Segunda-feira, 14.03.11

A era do pugilismo sexual


Autor do artigo
 De: David Bamo - Maputo

Há dias publiquei uma matéria sobre a Escola Secundária Josina Machel, que está agir com alguma pujança para com as alunas que usam roupas que as considera nocturnas e indecentes, falo de saias curtas, camisas que deixam o bico fora, extensões...enfim todo vestuário que a direcção daquela escola acha ser extravagante.

Vozes de injustiça não faltaram: Vários estudantes foram unânimes em afirmar que usar saias do tamanho por baixo dos joelhos é coisa de velhos, outras ainda, que cada um tem a sua forma de ser e estar. Bom! O ponto mexeu comigo. Primeiro, porque não concordo que a personalidade do ser humano se defina com a forma como se apresenta, principalmente pelo vestuário.
O peso das aparências vai tomando conta dos moçambicanos desde a flor da idade. Este é um dos sinais do erro de comunicação no seio das famílias deste meu país.
Parece-me que os pais educam, preocupam-se com a aparência dos filhos, não no que pensam, não no perigo social que um indivíduo que se esconde por trás do seu traje. A aflição dos pais em manter os seus filhos apresentáveis me leva a questionar: Será a roupa da moda sinónimo de boa dignidade? Não! É fruto do que esses “miúdos” consomem desde novo, bebem esses hábitos dos seus pais.
Péssima educação dos pais.
ATENÇÃO: A minha discórdia não é sobre o tipo de vestuário. Longe de mim. O que está acontecer é que estamos a confundir roupa, aparência, personalidade e dignidade. Mas a culpa não pesa só sobre os pais, a sociedade também carrega esta cruz.
Um bom moço tem que ser charmoso, bem vestido, não interessa o que tem na cabeça. Quem chegou tarde na distribuição da beleza, toma o leite com sabor azedo. Os “lindinhos”, seja no meio social, académico, profissional...enfim...dão se muito bem! Mau! Um feio, mal vestido, que em tempos de calor anda soado, muito soado, para melhor se suceder, tem que ser inteligente, “tacudo”.
Os mais fofinhos, mesmo sendo um par de pernas sem cérebro, com cabeças vazias, que na verdade tinham que ser um quadro pendurado numa casa abandonada, têm melhor atenção da sociedade.
Por outro lado, temos a má influência dos media, os órgãos de informação também nos sugerem para tal realidade. Só aparecem na tela pessoas com caras atraentes, corpo “sexy”, o resto não interessa. O mais importante é chamar a atenção do público.
ATENÇÃO: O telespectador não está para apreciar a cara e o corpo do apresentador, mas sim, o conteúdo que este leva ao auditório. É bem verdade que o apresentador tem que estar bem vestido, apresentável, contudo, não deixa de ser um facto que ele tem que é se preocupar em transmitir o assunto as pessoas.
A TV não é uma passarela, como alguns comunicadores pensam, onde só se exibem! O que eu chamo de “sexismo”.
Recentemente um amigo me disse que queria se tornar um músico, eu me espantei, porque ele nunca mostrou vocação para o tal. Ele alegou que só lhe interessava ser famoso, para ter muitas “pitas”, emprego, dinheiro. Um punho sexual que só vai abater a sociedade moçambicana.
Que futuro se aguarda?
publicado por Revista Literatas às 07:50 | link | comentar | ver comentários (1)

CONFISSÃO

De Pedro Du Bois-Santa Catarina

Sintonizado em barulhos
reconheço o prego
ao ser pregado
o parafuso
ao ser enroscado
a água
ao ser fervida
o dia
ao ser mudado
para a tarde
noite
dos regressos

ser  fechado
confesso o crime
de escutar a vida
por todos os lados.
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publicado por Revista Literatas às 07:48 | link | comentar | ver comentários (2)

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