simplesmente no título “Espólio”. Mas ele avisa que este não surge de “manuscritos salvos de um arquivo de areia redigido com tinta deagua...”
E, quandndo nos prendemos no poema “Herança”, que abre “Livro 1 – Da Carne”, vamos perceber claramente a linha que o poeta nos remete.
“marido aproveveitou a demora da festa/ testou com indicador a castidade da mulher/ ajudado pela toalha da mesa cheia de rosas feias/ que cobria colo e pernas dos convivas”.
Mas ao lermos os poemas de Rubervam Du Nascimento temos sempre uma tendência de o vermos pelos olhos dos outros, daqueles que já o tinham lido antes, começando do seu “debut” com “A Profissão dos Peixes”. Este parece ser o seu livro e marca. Melhor, como diz Dalila Teles Veras, ele – Du Nascimento – já se auto-denominou “poeta de um livro só”, referindo-se “A Profissão dos Peixes”, obra que demonstrou o desejo de reeditá-la em edições revistas e – cada vez mais – diminuídas.
Mas estávamos a falar dessa leitura que temos sempre de fazer através dos olhos dos outros. Elias Paz no artigo “O engajamento P(r)o(f)ético em Rubervam Du Nascimento” faz uma “visitação” religiosa a obra de Rubervam por sua constante recorrência à religião, enquanto nos lembra que este poeta já foi um servo de Deus.
“... as referências religiosas, bíblicas e extra-bíblicas são abundantes no texto de Rubervam, veladas e claras. Para quem não sabe, o Rubervam é um ex-pregador adventista com vivência e formação cristã e grande familiaridade com o texto bíblico.”
publicado por Revista Literatas às 12:46 | link | comentar

Heliodoro Baptista

Heleliodoro Baptista nasceu a 19 de Maio. Faria este mês 65 anos. Era casado com a jornalista Celeste Mac-Artur, editora fotográfica do Diário de Moçambique, diário que se publica na Beira. Deixa viúva e quatro filhos.
O jornalalista, escritor e poeta nasceu em Gonhame, cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia. Deixou escritas várias obras não publicadas e publicou «Por cima de toda a folha», «Nos joelhos do silêncio», «A filha de Tandy», entre outras peças dispersas.
Foi jornalista do «Notícias da Beira» onde chegou a ser chefe da redacção. Deixou de exercer a profissão de jornalista quando se incompatibilizou com a direcção do «Notícias” que se publica em Maputo, jornal de que na altura era o delegado na Beira. Trabalhou ainda no «Diário de Moçambique».
publicado por Revista Literatas às 12:27 | link | comentar

Canção Terceira

António Névada - Cabo Verde
A Bia Didial
(canto à semeadura) 
I
Não venho para redimir ou semear,
não viemos para colher ou situar.
Oluar fragmenta-se,
os momentos tecem o peso
e não viemos para escolher, corroer ou perpetuar,
e nem as coisas preservam
o caudal dos tempos,
ou inutilmente pensamos, estimamos o afluente da dor.
Não venho para criar ou garantir,
não viemos para aumentar ou instaurar. Cada enxugo ou rega,
cada filho dizendo,
dizendo a morte e a sina nossa,
a cada filho o condão da rememoração.
E se dizemos hoje dizendo cantos,
é porque dizendo hoje temperamos o espírito!
Ontem
descemos as encostas
e bebemos a água da fonte,
a semeadura foi abençoada pelo poente,
pela poesia e pelo bater do tambor,
e bendizemos o corpo vago,
as fraquezas,
alguns troços de alma.
Hoje
sentamos à soleira da porta
e dizemos hoje dizendo cantos,
porque dizendo hoje diremos o vento
à porta da aldeia,
cantamos a terra ou o verso e rima.
Diremos a morte, a sensação de inexistência
[que nos perturba.
E o homem
cultiva sobre a terra estéril,
e sobre ela ajoelha-se
para louvar ou barafustar,
para louvar ou possuir
o dom dos deuses.
Homem que espera a consumação
e o volume da vida,
homem que habita os seios da madrugada
ou os cios, cios nossos
e do tempo horto.
Será que vivemos,
sobrevivemos,
para estabelecer a causalidade da morte?
Ou o mundo é a rua toda,
o regadio e a impunidade?
A rua toda, almas famintas,
o afluente da dor?
Nas palmeiras,
no oráculo e em voz branda,
assumimos o cântico, dispensamos o corpo,
e alagamos a ubiquidade.
As ondas banham a alvorada,
a areia reagrupa a linguagem,
e a terra semeia o ramo e o suco.
A alma vai com o vento,
o infindável manto oculta as imagens,
e as árvores da humanidade
caminham sem frutos
sem raízes de imbondeiro.
Cantos, breves cantos
ó demência toda!
publicado por Revista Literatas às 12:13 | link | comentar

Encantado silêncio das areias de Maputo

Bárbara Lia - Brasil
Entre estrelas
entre algas
entre brancos lençóis
e paredes brancas.
Vermelha viagem da vida nas veias.
Instante que precede ao nascimento,
também à morte.
A morte é um silêncio suspenso
e o sol, um silêncio vermelho.
Nuvens em seu passeio
diante da janela deste apartamento.
Tem uma sinfonia em tons vários
a gritar – Silêncio!
Silencio.
Branca, como estrelas e algas.
Passeio brancas areias de Maputo,
olhando ao redor em busca de Mia Couto
ansiando que ele me ensine a estrondar
o encanto.
in Noir (2006)
publicado por Revista Literatas às 11:55 | link | comentar

A Revista Literatas

é um projeto:

 

Associação Movimento Literário Kuphaluxa

 

Dizer, fazer e sentir 

a Literatura

Agosto 2011

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30

pesquisar neste blog

 

posts recentes

subscrever feeds

últ. comentários

Posts mais comentados

tags

favoritos

arquivo

blogs SAPO